O estilo de vida em comunidades organizadas, centradas na harmonia e no equilíbrio entre pessoas e dessas com o meio-ambiente é um dos princípios para a criação de ecovilas. Seus moradores se dedicam a economias sustentáveis, ao relacionamento interpessoal baseado na solidariedade, na cooperação e na difusão/ troca de conhecimentos, informações e experiências, principalmente de modo prático. Em todo o mundo, centenas delas estão se dedicando à pesquisa e experimentação de tecnologias “verdes”, educação ambiental, proteção e regeneração dos ecossistemas, assim como à busca do equilíbrio e plenitude pessoal e social de seus moradores. O objetivo essencial das Ecovilas é realizar a manutenção e desenvolvimento da vida humana e de outras formas de vida das quais dependemos para viver como humanos. Essas práxis são bem distintas e até antagônicas aos ideais de acumulação e crescimento indiscriminado e indiferenciado dominantes nas sociedades atuais, globalmente, que em síntese são estilos de vida mimetizados inconscientemente, provenientes dos interesses destrutivos e auto-destrutivos da economia global, que cria permanentemente mais problemas do que a nossa capacidade global de humanos de resolvê-los.
A primeira ecovila da Paraíba, com o nome sugestivo de Felicidade, deve ser instalada no Litoral. A escolha do local se deve ao fato de ainda haver áreas mais preservadas em alguns municípios, por exemplo em Rio Tinto, Mataraca e Mamanguape, ao fato dos municípios da Mata Paraibana serem, de um lado dotados de um padrão de riquezas naturais acima da média da Paraíba, e de outro lado, deterem algumas das piores condições de vida do Estado expresso nos seus IDHs. Para levar o projeto adiante, seu idealizador, o economista Saulo Xavier, está em busca, de um lado de recursos de doações da sociedade civil, e de outro de pessoas/ atores ecosociais, que estejam interessados em estabelecer / construir conjuntamente a Ecovila Felicidade.
Segundo Saulo Xavier, seu interesse em criar uma Vila Ecológica tem como objetivo viver uma vida de melhor qualidade e contribuir para desenvolver a vida em nível local, considerando porém uma perspectiva global. “Não só para mim pessoalmente e para os integrantes da Ecovila, mas igualmente para a nossa circunvizinhança micro-bioregional e, para proporcionar algumas práticas e vivências sustentáveis à outras pessoas não moradoras da ecovila, que não se adaptando à destrutividade dos estilos de vida provenientes da economia global buscam outras alternativas de vida”, esclarece.
Batista, Saulo Xavier.
Política da Ecovila Felicidade
Fones.: 0055 83 8620 4289 / 3042 7470
Skype: sauloxavier
E-mail: sauloxavier@uol.com.br
Site/ Blog: http://ecovila.felicidade.zip.net
Msn: ecovilafelicidade@hotmail.com
Skype: sauloxavier
Site Profissional : http://sauloxavier.sites.uol.com.br/index.html
ORKUT : Saulo Xavier em João Pessoa
Síntese de uma literatura sobre Saúde EcoSocial. Quatro capítulos sobre tema de Fritjof Capra in O Ponto de Mutação, e do seu livro Sabedoria Incomun. De ILLICH, Ivan. 1971. A Expropriação da Saúde – Nêmesis da Medicina, entre outros. -.
Introdução.
A minha condição de cientista social e a minha formação – não oficial - em clínica psicológica levou-me a compreender um pouco de saúde. Meu objeto de estudos e pesquisas ao longo de minha vida tem sido a compreensão das energias que modelam e mudam nossa sociedade e nosso meio ambiente natural. Como, de um lado, a saúde é parte desse amplo conjunto e, de outro lado, esse conhecimento é útil para minha própria ecologia interna, pensei e senti ser significativo expressar um pouco do que compreendo ser a natureza da saúde e da doença.
"A constante busca que orientou o interesse de minha vida e expressou-se como práxis pessoal e profissional em pesquisa, tem sido uma procura de compreensão da vida social e das forças que modelam as relações sociais e as mutações nas pessoas ( nos indivíduos/ ecologia interna ), na sociedade ( ecologia social ) e na natureza ( ecologia física ).
Essa procura, um processo de vida e mutações progressivas, conduziu-me em síntese a uma práxis de pesquisa transdisciplinar – sistêmica, holística e ecológica - e concretiza-se pelo interesse na Teoria e Prática do Desenvolvimento Sustentável. Esse processo repousa numa ênfase que, é em sua essência última espiritual:
Enquanto pessoa essa espiritualidade concretiza-se na Yoga/ Meditação 33 anos de atividades, Vegetarianismo 22 anos em geral, 08 anos de terapias ocidentais individual/ grupal e anos de estudos aprofundados em psicologia, psicanálise e psicologia social –;
Como ser social/ no ativismo social – atividades que resultam no exílio na Europa/ Alemanha entre 1977 e 1979 –
E como ser ecológico – uma práxis mais teórica e a vida em Ecovilas, que inicia/ desenvolve-se de modo consciente na Europa - 1977/79 tem alguns períodos de interrupções e concretizo agora como práxis mais efetiva ( teoria + pratica) em período recente no Brasil e na Europa e que terá continuidade com a instalação de uma Ecovila.
Essa trajetória exigiu o desenvolvimento de pesquisas em todas as suas fases/ (tipos): teórica, metodológica, empírica e prática e a minha contribuição correspondente, produção de conhecimento na forma de textos e ensino em universidades e extensão, assessoria a ONGs., movimentos sociais e ecológicos.
Significa enfim, que no processo de gênese e evolução das práticas e teorias que orientaram minha vida e minha práxis “profissional” e exercia-a em essência na criação e desenvolvimento de um instrumental de trabalho e, de vida, sobretudo em ciências humanas, sociais e ecológicas. Instrumentais que significam meios para compreensão/ explicação da vida social contemporânea, têm resultado em pesquisas/ produção de conhecimento.
Algumas das alegrias e contentamentos presentes – Felicidade - é ter alcançado uma síntese conclusiva sobre meu objeto de estudos e pesquisas, a sociedade contemporânea, minha visão sobre as crises sociais, ecológicas e espirituais atuais e suas possíveis soluções alternativas e que são expressas na minha pesquisa livro, em conclusão :
ECOVILAS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL : UMA ALTERNATIVA ÀS CRISES SOCIAIS, ECOLÓGICAS CONTEMPORÂNEAS. "
Parte desse trabalho é sobre saúde. O trabalho completo resultará em um livro mais conclusivo sobre meus escritos. Essa parte de saúde, que ainda esta em redação, foi escrita originalmente para um livro que escrevi para meu filho: A Alegria e a Felicidade de Cassiano. Ocorreu que quando meu filho ingressou na universidade entrou em depressão: dormia até meio dia todos os dias. Daí escrevi para ele, sua mãe, sua terapeuta e para mim. Neste livro que no futuro poderá ser reescrito para jovens, adolescentes e pais, explico um pouco o que penso, sinto e ajo ser a natureza da saúde e da doença.
Portanto, o texto a seguir, é uma adaptação, pode ter trechos que o leitor ficará achando estranho, é só um manuscrito incompleto, porque afinal sentei-me no computador e escrevi direto, do modo como as idéias emergiam, consultando e reescrevendo o que já havia escrito antes para outros objetivos, mas afinal meu interesse é um texto para os amigos.
A PRODUÇÃO DA SAÚDE E DA DOENÇA.
Minha compreensão do fenômeno da saúde e da doença e tem origem na história de minha vida, descrita resumidamente melhor ao final dessa reflexão ( No anexo n˚. 1), foi aperfeiçoada a partir de estudos e pesquisas realizadas em trabalhos de estudiosos e pesquisadores de várias correntes, mas, sobretudo no amplo grupo do Movimento do Potencial Humano dos EUA e da Europa. Nesse momento escolho alguns pessoas que melhor expressam as concepções dos melhores pesquisadores desse grupo sobre a saúde de modo mais profundo tais como:
CAPRA, Fritjof. 1982. O Ponto de Mutação.-.
CAPRA, Fritjof. 1998. Sabedoria Incomum. São Paulo : Praticamente todo o livro dedicado à saúde.
FERGUSON, Marilyn. 1980. A Conspiração Aquariana - Transformações Sociais e Pessoais nos Anos 80. Tem capítulos sobre saúde
ILLICH, Ivan. 1971. A Expropriação da Saúde – Nêmesis da Medicina -. Todo o livro dedicado à saúde á uma profunda visão critica sobre a saúde.
ILLICH, Ivan. 1973. A Convivencialidade.
GOLEMAN, Daniel. A Arte da meditação.
Simonton, Carl , Deepak Copra e outros.
Por exemplos Carl Simonton, um dos mais reconhecidos e qualificados médicos, pesquisador da saúde, a partir de uma visão e prática psicossomáticas em problemas de câncer nos EUA, concebe a doença ( e não apenas o câncer ) como “solucionadora de problemas”.
Assim se expressa ele sobre o processo de adoecer.
“Devido ao condicionamento sócio - cultural as pessoas as vezes acham impossível resolver problemas estressantes de maneira saudável e, portanto, optam - consciente ou inconscientemente - por ficarem doentes como uma saída, incluidas aí a depressão e outras formas de doença mental.” In Capra (1988, 156; 1982 ) .
O “tratamento” alopático de doenças funciona apenas como obstrutor de sintomas, sem procurar as origens mais profundas das enfermidades. Ao agir desse modo e não procurar as origens da enfermidade apenas canaliza o estresse e os sentimentos originais para outras doenças no próprio indivíduo ou transfere como agressividade para patologias sociais. – A criminalidade, as drogas, a sexualidade instintiva, o trabalho compulsivo, o apetite desmedurado. In CAPRA. 1988. Sabedoria Incomum., bem como os capítulos que tratam do conceito de saúde in O Ponto de Mutação, sobretudo cap. X. Também ILLICH (1975) também desenvolve um conceito similar.
Transcrevo abaixo trechos do dialogo de Carl Simonton e Fritjof Capra, no livro Sabedoria Incomum. Esse trabalho foi publicado em 1988, 6 anos após a publicação de: “ O Ponto de Mutação ”. (1982), nele Capra analisa como escreveu O Ponto de Mutação. É uma reflexão sobre esse livro, portanto um trabalho epistemológico, (o conhecimento do conhecimento, o conhecimento de como chegamos a conhecer algo) de seu conhecimento naquele livro. Segundo Simonton,
“existem três maneiras não - saudáveis para se escapar de uma situação estressante da vida :
“uma leva a doença física, outra leva a doença mental”... E devemos também reconhecer um terceiro tipo de rota de escape”... “ a que leva a patologias sociais – comportamento violento, e desregrado, crime, abuso de drogas, etc.”
“Mas você não chamaria isso de doença , chamaria ?” ... “Chamaria, sim: acho que seria correto chamar a isso doença social. O comportamento anti-social é uma reação comum diante de situações difíceis e estressantes na vida, e deve ser levado em consideração quando falamos de saúde. Se houver redução no número de doenças, mas essa redução for compensada por um aumento no número de crimes, na realidade nada foi feito para melhorar a saúde da sociedade.”
Portanto, a concepção de saúde/ doença dos Simontos é ampla e multidimensional, muito mais significativa do que a estreita perspectiva médica, sobretudo a alopática, que esta aí, a, dominante. A concepção alopática, a mais comum, é decorrente da concepção de ciência Cartesiana - Newtoniana comum, a concepção que prevalece nas universidades no planeta, seja medicina, em economia, em serviço social, em psicologia, sociologia, etc. [1]
Os Simontons (Carl e sua mulher Stephanie) apresentaram sua revolucionária abordagem `a terapia do câncer que ressalto com base em Capra (1982, 1988, 1996) é compatível e generalizável ao modelo geral de compreensão da saúde e das doenças, em vários livros e muitos artigos científicos hoje reconhecidos no mundo inteiro. Se bem que por serem muito inovadores e críticos os Simontons permanecem como as demais minoras criativas à margem da aceitação pelas ciências dos paradigmas dominantes – inclusive e/ou sobretudo de medicina, a economia, o direito -.
“A estrutura conceitual e a terapia desenvolvidas pelo oncologista de radiação Carl Simonton e pela psicoterapeuta Sthephanie Matthews-Simonton são inteiramente compatíveis com as concepções de saúde e doença que estamos examinando e têm implicações profundas para muitas áreas da saúde e da cura.” Capra ( 1982, 345).
Essas estrutura conceitual e terapia podem resumidamente serem expressas do seguinte modo Capra (1981,347 a 350), transcrição literal:
“O quadro emergente do câncer [2] é compatível com o modelo geral de doença sobre o qual estivemos discorrendo. Um estado de desequilíbrio é gerado pelo stress prolongado, que é canalizado através de uma determinada estrutura de personalidade, dando origem à distúrbios específicos. As tensões cruciais parecem ser aquelas que ameaçam algum papel ou alguma relação central de identidade da pessoa, ou as que criam uma situação para a qual, aparentemente, não há saída. “ ... “ Elas são passíveis de gerar sentimento de desespero, impotência e desesperança, Em virtude desses sentimentos uma doença grave e a até a morte podem tornar-se conscientemente ou inconscientemente aceitável como solução potencial.”
Os Simontons e outros investigadores desenvolveram um modelo psicossomático de câncer que mostra como estados psicológicos e físicos colaboram na instalação da doença. Embora muitos detalhes desse processo precisem ser esclarecidos, tornou-se evidente que o estresse emocional tem dois efeitos principais: inibe o sistema imunológico do corpo e, ao mesmo tempo, acarreta deseqüilíbrios hormonais que resultam num aumento da produção de células anormais. Assim estão criadas as condições ótimas para o crescimento do Câncer”. (da doença ). Capra (1981,347/48) .
No que se refere à configuração da personalidade, os estados emocionais do indivíduo parecem ser o elemento crucial no desenvolvimento de uma doença. A ligação entre enfermidade e emoções vem sendo observada há centenas de anos, existindo hoje provas substanciais do significado de estados emocionais específicos. Estes são o resultado de uma biografia particular que parece ser característica dos pacientes com câncer. Perfis psicológicos de tais pacientes foram estabelecidos por numerosos pesquisadores, alguns dos quais são até capazes de prever a incidência do câncer com notável precisão, com base nesses perfis.
Lawrence LeShan estudou mais de quinhentos pacientes com câncer e identificou os seguintes componentes significativos em suas biografias:
“sentimentos de isolamento, abandono e desespero durante a juventude, quando relações interpessoais intensas parecem ser difíceis ou perigosas; uma relação forte com uma pessoa ou grande satisfação com um papel no início da vida adulta, tornando-se o centro da vida do indivíduo; perda da relação ou do papel, resultante em desespero; interiorização do desespero a ponto de os indivíduos serem incapazes de deixar outras pessoas saberem quando eles se sentem magoados, coléricos ou hostis. “
Esse padrão básico foi confirmado como típico de pacientes com câncer por numerosos pesquisadores.
Para concluir o exame da assistência holística á saúde e apropriado do câncer conhecido como a abordagem Simonton, considerado uma terapia holística por excelência. O câncer é um fenômeno típico, uma doença característica de nosso tempo, que ilustra, de maneira convincente, muitos dos pontos destacados neste capítulo. O desequilíbrio e a fragmentação que impregnam nossa cultura desempenham um papel importante no desenvolvimento do câncer, impedindo ao mesmo tempo que os pesquisadores médicos e os clínicos compreendam a doença ou a tratem com êxito. A estrutura conceitual e a terapia desenvolvidas pelo oncologista* de radiação Carl Simonton e pela psicoterapeuta Stephanie Matthews-Simonton são inteiramente compatíveis com as concepções de saúde e doença que estamos examinando, e têm implicações profundas para muitas áreas de saúde e de cura 62.
De momento, os Simonton vêm em seu trabalho como um estudo - piloto. Eles selecionam seus pacientes com extremo cuidado, porque querem ver até que ponto podem chegar com um reduzido número de indivíduos altamente motivados para entender a distância básica do câncer. Quando tiverem atingindo essa compreensão, aplicarão seus conhecimentos e recursos a um maior número de pacientes. [3] Até agora, o tempo médio de sobrevida de seus pacientes é o dobro do registrado nas melhores instituições para tratamento do câncer e o triplo da média nacional nos Estado Unidos.
Além disso, a qualidade de vida e os níveis de atividade desses homens e mulheres, que foram todos considerados clinicamente incuráveis, são absolutamente extraordinários.
A imagem popular do câncer foi condicionada pela visão fragmentada do mundo em nossa cultura, pela abordagem reducionista da nossa ciência e pelo exercício da medicina orientando para o uso maciço de tecnologia e afirmo, para o princípio que rege o mundo boa parte do mundo empresarial: o de que ganhar dinheiro é mais importante do que os seres humanos, a natureza, a democracia e quaisquer outros valores. O câncer e visto como um forte e poderoso invasor que ataca o corpo á parte, de fora. Parece não haver esperança de controlá-lo, e para a grande maioria das pessoas o câncer é sinônimo de morte. O tratamento médico – radiação, quimioterapia, cirurgia ou uma combinação dessas técnicas -- é drástico, negativo e danifica ainda mais o corpo. Os médicos estão cada vez mais propensos ao ver o câncer como um distúrbio sistêmico, uma doença que, no inicio, é localizada, mas que tem a faculdade de se propagar e realmente envolver o corpo inteiro, e em que o tumor original e apenas a ponta do iceberg.”
A filosofia básica da abordagem Simonton afirma que o desenvolvimento do câncer envolve um certo número de processos psicológicos e biológicos interdependentes, que esses processos podem ser reconhecidos e compreendidos, e que a seqüência de eventos que leva à doença pode ser invertida de modo que o organismo se torne saudável novamente. Tal como em qualquer terapia holística, o primeiro passo no sentido de se iniciar o ciclo de cura consiste em conscientizar os pacientes do contexto mais amplo de sua enfermidade. O estabelecimento do contexto do câncer (da doença ) começa por se solicitar aos pacientes que identifiquem as principais tensões que ocorreram em sua vida de seis a dezoito meses antes do diagnóstico. A lista dessas tensões é, então usada como base para se analisar a participação dos pacientes no desencadeamento de sua enfermidade. O objetivo do conceito de participação do paciente não é suscitar um sentimento de culpa, mas criar a base para a inversão do ciclo de processos psicossomáticos que culminaram na doença. [4]
Enquanto os Simontons estão estabelecendo o contexto da enfermidade de um paciente, eles também fortalecem sua crença na eficácia do tratamento e na potência das defesas do corpo. [5] O desenvolvimento dessa atitude positiva é crucial para todo o tratamento. Estudos realizados demonstram que a resposta do paciente ao tratamento dependente mais de sua atitude do que da gravidade da doenças. Um vez gerados os sentimentos de esperança e expectativa, o organismo traduz esses sentimentos em processos biológicos, que começam a restaurar o equilíbrio e a revitalizar o sistema imunológico, utilizando os mesmos caminho que foram usados no desenvolvimento da doença.[6] A produção da células cancerosas (química das doenças) decrescem, enquanto o sistema imunológico se torna mais forte e mais eficiente para lidar com elas. Enquanto ocorre esse fortalecimento, a terapia física é usada em conjunto com a abordagem psicóloga, a fim de ajudar o organismo a destruir as células malignas. [7]
Os Simontons vêem o câncer não como um problema meramente físico, mas com um problema da pessoa como um todo. Assim a terapia por eles adotada não se concentra exclusivamente na doença, mas se ocupa do ser humano total. E uma abordagem transdimensional que envolve várias estratégias de tratamento planejadas para iniciar e dar apoio ao processo psicossomático de cura. No nível biológico, a finalidade é dupla: destruir as células cancerosas e revitalizar o sistema imunológico. Além disso, usa-se o exercício físico regular para reduzir a tensão, aliviar a depressão e ajudar o paciente a manter um contato mais estreito com seu próprio corpo. [8] A experiência mostrou que os pacientes com câncer são capazes de uma atitude física muito maior do quer a maioria das pessoas supõe.
A principal técnica de fortalecimento do sistema imunológico é um método de relaxamento [9] e de formação de imagens mentais que os Simontons desenvolveram quando perceberam o importante papel das imagens visuais e da linguagem simbólica no biofeedback. [10] A técnica Simonton consiste na prática regular de relaxamento e visualização,[11] durante a qual o câncer e a ação do sistema imunológico são descritos na própria linguagem simbólica do paciente. Comprovou-se que essas técnicas são um instrumento extremamente eficiente para fortalecer o sistema imunológico, freqüentemente resultando em reduções espetaculares ou na eliminação de tumores malignos. Além disso, o método de visualização é também uma excelente maneira de os pacientes se comunicarem com seu inconsciente. Os Simontons vêm trabalhando estreitamente com as imagens mentais de seus pacientes e aprenderam que elas dizem muito mais acerca dos sentimentos dos pacientes do que quaisquer explicações racionais.
Embora a técnica de visualização desempenhe um papel central na terapia Simonton, é importante enfatizar que a visualização e a terapia física não são suficientes, por si sós, para curar pacientes com câncer. Segundo os Simontons, a doença física é uma manifestação dos processos psicossomáticos subjacentes, que podem ser gerados por vários problemas psicológicos e sociais. Enquanto esses problemas não forem resolvidos o paciente não ficará bom, ainda que o câncer (que a enfermidade) possa temporariamente desaparecer. A fim de ajudarem os pacientes a resolver os problemas que estão na raiz de sua enfermidade, os Simontons fizeram uso do aconselhamento psicológico e da psicoterapia, elementos essenciais de sua abordagem. A terapia tem usualmente lugar em sessões de grupo, nas quais os pacientes encontram apoio e encorajamento mútuos. Concentra-se nos problemas emocionais, mais não o separaram dos padrões mais amplos da vida dos pacientes; assim, inclui geralmente aspectos sociais, culturais, filosóficos e espirituais.
Para a maioria dos pacientes com câncer, o impasse criado pela acumulação de eventos estressantes só pode ser superado se eles mudarem parte de seu sistema de crenças. A terapia Simonton mostra-lhes que sua situação parece irremediável apenas porque eles a interpretam de uma forma que limita suas respostas. Os pacientes são encorajados a explorar interpretação e respostas alternativas a fim de encontrarem um modo saudável de resolver a situação estressante. Assim, a terapia envolve um exame continuo do sistema de crenças e da visão de mundo dos pacientes, uma mudança de vida.
Anexo 1
Meu conhecimento, significa de onde provém essas idéias aqui expressas pode ser resumido do seguinte modo. Passei por vários processos psicoterápicos. Por exemplo, em um deles realizei-o em cerca de oito anos submetendo-me a tratamentos com três terapeutas distintos em períodos diferentes, experiências de pesquisas empíricas e períodos a partir do quais sempre procurei aprofundar-me em minhas pesquisas também de modo teórico, metodológico e prático nos temas a ele relacionados. No Rio de Janeiro há uma escola, a Lacaniana que nesses casos como o meu, que existem múltiplos, é possível a pessoa submeter-me a uma série de provas e então se aprovado poder-se clinicar. Não é de meu interesse nesse momento. Além desse tipo de práxis psicoterápica mais ocidental, minha praxis de psicoterapia alia-se à minha práxis da psicologia oriental, que hoje a psicologia transpessoal em boa parte incorporou: meditação, yoga, vegetariamismo, massagens -do-in, yuvérdica- de Tai - Chi-Chu’an, Ai - Ki- Do - .
O conhecimento de onde provém as idéias aqui expressas foi iniciado com a história de minha vida, minha visão inicialmente ingênua, mais inconsciente e mais intuítiva da vida. A partir de um momento de reflexão mais profundo, de crise que vivi ao deixar o curso de engenharia, em 1973, pelo de economia, uma ótima opção na minha vida, fiz minha iniciação ao yoga - uma visão filosófica, em 1973/74, influenciado pelas leituras e práticas da yoga, nesses anos, inicio também alguma pratica de alimentação consciente, continuo em múltiplos outros cursos de yoga em anos posteriores, com freqüência procurando compreender as visões e inclinações filosóficas das diversas escolas e ramos da yoga, onde sempre dei mais atenção inicial a Hatha yoga (yoga do corpo, física ), yoga da vida e a Raja Yoga (meditação, yoga mental, da psiquê) e estudo da filosofia yogue. Ainda nos anos 74/75 fiz minha primeira tentativa de psicoterapia (1 ano aprox.). Em 1979, retorno a alimentação naturalista, vegetariana, filosófica (consciente). Alimentação com base em conceitos filosóficos, científicos, éticos e estéticos que também, embora intermitente praxizo até hoje, significa 28 anos. Praxis que tiveram seqüência em aprox. 6 anos de psicoterapia em grupo e individualmente, reafirmo com busca consciente sobre as distintas escolas da terapia, da psicoterapia e da psicanálise, uma vez que desde cedo percebi que todas tem visão ou visões filosóficas ( conscientes ou não). Conhecimento que foi aliada à cursos teóricos e práticos de Do-in e outras massagens, Tai - Chi-Chu’an, Ai - Ki- Do, somadas à utilização da medicina alternativa – homeopatia, acunpuntura, fitoterapia, Medicina Chinesa, Yuvérdica -. Múltiplas práxis que pesquisei de modo teórico, metodológico, empírico e prático, significa que não apenas estudei mas pratiquei e pratico, uso - as no meu organismo e parte delas trabalho teoricamente nos meus cursos de modo mais ou menos intermitente nestes anos todos, significa desde início dos anos 1980. Conjunto de conhecimento que quase sempre procurei testar, sempre que possível em convivência pessoal, com os sábios de nosso tempo, pessoas que pude ter acesso, nas culturas que pude vivenciar, significa na busca de felicidade em que sempre consistiu a minha vida. Além disso houve/ há sempre minha procura de integrar esses conhecimentos à outros de economia, sociologia, ecologia, política, História, entre outros e sobretudo prática [12]profissional de minha vida á minha práxis. [13]
Literatura.
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[1] Fazer ciência em acordo com o paradigma dominante é seguir as práxis dos pais da ciência moderna: René Descartes e Isaac Newton. Consiste em fazer análise, significa seguir o Reducionismo típico, a práxis mais comum da ciência moderna. A crença em que todos os aspectos dos fenômenos complexos podem ser compreendidos se reduzidos às suas partes constituintes. A partir de então se emprega a análise. O que consiste em decompor um pensamento ou um problema estudado em suas partes componentes, dispo - las em ordem lógica, estudar as partes principais e daí tirar conclusões generalizando-as para o todo. É o “moderno” pensamento científico; é na verdade o próprio método científico. A excessiva ênfase dada à análise por nossas ciências conduziu à fragmentação característica do nosso pensamento em geral e das nossas disciplinas acadêmicas. Capra (1982,55) . Ler capítulo II de Capra (1982).
Análise. S. f. 1. Ato ou efeito de analisar. 2. Decomposição de um todo em suas partes constituintes: 3. Exame de cada parte de um todo, tendo em vista conhecer sua natureza, suas proporções, suas funções, suas relações, etc.: 4. P. ext. O resultado da análise (1 a 3): 5. Estudo pormenorizado; exame, crítica: 6. Filos. Determinação dos elementos que se organizam em uma totalidade, dada ou a construir, material ou ideal. [Cf. análise cartesiana.] .
Análise cartesiana. Filos. 1. Regra de método que consiste em dividir cada problema em quantas partes seja necessário para melhor resolvê-lo. [Cf. análise (6).]. A. Elet.
[2] Até o final do texto, onde houver a palavra câncer, eu Saulo, acrescento doença entre parêntesis, já que o meu objetivo ao trazer esse conhecimento é apresentar um modelo geral de como se adoece e como se cura, que penso, ajo, sinto será útil para compreender a saúde/ doença. Esse modelo, como expresso, tem uma estrutura conceitual e terapia que são compatíveis com as concepções de doença e saúde em geral , cuja tratamento tem uma concepção holística.
[3] O se realiza hoje. Este texto é de 1982. Nota minha.
[4] Os negritos e sublinhamentos de toda essa citação sintética, não literal, foram adicionados por mim. O objetivo aqui é enfatizar aspectos que acho mais relevantes, sempre procurando dar mais consciência – já que de algum modo intuitivo às pessoas percebem sua responsabilidade nesse processo de produção de doença realizado em contextos familiares - a todos nós - de como se produz saúde e doença para, desse modo podermos contribuir na produção do processo de restabelecimento. O que inclui em contribuir para melhorar o paradigma de compreensão e vivencia de familiares mais próximos envolvidos na vida da pessoa que esta enferma.
[5] O que no meu caso é uma decorrência da minha consciência desses processos. Daí porque meu interesse em passar esse conhecimento e essas informações para amigos e familiares. Para que o conhecimento ajude a dar a crença na eficácia dos tratamentos Holísticos da saúde.
[6] No caso, a química natural do organismo para curar a enfermidade. Lembrem de Daniel Goleman :
“Era uma tarde de agosto insuportavelmente sufocante, na cidade de Nova Iorque, um daqueles dias calorentos, que deixam as pessoas mal-humoradas e desconfortáveis. Eu voltava para um hotel, e, ao entrar num ônibus na avenida Madison, fiquei surpreso com o motorista, um negro de meia-idade e largo sorriso, que me acolheu com um amistoso "Oi! Como vai?" saudação feita a todos os outros que entraram no ônibus, enquanto serpenteávamos pelo denso tráfico do centro da cidade. Cada passageiro se surpreendia tanto quanto eu, mas, presos ao péssimo clima do dia, poucos Ihe retribuíam o cumprimento.
À medida que o ônibus se arrastava pelo quadriculado traçado da cidade, porém, foi-se dando uma lenta, ou melhor, uma mágica transformação. O motorista monologava continuamente para nós um animado comentário sobre o cenário que passava à nossa volta: havia uma liquidação sensacional naquela loja, uma exposição maravilhosa naquele museu, já souberam do novo filme que acabou de estrear naquele cinema logo mais adiante na quadra? O prazer dele com a riqueza de possibilidades que a cidade oferecia era contagiante. Quando as pessoas desciam do ônibus, já se haviam livrado da concha de mau humor com que tinham entrado, e, quando o motorista Ihes dirigia um sonoro "Até logo, tenha um ótimo dia!", todas Ihe davam uma resposta sorridente.
A lembrança desse encontro me acompanha há quase vinte anos. Quando viajei naquele ônibus da avenida Madison, acabara de concluir meu doutorado em psicologia mas pouca atenção se dedicava na psicologia da época a exatamente como podia se dar uma tal transforrnação A ciência psicológica pouco ou nada conhecia dos mecanismos da emocão E, no entanto, ao imaginar a propagação do vírus de bem-estar que deve ter-se alastrado pela cidade começando pelos passageiros de seu ônibus, vi que aquele motorista era uma espécie de pacificador urbano, uma espécie de feiticeiro, em seu poder de transmutar a soturna irritabilidade que fervilhava nos passageiros, amolecer e abrir um pouco seus corações.
[7] No caso, o processo tem componentes físicos, mas esse processo vai gerar mais uma química ( sobretudo as endorfinas ) que atuará levantando a depressão. Ver por exemplo o livro : Com a Cabeça Cheia de Amor .
[8] Como decorrência desse conhecimento vem sempre minha ênfase em que quem esta enfermo realize programas regulares de esportes suaves: caminhadas, natação, yoga, o que for possível.
[9] As melhores técnicas e métodos para relaxamento são a yoga e a meditação. Sempre converso, dou livros e centivo a que pessoas enfermas pratiquem esse conhecimento milenar . Inclusive a yoga e a meditação ( essa uma forma de yoga ) é muito mais potente numa perspectiva de impactos psicossomáticos do que as ginásticas e esportes ocidentais. Um livro significativo sobre meditação é o do Daniel Goleman – A Arte da Meditação. O Goleman é mais conhecido por seu livro: A Inteligência Emocional. Na verdade antes desse livro ele fez mestrado e doutorado e teve uma longa experiência em meditação, doze anos, que lhe permitiram aclarar a mente e então produziu a Inteligência Emocional.
[10] Não conheço esses processos de biofeedback.
[11] Relaxamento e visualização que podem ser conseguidos também sobretudo com a Meditação e o Yoga.
[12] Prática é a tomada de posição explícita, de conteúdo político diante da realidade”. Demo, (1987,26) e Pesquisa prática é aquela que se realiza por meio de ações no mundo social através do teste prático de possíveis idéias ou posições teóricas.
[13] Práxis . União da teoria com a prática.
No marxismo significa a ação objetiva que, superando e concretizando a crítica social meramente teórica, permite ao ser humano construir a si mesmo e o seu mundo, de forma livre e autônoma, nos âmbitos cultural, político e econômico; 2 ação de aplicar, usar, exercitar uma teoria, arte, ciência ou ofício; 4 parte do conhecimento voltada para as relações sociais e as reflexões políticas, econômicas e morais; Etimologia gr. prâksis,eós 'ação, o fato de agir, execução, realização; empresa, condução de um caso (de guerra, de política); comércio, negócio; intriga; maneira de agir, conduta, maneira de ser; resultado de uma ação, conseqüência'; ver prax(i)- ; Sinônimos prática; ver sinonímia de ação. Antônimos ver antonímia de ação ■ substantivo feminino . Rubrica: filosofia. no aristotelismo, conjunto de atividades humanas autotélicas, cuja manifestação mais representativa é a política, e caracterizadas esp. por sua natureza concreta, em oposição à reflexão teórica; 1.2 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: filosofia. Houaiss: http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=pr%E1x%EDs&x=5&y=5&stype=k (26/09/07).
AUTOPRODUçÃO da Felicidade
Saulo Xavier
Saulo Xavier
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ORKUT : Saulo Xavier em João Pessoa .
De onde vêm nossos problemas ? -
Nesse texto, tirado de meus livros, pretendo contribuir, apresentando elementos para reflexão Sobre a Felicidade
Podes até pensar, sentir que esses escritos nada, têm a ver com o cotidiano das pessoas, com teus momentos, agora.
Mas, creio que se refletires nas conseqüências últimas do que escrevo, conseguirás encontrar alguma contribuição para tua reflexão.
Para mim as pessoas e os seres nascem para serem serem felizes, para se realizarem naquilo que eles são.
E por que há tanto dificuldade para vivermos o que somos: parte da natureza cujo objetivo e função consiste em manter e desenvolver a vida
É claro que há características individuais e contextos mais particulares locais, no entanto, penso, sinto e ajo considerando que:
“é o antagonismo de objetivos entre as necessidades dos seres humanos e da natureza de um lado, e os objetivos da acumulação de dinheiro que molda os estilos e modos de vida do mundo atual, de outro, que é em essência a origem principal de nossos problemas locais e globais, que atingem nossas vidas cotidianas.
De acordo com Batista (2007a, 19) o desenvolvimento do antagonismo de objetivos entre as necessidades dos seres humanos e da natureza de um lado, e dos objetivos da acumulação da economia global que molda o mundo atual, de outro, chegam no mundo contemporâneo a um ponto tal que relatórios de pesquisa de âmbito planetário como os da ONU em seu Panorama General, PMAM (2000) in www.unep.org/geo2000) do Worldwatch Institut, em Estado do Mundo (De 1984 a 2001) in "http://www.wwiuma.org" www.wwiuma.org), do pioneiro “Os limites do Crescimento” in Meadows (1972) entre múltiplos outros, têm apontado um conjunto de evidências de que as sociedades capitalistas de nosso tempo dirigem-se de modo “inexorável para grandes calamidades sociais e ecológicas, caso as lideranças não consigam reorientar as ações que em síntese criam e influenciam poderosamente os modos e estilos de vidas sociais no planeta. Crises sociais recorrentes têm assolado principalmente as regiões menos industrializadas, enquanto de outro lado, desastres ecológicos têm tomado lugar crescentemente nas regiões mais industrializadas da terra. Mesmo que esses problemas ocorram de modo mais localizado, restritos a países ou à macro regiões específicos, no entanto, em um mundo interligado cada vez mais por circuitos globais de comércio, inclusive em rede, em que as trocas de bens e serviços entre países e entre macrorregiões têm crescido com a atuação da economia global - reestruturações globais das economias -, logo as repercussões se difundem e são crescentemente sentidas em todo o planeta.
De um lado, as crises sociais mais significativas que nós vivemos hoje são decorrentes dos problemas de desemprego, mas também de escassez meios de sobrevivência básicos como a terra e, portanto de renda o que resulta em conseqüência falta/ inadequação de alimentação, de habitação, de cuidados com a saúde, de transportes, de educação e de lazer para o conjunto de pessoas que habita o planeta, quase 07 bilhões de seres humanos atualmente. Estados de escassez e inadequação que são, em grande parte criados artificialmente dentro da economia, hoje global pelo seu impulso e pela sua dinâmica em direção à acumulação econômica e ao poderia militar: ao crescimento ilimitado e ao consumismo irracional. Batista (2007, p. 23).
De outro lado, do lado mais industrializado da terra os desastres ecológicos mais significativos são as mudanças climáticas*, (ou efeito estufa), a escassez da água potável*, o desmatamento e desertificação, a contaminação de água potável *, a gestão pública ineficiente, a perda da diversidade biológica, o crescimento e movimentos de população, a mudança de valores sociais, a eliminação de lixo e a contaminação do ar que respiramos. Destes problemas ecológicos os mais apontados pelos cientistas, técnicos e experts reunidos pela ONU foram a mudança climática 51%, a escassez 29% e contaminação de água potável 28 % , sendo que a maior preocupação imediata são os dois últimos, ONU in Panorama General : www.unep.org/geo2000. Batista (2007a, p. 25)
Para Batista (2007a, p. 26) em um ambiente global de inter-relações das crises em que aos nossos problemas sociais somam-se às nossas questões ecológicas num mundo interligado, resultam/ relacionam-se outros problemas: a criminalidade, onde seus mais evidentes problemas são o narcotráfico, o terrorismo, a prostituição, criminalidade associada com a loucura, as drogas, os preconceitos raciais, étnicos, religiosos, o fanatismo religioso, gestando ao final permanentes e crescentes angústia, insatisfação e frustração, sociais.
A ONU fundamentada nos relatórios de suas agencias, no trabalho de 850 pesquisadores, experts e mais de 30 institutos ambientais concluiu, em seu Global Environment Outlook 2000 (p. XXIX) in http://www.unep.org/geo2000 , que,
“o atual curso ’(do desenvolvimento industrial)’ é insustentável, e postergar ações não constitui nenhuma solução válida a médio e longo prazos”.
Tal ambiente permitiu que Fritjof CAPRA (2002, p. 267), Ciência Para Uma Vida Sustentável uma ampla pesquisa de doze anos em que foi assessorado por alguns prêmios Nóbeis, tenha expressado uma síntese de nosso tempo.
"No decorrer deste novo século, dois fenômenos específicos terão um efeito decisivo sobre o futuro da Humanidade. Ambos se desenvolvem em rede e ambos estão ligados a uma tecnologia radicalmente nova. O primeiro é a ascensão do capitalismo global, composto de redes de eletrônicas de fluxos de finanças e de informação; o outro é a criação de comunidades sustentáveis baseados na alfabetização ecológica e na prática * do projeto ecológico, compostas de redes ecológicas de fluxos de energia e de matéria. A meta da economia global é a de elevar ao máximo a riqueza e o poder de suas elites; A do projeto ecológico, é a de elevar a sustentabilidade da teia da vida.
Atualmente, esses dois fenômenos estão em rota de colisão: ao passo que cada um dos elementos de um sistema vivo contribui para a sustentabilidade do todo, o capitalismo global baseia-se no princípio de que ganhar dinheiro deve ter precedência sobre todos os outros valores. Em razão disso, são criados grandes exércitos de excluídos e gera-se um ambiente econômico, social e cultural que não apóia a vida mas a degrada, tanto no sentido social quanto no sentido ecológico. O grande desafio que se apresenta no século XXI é o de promover a mudança do sistema de valores que atualmente determina a economia global e chegar-se a um sistema compatível com as exigências da dignidade humana e da sustentabilidade ecológica."
As origens mais profundas de nossos problemas sociais e ecológicos globais estão em nosso sistema econômico. O princípio de que ganhar dinheiro a qualquer custo é e deve ser mais importante do que os seres humanos, a natureza, a democracia e quaisquer outros valores. Capra (2002).
De modo prático, o grande desafio do novo século é a criação de comunidades sustentáveis, comunidades organizadas de tal modo que suas tecnologias e instituições sociais – suas estruturas materiais e sociais – não prejudiquem a capacidade intrínseca da natureza – humana e não humana - de sustentar a vida.
A REAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL GLOBAL
Contra essa práxis* dominante surge um reação global: À nível global, surge uma consciência ainda incipiente da necessidade de:
“1) Uma legislação ambiental mais rigorosa;
2) Uma atividade empresarial mais ética; e
3) Uma tecnologia mais eficiente.” Capra (2002, 221).
4) E, para Batista (2007 b), sobretudo uma volta parcial à natureza.
Tudo isso é necessário mas não suficiente. Precisamos de uma mudança sistêmica mais profunda.
“Essa mudança sistêmica já esta ocorrendo. Acadêmicos, líderes comunitários e ativistas no mundo inteiro já estão formando coalizões eficientes e levantando a voz não apenas para exigir que viremos o jogo, mas também para propor maneiras concretas de realizar isso.” Capra (2002, p. 221).
Visando a criação de comunidades sustentáveis e o Desenvolvimento Sustentável, significa em resposta aos enormes problemas sociais e ao desafio ecológico que constituem o macro-ambiente da sociedade global, as necessidades da vida social e ecológica globais produziram conjuntamente uma Nova Sociedade Civil, agora também Global. Essa reação se concretiza e se corporifica na Emergência de suas instituições: em ONGs, Associações, Institutos, Fundações, etc., nas práxis* de Desenvolvimento Sustentável, nos Programas de Responsabilidade Sócio-Ambiental e nos Recursos de Doações para soluções de problemas sociais e ecológicos.
Uma nova espécie de sociedade civil, organizada em torno da redefinição da globalização, da criação de comunidades sustentáveis, da promoção do desenvolvimento sustentável esta sutilmente surgindo. Ela não se define em função de um Estado particular, mas é global em seu âmbito, em sua organização e em sua atuação. Incorpora-se em poderosas ONGs internacionais – Como a OXFAM, o Greenpeace, o Rainforest Action Network, a CARITAS, a Conservação Internacional – e em coalizões de centenas de organizações menores, todas as quais se tornaram socialmente ativas neste novo ambiente político.
“Como salientam os cientistas políticos Craig Warkentin e Karen Mingst, a nova sociedade civil caracteriza-se por uma mudança do foco de atenção, que passa das instituições formais para s relações sociais e políticas entre as entidades socialmente ativas” in Capra (2002, 228). A Nova Sociedade Civil Global estruturada em relações globais é articulada em redes: De um lado, emergem as organizações populares locais (ou seja redes humanas vivas), de outro, os participantes dessas redes humanas são experts em e fazem uso hábil das novas tecnologias globais de comunicação (significa, as redes eletrônicas). A internet, em específico, tornou-se o mais importante instrumento político das ONGs. Criando esse elo inédito entre as redes humanas e as redes eletrônicas, a sociedade global esta mudando a paisagem da realidade política.“ Capra (2002, 229).
E,
Essa resistência sócio-ecológica e política da sociedade civil global, constituída de comunidades globais e locais de estudiosos, experts e ativistas pode ser dividida em três conjuntos, focos das maiores e mais ativas coligações de movimentos populares. Três grupos de práticas, conceitualmente e na práxis interligados: O primeiro é o desafio de remodelar as instituições e as regras da globalização; O segundo é a oposição aos alimentos transgênicos e a promoção da agricultura sustentável; E o terceiro é o projeto ecológico (ecodesign) - um esforço conjunto de redifinição das nossas estruturas físicas, cidades, tecnologias e indústrias de modo a torná-las ecologicamente sustentáveis. Capra (2002, 231).
A sustentabilidade ecológica é um elemento essencial dos valores básicos que fundamentam a resistência para a mudança visando humanizar a globalização. Por isso várias ONGs, institutos de pesquisa e centros de ensino pertencentes à nova sociedade civil global escolheram a sustentabilidade como as práxis específicas de seus esforços. Com efeito, a criação de comunidades sustentáveis é o maior desafio dos nossos tempos. Capra (2002, 237).
É dentro desse amplo movimento de resistência global que se inserem os Recursos da Solidariedade. Esses recursos são constituídos de doações para soluções de problemas sociais e ecológicos, um fato que em si não é novo na cena global. O que é novo relativamente à esses recursos é a sua magnitude. De acordo com Lester Salamon do Center for Civil Society Studies, da Johns Hopkins University, têm sido doados aproximadamente 2 bilhões e 300 milhões de reais, anualmente no mundo para soluções de problemas Sociais e Ecológicos. Essas são conclusões do Projeto Comparativo do Setor sem Fins Lucrativos (Comparative Nonprofit Sector Project), pesquisa realizada nos 35 países mais industrializados incluindo o Brasil – com dados do ano de 1995 - e que buscou conhecer qual a importância das organizações civis sem fins lucrativos na sociedade. Além disso, a Sociedade Civil tem enorme potencial de geração de Emprego. Salamon apresentou dados quanto ao número de trabalhadores empregados nesse setor. Segundo o estudo, 39,5 milhões de pessoas atuavam em organizações sem fins lucrativos, o que equivalia a 3,6% da população economicamente ativa dos países pesquisados. Nos Estados Unidos, por exemplo, 8,8% da população economicamente ativa estava na Sociedade Civil, na Holanda, o volume chega a 10%. Na América Latina, que vem observando o crescimento de sua atuação a partir do início da década de 90, o índice é inferior. No Brasil, apenas 1,4% da população economicamente ativa estava nas instituições da Sociedade Civil. A Colômbia tem 2%, o Peru 1,8% e o México 0,3%. Dos países pesquisados, a Argentina é o que possui a melhor marca, com 3,6%. A comparação com outras áreas da economia mostra a força da Sociedade Civil como mercado de trabalho. Ao analisar os mesmos 35 países, Salamon observou que a indústria têxtil emprega 4 milhões pessoas, o ramo alimentício, 8 milhões, e o setor de transportes, 33 milhões. In Seminário Internacional Perspectivas para o Terceiro Setor no Século XXI, Senac / São Paulo. 27-29/ Set/2002. / GIFE – Grupo de Institutos Fundações e Empresas / Investimento Social Privado , (www.gife.org.br em 12/10/02).
As duas mais recentes pesquisas sobre a dimensão e perfil das instituições da Sociedade Civil no Brasil, apesar de diferenças estatísticas, evidenciam o crescimento do número de organizações do setor sem fins lucrativos. A FASFIL – As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil – de autoria do IBGE, IPEA, GIFE e Abong, mostra um crescimento de 157%, passando de 107 mil, em 1995, para 276 mil, em 2002. Dessas 276 mil, 171 mil (62%) foram criadas a partir de 1990. O estudo identificou a existência de mais de 500 mil organizações sem fins lucrativos registradas no Cempre – Cadastro Central de Empresas do IBGE. Dessas, descartou organizações a serviço de interesses corporativos, a exemplo de sindicatos, condomínios, partidos políticos, cartórios e clubes, entre outros. Já dados divulgados no início de 2006 por um estudo do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV) em parceria com The Johns Hopkins Center for Civil Society Studies, instituição norte-americana que estuda as organizações sem fins lucrativos no mundo, revelam um crescimento de 71% do setor sem fins lucrativos no Brasil em sete anos (de 1995 a 2002), passado de 190 mil para 326 mil. Até então a única referência estatística sobre a dimensão do terceiro setor no Brasil era a Pesquisa Global Civil Society – Dimensions of the Nonprofit Sector, de Leilah Landim, em parceria com The Jonhs Hopkins Comparative Nonprofit Sector Project, de 1999, com dados a respeito de 1995. Esta pesquisa apontava 220 mil organizações sem fins lucrativos no Brasil em 1995. Importância econômica. Empregos gerados A Fasfil revela que as 276 mil organizações em fins lucrativos empregam 1,5 milhão de assalariados, o que corresponde a 5,5% dos empregados de todas as organizações formalmente registradas no País. A média de remuneração dos trabalhadores nas organizações sem fins lucrativos era de 4,5 salários mínimos mensais, ligeiramente superior à média dos assalariados das empresas em geral (públicas, privadas lucrativas e não-lucrativas), que era de 4,3 salários por mês. PIB. O estudo do UNV, em parceria com The Johns Hopkins Center for Civil Society Studies, mostra que o setor representa hoje 5% do PIB nacional, uma participação superior a de setores expressivos da economia brasileira, como a indústria de extração mineral (petróleo, minério de ferro, gás natural, carvão, entre outros), e maior que a de 22 Estados brasileiros (só fica atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná). A pesquisa do Johns Hopkins Center for Civil Society Studies, de 1995, apontava que o setor sem fins lucrativos havia movimentado naquele ano R$ 10,6 bi, equivalente a 1,5% do PIB registrado no período. Fontes: Estudo do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), 2006; FASFIL - As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil – 2005; Pesquisa Global Civil Society – Dimensions of the Nonprofit Sector. Leilah Landim, The Jonhs Hopkins Comparative Nonprofit Sector Project, 1999. In GIFE (http://www.gife.org.br/numerosdados.php , 14/09/07).
Os recursos de doações para soluções de problemas sociais e ecológicos constituem um fato histórico significativo no mundo atual, principalmente em algumas sociedades como a Norte-Americana e nas nações mais industrializadas em geral. A nova forma de atuação política das instituições da Nova Sociedade Civil, que é tanto local quanto Global se viabiliza e realiza com esses recursos de doações: de Cidadãos, de Fundações e Institutos, de Igrejas e Empresas, através de seus Institutos e Fundações de Responsabilidade Sócio-Ambiental (os três últimos atores, nacionais ou transnacionais), dos Governos (Recursos Públicos) sejam eles nacionais ou "governos transnacionais" (recursos da UE, ASEAN, ALCA, MERCOSUL,…), dos Eventos Especiais, dos Projetos de Geração de Renda, dos Prêmios e da Captação de recursos pela Internet, entre outros que conjuntamente fazem parte de um amplo espectro de ações da Nova Sociedade Civil Global. Eles viabilizam globalmente e localmente as ações de milhões de grupos e instituições de ativistas e experts, que atuam desempenhando funções anteriormente realizadas pelo Estado do Bem Estar e ajudam à solucionar parcialmente nossos problemas sociais e ecológicos. Essas práxis constituem uma realidade * contemporânea e uma das tendências de melhor e maior significado econômico, social, ecológico e, portanto político no ambiente global das relações entre os povos nas últimas décadas. Elas são tendências de evoluções das sociedades globais contemporâneas que estão emergindo poderosamente e, que os analistas desses significativos fenômeno tais como Manuel CASTELS – In The Information Age / A Era da Informação -, Fritjof CAPRA – In As Conexões Ocultas – Ciência para uma Vida Sustentável -; Robert Kurz - In Os últimos Combates - Jeremy Rifkin – In O Fim dos Empregos - Lester SALAMON. The Emerging Sector e Hazel Henderson in Construindo um Mundo Onde Todos Ganhem, têm evidenciado fazem parte de nossas vidas, tenhamos consciências deles ou não e, continuarão atuantes e em plena expansão nelas nas próximas décadas gestando conjuntamente o "Nosso Futuro Comum”. Batista (2007a, 56).
Síntese conclusiva.
“Num ambiente Histórico, foi um conjunto complexo e amplo de mudanças que em parte aparecem, como a reestruturação das economias e sociedades – globalização - e com a onda Neoliberal no anos pós 70/90, mudanças que resultam em uma nova base técnica econômica e material: em novas tecnologias e, em mudanças econômicas, sociais, políticas e ecológicas. Essa reestruturação produtiva melhorou as condições de vida de pequenos grupos específicos da sociedade global: gerou mudanças sociais - resultando em novos estilos de vida-, ampliando a liberdade grupos humanos específicos, trazendo facilidades e confortos inimagináveis e incomensuráveis para parte dos humanos neste início de vida pós-moderna dominada pelo capitalismo global. Essa reestruturação tem trazido também mudanças políticas: de um lado, os grandes blocos de comércio que estão emergindo como organismos supra/ transnacionais de poder e governo tais como a UE, a ASEAN, O MERCOSUL, o NAFTA. De outro, porém do seu lado mais negativo, resultou no declínio do Estado Nacional: da sua soberania, autoridade e legitimidade e, portanto, da diminuição das obrigações até então exclusivas dele. Mudanças, que em parte reforçam os grandes objetivos de acumulação econômica e de poderio militar típicos do capitalismo global e, que em síntese criam um novo paradigma ou visão do mundo, uma “nova ideologia”. In Batista (2007a, 58)
O desenvolvimento do antagonismo de objetivos entre as necessidades dos seres humanos e da natureza de um lado, e os objetivos da acumulação capitalista que molda os estilos e modos de vida do mundo atual, de outro, é em essência a origem principal de nossos problemas locais e globais. Significa que esse é em essência * o antagonismo e o contexto que gera e desenvolve as crises na economia global. Em razão dessas crises são gestadas e desenvolvidas contemporaneamente, cada vez mais crescentes necessidades de terapias pedagógicas, médicas e administrativas. Pode-se compreender desse modo porque as indústrias pedagógicas, médicas e administrativas (aqui incluída a indústria da ecologia/ Meio Ambiente) são as maiores indústrias do mundo atual. Essas crises ocorrem porque as origens que causam os problemas não são solucionadas, continuam atuantes gestando permanentemente novos problemas. As fontes dos problemas atuam de modo permanente e geram crises e problemas, permanentemente. Em função desse modo continuo de atuação, temos sempre mais problemas do que capacidade global da humanidade para resolvê-los.
Significa enfim que o antagonismo de objetivos referido cria mais problemas do que a nossa capacidade global de humanos de resolvê-los. Em conseqüência, só temos soluções parciais de nossos problemas. Soluções parciais para grupos restritos e, não permanentes em regiões e locais restritos do planeta. Por exemplo, soluções para uma cidade mais organizada, para um bairro, para uma empresa ou conjunto de empresas, para uma instituição ou grupo de instituições da Sociedade Civil, para uma comunidade, etc. As soluções mais significativas e parcialmente completas são para os grupos humanos que se organizam e lutam com conhecimento, informação e sentimento para conseguir sobreviver, viver melhor, com um pouco mais de qualidade de vida. Como na nossa sociedade global não se têm realizado soluções para todos os seres vivos, humanos ou não, uma parte dos seres vivos sem as pré-condições e forças para resistir é esmagada, sucumbe, morre motivada, sobretudo pela crise de conflitos de objetivos antagônicos entre a acumulação capitalista, de um lado, e os objetivos dos seres vivos, de outro. Essa é a realidade de luta/ existência de um tipo de sociedade que é a mais evoluída que talvez já engendramos, mas que ainda assim não tem oportunidade de vida para todos.
No nosso conturbado mundo contemporâneo, a solução parcial de problemas tais como o desemprego, de educação, saúde, habitação, transportes, em resumo a solução de problemas sociais e ambientais em geral tem passado como foi historicamente no século XX, pela atuação do Estado do Bem Estar. No entanto, além dos grandes blocos de comércio que estão emergindo como organismos supranacionais de poder e governo há, como analisado novos e significativos atores no ambiente global: A Nova Sociedade Civil Global, a atuação de suas instituições: ONGs, Associações, Institutos, Fundações, as práxis de Desenvolvimento Sustentável, os Programas de Responsabilidade Sócio-Ambiental e os Recursos de Doações para soluções de problemas sociais e ecológicos. Porque as soluções são parciais não há, portanto solução para todos os problemas, nem para todos os grupos humanos e da natureza. Os grupos mais conscientes, informados e sensíveis percebendo esse fato se organizam para criarem ordem, alguma segurança em seu redor. Daí nosso projeto que busca ampliar um tipo de contribuição envolvendo a Responsabilidade Sócio-Ambiental inclusive das empresas em nossa região.
“As ações da Nova Sociedade Civil Global e local e dos participantes dos movimentos sociais e ecológicos visando a sustentabilidade ecológica - humanizar a atuação da economia global - são tendências e pressões em processo que se difundem em escala planetária no ambiente global de negócios e das inter-relações entre os povos, no Estado e nas próprias instituições da Sociedade Civil. São reações em cadeias gerando novos processos, recriando e exacerbando o lado positivo das inter-relações de competição entre empresas, pressionando-as para que estas ajustem suas estratégias, suas decisões nesse novo ambiente organizacional/ empresarial, pressionado o Estado e as instituições da Sociedade Civil. As empresas/ as organizações do Estado, as instituições da Sociedade Civil vão percebendo/ tomando consciência das novas tendências do ambiente de negócios, dos novos ambientes dos movimentos sociais e ecológicos, das atuações de suas instituições, conjuntos de ações que formam opiniões, opiniões de consumidores e compras. As empresas cedem às pressões e às novas demandas dos consumidores. Essas pressões e mudanças concretizam-se, materializam-se, realizam-se dentro também das empresas e são expressas nessas organizações no Balanço Social, tanto nas atuações das empresas privadas e públicas quanto no Estado. Elas se materializam e concretizam também através de práticas de sistemas de gestão que têm sido normalizados, por exemplos nos princípios dos sistemas de gestão ISO: Qualidade: ISSO 9000; Meio Ambiente:ISO 14.000; Saúde e Segurança no Trabalho: OHSAS 18.000 e Responsabilidade Social: SA 8000. O resultado desse melliê organizacional, institucional e cultural são práxis de desenvolvimento sustentável e, para os nossos propósitos, resultam em recursos de doações globais e locais para atividades sociais e ecológicas, para grupos de seres humanos mais conscientes, informados e sensíveis poderem se contrapor à destrutividade dominante da economia global e poderem resolver problemas sociais, ecológicos e políticos de nosso povo, em nosso tempo, em nossa realidade local.” In Batista (2007a, 56).
Há variações dentro do enorme expectro de possibilidades. Cada um escolhe o que lhe convém.
As saídas alternativas às crises provenientes da economia global têm sido apontada como o Desenvolvimento Ecológico. Visando esse tipo de desenvolvimento os atores sociais – as pessoas – agem buscando o conhecimento ecológico. Esse se realiza, timidamente além de no primeiro setor – Estado - e segundo – empresas, agora em um novo momento também no terceiro – nas instituições da sociedade cicil envolvendo assim atuação nos movimentos sociais, ecológicos e espirituais/ religiosos.
Um componente significativo no momento atual realiza-se na vida rural, nas Vilas Ecológicas através de um retorno parcial à natureza com uma menor necessidade de acumulação econômica e mais conhecimento ecológico.
A ações dos atores nos movimentos sociais, ecológicos e espirituais/ religiosos, poderá conduzir a uma continuidade da aventura humana, embora sempre conflitante na sociedade global. As experiências das minorias criativas, concretização de universos relativamente autônomos aos modos de viver dominantes, como as ecovilas seguem sua trajetória histórica: Procurando, realizando outros modos de desenvolvimento e, o mais significativo aparecem como experienciando uma vida de melhor qualidade:
“Eles vivem melhor”
Veja as imagens no Blog http://ecovila.felicidade.zip.net elas são expressivas
Por que instalar a Ecovila Felizcidade ?
Nós realizamos nossas necessidades de viver melhor. Construímos, hoje, aqui mais autonomia e independência distintamente da heteronomia hoje dominante, proveniente dos estilos de vida da economia global. Ao criarmos um micro universo sustentável visamos substituir nossa condição de pessoas e grupos humanos a quem o cotidiano estressante dos estilos de vida e costumes da economia global "impõe-nos" necessidades, costumes exteriores e princípios estranhos à nossa razão e sentimento de humanos; Visamos preservar e desenvolver a nossa vida e no nosso entorno micro-bioregional. Significa que nossas atividades buscam melhorias não só para os integrantes da Ecovila, mas igualmente para a nossa cincunvizinhança micro-bioregional. Concebemos e planejamos além, disso - através de treinamentos, tratamentos, cursos, vivências e eventos - proporcionar à pessoas não integrantes da Ecovila - que não se adaptando a destrutividade dos estilos de vida provenientes da economia global, que brutalizam, automatizam, irracionalizam e insensibilizam os seres humanos e provocam o Biocidio - queiram partilhar, mesmo que parcialmente conosco, as práxis das necessidades essencias da vida nas áreas de: alimentação, vestuário, saúde, habitação, educação, transporte, lazer de nosso estilo de vida. Nossa práxis como atores sociais, ecológicos e políticos criando uma Vila Ecológica objetiva, portanto viver com melhor qualidade de vida e contribuir para desenvolver a vida - Desenvolvimento Sustentável - à nível local na Paraíba, e secundariamente ao considerar às realidades de um "mundo global", atuar de modo mais tópico num âmbito mais amplo, sobretudo no Nordeste e na Amazônia brasileiros
Metodologia - Como Realizar a Sustentabilidade -
É uma combinação de práxis sociais, ecológicas e culturais que restaura a natureza, gera emprego e renda e, portanto produz um mini-universo social e ecológico sustentável. A estratégia essencial, nossa metodologia de trabalho é guiada por alguns princípios que orientam a nossa práxis estratégica para atingir nossos objetivos e metas que consistem: 1) em considerarmos a sabedoria acumulada históricamente pelo povo nas áreas de nossas atuações rurais e, desenvolvê-la através de múltiplos conhecimentos, resumidos de acordo com: 2) os princípios da ecologia : Redes, Ciclos, Energia Solar, Alianças (Parcerias), Diversidade, Equilíbrio dinâmico. Esses são concretizados através das práxis das Ecovilas em três dimensões da vida: I) Ecológico, II) Social/ Comunitário e III) Cultural. Adaptamos esse conjunto de concepções para o nosso caso das regiões rurais do Nordeste e Amazônia brasileiros, que realizamos como práxis. Primeiro, na instalação da Ecovila como um exemplo de sustentabilidade. Juntamente com essa instalação a Ecovila promove a realização de programas e projetos de Desenvolvimento Sustentável Rural, dirigidos às necessidades essenciais da vida – incluindo ensino - através da aplicação prática da Permacultura, Agroecologia, Agrofloresta, Reflorestamento com árvores frutíferas regionais, Agricultura Orgânica e ZERI (Zero Emissions Research and Initiatives). Alimentação: Vegetariana. Vestuário: Produção local de Algodão, linho, lã. Habitação: construções ecológicas – Tijolo Ecológico, ADOBE, Neo-Taipa; Saúde: Psicosomática e Preventiva, Fitoterápica, Homepática, Acunpuntura; Educação: Sobretudo prática, integral, política, social, ecológica. Transportes: grupal, em automóveis movidos à bio-combustíveis extraídos de plantas produzidos na ecovila, de bicicleta, e naturalmente à pé; Energia: Solar, Eólica, micro-energia; Lazer: Cultural- Música, Dança, Teatro. E, de outro lado, do lado comunitário/ social o relacionamento humano fundamentado na cooperação entre os seus participantes e a vizinhança micro-regional como base da vida grupal e social; na utilização grupal/ social de parte da propriedade; na práxis da visão de que a escassez em nossa existência não é econômica e sim existencial: escassez de paz de espírito, de tranqüilidade, de lazer criativo; E da necessidade, hoje bem mais tecnológicamente realizável, de uma “volta” parcial à natureza; Da atividade física e mental para todos os integrantes da Ecovila.
Essa metodologia de trabalho desenvolvendo-se através de atividades em múltiplas, distintas e complementares linhas de ações, tem como principais as seguintes: I) Elaboração do Política Estratégica de Instalação da ECOVILA Felizcidade – já realizado -; II) A Elaboração do Política Estratégica de Captação de Recursos desse empreendimento- Em realização -. Esse é composto de múltiplos projetos. Programa que na Fase inicial compreende a elaboração de um primeiro conjunto de projetos de captação de recursos visando: 1) A compra de um terreno rual; 2) A Construção da Casa-mãe, as primeiras etapas de plantações e o nosso Centro de Treinamento; 3) Elaboração de projetos de extensão, de educação e pesquisa para promocão do Desenvolvimento Sustentável Rural. Posteriormente, num tempo mais mediato; 4) Um PROGRAMA mais amplo de Composição/ qualificação de equipes visando: 4) A ampliação dos programas de educação da ECOVILA, em cursos breves: profissionalizantes –aplicados (de carácter práticos)-, máximo de 160 horas dirigido sobretudo à vizinhança micro-bioregional.
A Ecovila Felicidade
Este blog é um centro de comunicação e ligação de pessoas com interesses em criar e viver estilos de vida ecológicos, comunitários, sociais, sustentáveis, com qualidade. Pensamos, sentimos e agimos considerando que uma vida alegre e feliz se realiza com sentimento e conhecimento, o que exige manter e desenvolver não só nossa vida grupal e comunitária mas também agir e refletir com nossa circunvizinhança micro-bioregional e, mais além. Se de um lado, socialmente pensamos, sentimos e agimos considerando os "Ares do mundo" de um momento global, atual de enormes desafios e oportunidades, de outro, localmente nossa construção grupal, comunitária age realizando a maravilhosa sugestão de Gandi:
"Seja você a mudança que espera ver no mundo."
A Ecovila Felicidade é no momento uma Polis em construção de nossa comum/unidade. Resultado de empreendimentos originalmente realizados pelo professor, pesquisador e economista Saulo Xavier a partir de 1989 ao profundar suas pesquisas anteriores, procurando compreender nosso momento global: o processo global de restruturação de nossas economias e sociedades – globalização - que plasma em grande parte as direções de "Nosso Futuro Comum", suas conseqüências para o trabalho no Brasil, estudos limitados posteriormente às regiões rurais do Nordeste e Amazônia e que objetivavam orientar a sua práxis como ator de movimentos sociais, ecológicos e políticos. Como resultado práxico de seus estudos e pesquisas e em função de distintos motivos ecológicos, sociais, econômicos e, portanto políticos foi que resolveu criar e instalar uma Vila Ecológica, uma instituição da Nova Sociedade Civil Global, com sede planejada numa área rural do litoral norte da Paraíba e atuações, principalmente nas áreas micro-bioregionais da Ecovila, e mais ampla, sobretudo no Nordeste e Amazônia brasileiros. Posteriormente à elaboração de um Política Estratégica para a instalação da Ecovila Felizcidade, realizada no período 2004/ 2005 como pesquisador visitante da Universidade Livre de Berlim - já parcialmente concluída -, as atividades atuais da Ecovila consistem, de um lado, na concepção/ planejamento/ execução/ realização de uma Política Estratégica de Captação de Recursos para essa instalação, e de outro, em reunir visionários: seres imbuídos, impregnados de uma busca radical de Felicidade para nosso empreendimento/ nossa utopia real.
Nossas realizações de uma vida melhor .
ANEXO I - Glossário -
- Para não teres trabalho de ir ao dicionário se precisares e desejares -
Análise. Consiste em decompor um pensamento ou um problema estudado em suas partes componentes, dispo-las em ordem lógica, estudar as partes principais e daí tirar conclusões generalizando-as para o todo. É o próprio método “moderno” de realizar ciência; A excessiva ênfase dada à análise por nossas ciências conduziu à fragmentação característica do nosso pensamento em geral e das nossas disciplinas acadêmicas. Capra (1982,55) . Ler capítulo II de Capra (1982).
S. f. 1. Ato ou efeito de analisar. 2. Decomposição de um todo em suas partes constituintes: 3. Exame de cada parte de um todo, tendo em vista conhecer sua natureza, suas proporções, suas funções, suas relações, etc.: 4. P. ext. O resultado da análise (1 a 3): 5. Estudo pormenorizado; exame, crítica: 6. Filos. Determinação dos elementos que se organizam em uma totalidade, dada ou a construir, material ou ideal. [Cf. análise cartesiana.] . Análise cartesiana. Filos. 1. Regra de método que consiste em dividir cada problema em quantas partes seja necessário para melhor resolvê-lo. [Cf. análise (6).]. A. Elet.
Aquecimento global/ Efeito estufa. O aquecimento global é resultado do lançamento excessivo de gases de efeito estufa (GEEs), sobretudo o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera. Esses gases formam uma espécie de cobertor cada dia mais espesso que torna o planeta cada vez mais quente e não permite a saída de radiação solar. Quais os efeitos do aquecimento global ? - São várias as conseqüências das mudanças climáticas. Algumas delas já podem ser sentidas em diferentes partes do planeta como o aumento da intensidade de eventos de extremos climáticos (furacões, tempestades tropicais, inundações, ondas de calor, seca ou deslizamentos de terra). Além disso, os cientistas hoje já observam o aumento do nível do mar por causa do derretimento das calotas polares e o aumento da temperatura média do planeta em 0,8º C desde a Revolução Industrial. Acima de 2º C, efeitos potencialmente catastróficos poderiam acontecer, comprometendo seriamente os esforços de desenvolvimento dos países. Em alguns casos, países inteiros poderão ser engolidos pelo aumento do nível do mar e comunidades terão que migrar devido ao aumento das regiões áridas.
O efeito estufa é um fenômeno natural para manter o planeta aquecido. Desta forma é possível a vida na Terra. O problema é que, ao lançar muitos gases de efeito estufa (GEEs) na atmosfera, o planeta se torna quente cada vez mais, podendo levar à extinção da vida na Terra. Como são lançados os gases de efeito estufa? Isso acontece de diversas maneiras. As principais são: a queima de combustíveis fósseis (como petróleo, carvão e gás natural) e o desmatamento (no Brasil, o desmatamento é o principal responsável por nossas emissões de GEEs). Há soluções para combater o aumento do efeito estufa. Existem várias maneiras de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. Diminuir o desmatamento, incentivar o uso de energias renováveis não-convencionais, eficiência energética e a reciclagem de materiais, melhorar o transporte público são algumas das possibilidades.
Os níveis de CO2. De acordo com relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática, órgão das Nações Unidas), o seqüestro do gás carbônico (CO2) - que consiste em levar o gás para outro lugar que não a atmosfera - poderia responder por pouco mais da metade do esforço necessário para impedir que ele alcance concentrações perigosas na atmosfera. Os métodos mais promissores seriam os que já estão sendo usados no Canadá, Noruega e Argélia: injetar o gás em poços cobertos por camadas de rocha.
Ao todo, as concentrações de CO2 na atmosfera aumentaram em 31% desde a Revolução Industrial. As emissões de dióxido de carbono são hoje 12 vezes maiores do que em 1900 ainda que os seres humanos queimem quantidades cada vez maiores de carvão, petróleo e gás para gerar energia. Um estudo de 1999 por Mann et ali mostra um aumento drástico na temperatura do hemisfério norte nos últimos 50 anos.
O futuro. A perspectiva mais otimista para o aumento nas emissões de dióxido de carbono é que as concentrações na atmosfera atingirão em 2100 o dobro dos níveis anteriores à Revolução Industrial. O cenário mais pessimista afirma que esse nível seria atingido já em 2045. O Terceiro Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change) mostra que as temperaturas mundiais poderiam sofrer, até o final do século, um aumento de 1,4º C a 5,8º C.
Gráficos compilados pelo Instituto Meteorológico do reino Unido e da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia para a Organização Mundial de Meteorologia, mostram que os 10 anos mais quentes do mundo desde 1856 estão localizados entre 1990 e 2000.
CO2: o principal gás de aquecimento global. O dióxido de carbono (CO2) é responsável por mais de 80% da poluição que gera o aquecimento global. Os níveis atmosféricos de CO2 hoje são maiores que em qualquer outro período nos últimos 420 mil anos. A maior parte do CO2 vem de carvão, óleo e gás. Aproximadamente 97% do CO2 emitido pelos países industrializados do ocidente vem da queima de carvão, óleo e gás usados para produzir energia. Aproximadamente 23 bilhões de toneladas de CO2 são lançados na atmosfera anualmente. São mais de 700 toneladas por segundo! O aumento da temperatura da Terra está desequilibrando seu equilíbrio natural e o clima mundial. Em ordem crescente, os anos mais quentes foram 1998, 2002 e 2003 (juntos), 2001, 1997, 1995, 1990 e 1999 (juntos), 1991e 2000 (juntos) e 2005. Quando a temperatura passou a ser comparada de dois anos em dois anos, 2002 e 2003 se tornaram os mais quentes da história. In http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/clima/mud/index.cfm
Auto-afirmação. S. f. Psicol.1. Necessidade íntima do indivíduo de impor-se à aceitação do meio; afirmação.
Autonomia. S. f. 1. Faculdade de se governar por si mesmo. 2. Liberdade ou independência moral ou intelectual. Propriedade pela qual as pessoas pretendem poder escolher os destinos de suas vidas. Adaptação pessoal do Aurélio eletrônico.
Biocódio. Termo empregado pelo UNESCO, em sua declaração dos direitos dos animais, para indicar o genocídio da Bioesfera terrestre perpetrado pelo homem. Weil ( 1987,19 ) .
Ciência. Fazer ciência em acordo com os paradigmas dominantes no capitalismo industrial é seguir as práxis dos pais da ciência moderna: René Descartes e Isaac Newton. Consiste em fazer análise, significa seguir o Reducionismo típico, a práxis mais comum da ciência moderna. A crença em que todos os aspectos dos fenômenos complexos podem ser compreendidos se reduzidos às suas partes constituintes. A partir de então se emprega a análise. O que consiste em decompor um pensamento ou um problema estudado em suas partes componentes, dispo - las em ordem lógica, estudar as partes principais e daí tirar conclusões generalizando-as para o todo. É o “moderno” pensamento científico; Em realidade esse procedimento é dominantemente o próprio método científico. A excessiva ênfase dada à análise por nossas ciências conduziu à fragmentação característica do nosso pensamento em geral e das nossas disciplinas acadêmicas. Capra (1982,55) . Capítulo II de Capra (1982).
Competição. S. f. 1. Ato ou efeito de competir. 2. Busca simultânea, por dois ou mais indivíduos, de uma vantagem, uma vitória, um prêmio, etc. 3. Luta, desafio, disputa, rivalidade. 4. Biol. Ger. Luta dos seres vivos pela sobrevivência, especialmente quando são escassos os elementos necessários à vida entre os componentes de uma comunidade;
Contaminação da água potável normalmente por metais pesados provenientes dos processos industriais . Brown, Lester R, Renner, Michael e Halweil, Brian . 2000. Sinais Vitais 2000. Worldwatch Institut / Universidade Livre da mata Atlântica – UMA Editora : Salvador Bahia.. www.worldwatch.org.br;
Cooperar. V. t. i. 1. Operar simultaneamente; trabalhar em comum; colaborar: V. int. 2. Ajudar, auxiliar; colaborar;
Desmatamento e desertificação, hoje sobretudo nos trópicos, nas florestas tropicais, o que reduz a diversidade biológica, base de apoio de nossa vida no planeta e produz CO2, significa efeito estufa; O desmatamento influencia na mudança do clima e pode provocar desertificação. Ao desmatar, muitas pessoas queimam a madeira que não tem valor comercial. O gás carbônico (CO2) contido na fumaça oriunda desse incêndio sobe para a atmosfera e se acumula a outros gases aumentando o efeito estufa. No Brasil, 75% das emissões são provenientes do desmatamento.
Dominar. V. t. d. 1. Ter autoridade ou poder sobre: 2. Exercer influência ou domínio sobre: 3. Conter; reprimir: 4. Elevar-se acima de; ser ou estar sobranceiro a: 7. Exercer domínio; ter grande influência: 8. Preponderar, prevalecer, predominar:
Ecologia – palavra proveniente do grego oikos ( “lar ”) - é o estudo do Lar Terra. Mais precisamente, é o estudo das relações que interligam todos os membros do Lar Terra.” CAPRA, Fritjof. 1996. A Teia da Vida. - Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos.- Editora Cultrix / Amana-Key : São Paulo. (P.43). Portanto, não somente as relações entre os seres humanos, mas as inter-relações entre todos os seres vivos que compõem a delicada tecitura da vida na terra. A prática das conclusões dos estudos e pesquisas ecológicas são vitais para nossa sobrevivência na terra. Significa que não somente o estudo e a pesquisa da ecologia são significativos mas, sobretudo, a prática das conclusões provenientes desses estudos e pesquisas assumem importância suprema neste momento que vivemos. Vital porque defrontamo-nos com um crescente aumento dos problemas ecológicos (sociais mais ambientais) globais que estão danificando a biosfera e a vida humana de maneira alarmante, e que podem logo se tornarem irreversíveis.
Escassez da água potável. Cerca de 75% da água doce é utilizada para irrigação, 15% para indústria, sobretudo indústrias poluentes e 10% para consumo humano;
Essência. [Do lat. essentia.] S. f. 1. Aquilo que constitui a natureza das coisas; substância. 2. A existência. 3. Idéia principal. 4. Significação especial; espírito: 5. Filos. O que constitui o cerne de um ser; natureza. [Cf. acidente (8) e substância (9)]. 6. Filos. O que constitui a natureza de um ser, independentemente de este existir de fato ou atualmente. Aurélio Eletrônico.
Heteronomia. “Condição de pessoa ou de grupo que receba de um elemento que lhe é exterior, ou de um princípio estranho à razão, a lei ou costumes a que se deve submeter. ” O contrário de autonomia. Aurélio eletrônico.
Holismo. O termo “holístico”, do grego holos, totalidade, refere-se a uma compreensão da realidade em função de totalidades integradas cujas propriedades não podem ser reduzidas a unidades menores. Capra 1982.; Filos. 1. Tendência, que se supõe seja própria do Universo, a sintetizar unidades em totalidades organizadas. Aurélio eletrônico.
Integrar. V. t. d.1. Tornar inteiro: completar, inteirar. V. p. 3. Inteirar-se, completar-se: Juntar-se, tornando-se parte integrante; reunir-se, incorporar-se. 5. Adaptar-se, acomodar-se. Aurélio Eletrônico;
Intuição S. f. 1. Ato de ver, perceber, discenir; percepção clara ou imediata; discernimento: 2. Ato ou capacidade de pressentir; pressentimento: 3. Filos. Contemplação pela qual se atinge em toda a sua plenitude uma verdade de ordem diversa daquelas que se atingem por meio da razão ou do conhecimento discursivo ou analítico. 4. Filos. Apreensão direta, imediata e atual de um objeto na sua realidade individual. Aurélio eletrônico = A. Elet. Afirmo, a partir de minha práxis que uma vida submetida à baixos níveis de estresse, a práxis da yoga, e da alimentação natural, vegetariana desenvolvem a intuição;
Mudanças climáticas. As mudanças climáticas, outro nome para o aquecimento global, acontecem quando são lançados mais gases de efeito estufa (GEEs) do que as florestas e os oceanos são capazes de absorver.
Neurose é a incapacidade de perceber a realidade como ela se apresenta. Ela “ resultado de um conflito entre instâncias psíquicas como o “id” e o “superego” , ou entre papéis aparentemente incompatíveis, sem que se tenha consciência de sua natureza. De um ponto de vista Holístico, trata-se de um produto direto da dualidade e da inconsciência quanto a seu caráter fantasmático, quer dizer de fantasia. A neurose é um sofrimento. O neurótico sofre e faz sofrer os outros, por causa de seu apego excessivo, sua cólera, seu ciúme, sua avidez. A angústia, a tristeza, a depressão, a agitação, o “nervorsismo” podem se transformar em doenças físicas. Do ponto de vista Holístico, a cultura é, em grande parte responsável pela formação da neurose individual, pelo consenso que ela forma ao redor de toda espécie geradora de fronteiras geradoras de dualidade.
Como diz Freud, a gênese das neuroses nos aparece sob esta fórmula simples: o “eu” tentou abafar certas partes do “id”, de uma maneira imprópria, malogrou e o id se vingou” . Weil ( 1987,130) .
Normose. Neologismo criado por Jean-Yves Leloup, um dos pioneiros da psicologia transpessoal na Europa. O termo normose remete à perigosa realidade em que o hábito nocivo torna-se a norma de consenso . O resultado pode ser a doença, a destruição, e a morte.” ... “ Podemos, então, definir a normose como um conjunto de valores, atitudes, e comportamentos habituais, que levam ao sofrimento físico ou moral, à doença ou à morte. Além disso esse conjunto ou sistema é reforçado por um consenso social, que o coloca na categoria da normalidade.” . O exemplo do cigarro proporciona uma certa compreensão do fenômeno. Em WEIL, Pierre. 2000. A Mudança de Sentido e o Sentido da Mudança. – Rio de Janeiro: Record : Rosa dos Tempos. Outros exemplos: A causa de morte mais comum entre os japoneses do sexo masculino entre 25 e 55 anos de idade é a estafa por causa do trabalho excessivo e estressante. Os(as) norte-americanos (as), cidadãos(ãs) da nação mais rica material e economicamente da terra, hoje, trabalham mais do que o servo medieval.
“Uma característica comum das normoses é seu caracter automático e inconsciente. Podemos falar neste caso de um “espírito de boiada” ... Podemos concluir que toda normose é uma forma de alienação”...” A Automatose pode ser dissolvida por meio da conscientização. Trata-se de um encontro com a liberdade. O homem que segue cegamente as normas torna-se escravo delas. Quando aprende a escutar a voz interior da sabedoria, torna-se verdadeiramente livre.” Idem ( p. 124.);
Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPPC) é o órgão das Nações Unidas responsável por produzir informações científicas em três relatórios que são divulgados periodicamente desde 1988. Os relatórios são baseados na revisão de pesquisas de 2500 cientistas de todo o mundo. O documento divulgado pelo IPCC em 2 de fevereiro de 2007 foi considerado um marco ao afirmar, com 90% de certeza, que os homens são os responsáveis pelo aquecimento global. Por isso, o WWF-Brasil acompanha atentamente as conseqüências do aquecimento do planeta que podem se traduzir em eventos climáticos extremos como secas na Amazônia ou furacões em áreas tidas como fora de risco, como o Catarina que passou pelo sul do Brasil.
Segundo Relatório de 2007. O 2º relatório foi divulgado dia 6 de abril e abordou os impactos das mudanças climáticas, com um capítulo dedicado apenas à América Latina, com detalhes sobre o Brasil. O WWF-Brasil acompanhou de perto as negociações e a divulgação dos novos dados sobre o aquecimento global. cenário devastador sobre os principais impactos do aquecimento global no meio ambiente e na economia, caso medidas concretas para diminuir o aumento da temperatura do planeta não forem adotadas. No Brasil, há impactos significativos em vários lugares como na Amazônia, no semi-árido nordestino e nas regiões litorâneas.
Neste segundo relatório, o IPCC demonstra claramente que os impactos das mudanças do clima estão batendo à nossa porta neste momento e só tendem a piorar. O nível dos oceanos já está subindo e, com isso, 100 milhões de pessoas que vivem a menos de um metro acima do nível do mar estão correndo o risco de perder suas casas. As populações da Índia e da China podem passar fome por causa do declínio na produção de alimentos como conseqüência do aquecimento global.
Os mananciais de água doce, que abastecem milhões de pessoas no mundo estão em risco, aponta o relatório. Na região Amazônica, por exemplo, as pessoas podem ser afetadas por temperaturas ainda mais altas no verão em algumas regiões, por um aumento na freqüência de secas severas como a de 2005 e pela transformação da floresta em uma vegetação muito mais aberta, parecida com o cerrado, especialmente na região leste. No nordeste brasileiro, as temperaturas vão subir ainda mais, passando de uma região semi-árida para árida e comprometendo a recarga dos lençóis freáticos. No sudeste, a precipitação vai aumentar com impacto direto na agricultura e nas inundações e deslizamentos de terra.
Terceiro Relatório de 2007. O 3º relatório foi divulgado no dia 4 de maio, em Bangcoc, na Tailândia. O texto mostra que é possível deter o aquecimento global se o processo de redução das emissões for iniciado antes de 2015. De acordo com o documento, para salvar o clima do nosso planeta, a humanidade terá de diminuir de 50% a 85% as emissões de CO2 até a metade deste século. In http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/clima/painel_intergovernamental_de_mudancas_climaticas/index.cfm .
Paradigma. CAPRA, Fritjof. 1982. Do grego Paradeigma – padrão, modelo. E em CAPRA (1996). A Teia da Vida. - Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos.- Editora Cultrix / Amana-Key : São Paulo. Esse autor (p. 25) define um paradigma social como “ uma constelação de concepções, de valores e de práticas compartilhadas por uma comunidade, que dá forma a uma visão particular da realidade , a qual constitui a base da maneira como a comunidade se organiza ” , significa enfim, toda uma visão de mundo e sua concretização em ações reais; Os estilos de vida e as práticas de consumo de uma comunidade.
Parceria. S. f. 1. Reunião de pessoas para um fim de interesse comum; sociedade, companhia.
Prática é a tomada de posição explícita, de conteúdo político diante da realidade”. Demo (1987,26) e
Pesquisa prática é aquela que se realiza por meio de ações no mundo social através do teste prático de possíveis idéias ou posições teóricas.
Práxis . União da teoria com a prática.
De acordo com o Aurélio Eletrônico, práxis (cs)[Do gr. práxis, 'ação'.]. S. f. 2 n. 1. Atividade prática; ação, exercício, uso. 2. Filos. No marxismo, o conjunto das atividades humanas tendentes a criar as condições indispensáveis à existência da sociedade e, particularmente, à atividade material, à produção; prática.
Para o Houaiss: http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=pr%E1x%EDs&x=5&y=5&stype=k ( 26/09/07). ■ substantivo feminino . 1 prática; ação concreta. 1.1 Rubrica: filosofia. no aristotelismo, conjunto de atividades humanas autotélicas, cuja manifestação mais representativa é a política, e caracterizadas esp. por sua natureza concreta, em oposição à reflexão teórica; 1.2 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: filosofia.
No marxismo, práxis significa a ação objetiva que, superando e concretizando a crítica social meramente teórica, permite ao ser humano construir a si mesmo e o seu mundo, de forma livre e autônoma, nos âmbitos cultural, político e econômico; 2 maneira de proceder na prática; comportamento costumeiro; 3 ação de aplicar, usar, exercitar uma teoria, arte, ciência ou ofício; 4 parte do conhecimento voltada para as relações sociais e as reflexões políticas, econômicas e morais; Etimologia gr. prâksis,eós 'ação, o fato de agir, execução, realização; empresa, condução de um caso (de guerra, de política); comércio, negócio; intriga; maneira de agir, conduta, maneira de ser; resultado de uma ação, conseqüência'; ver prax(i)- ; Sinônimos prática; ver sinonímia de ação. Antônimos ver antonímia de ação
Qualidade. 8. Filos. Aspecto sensível, e que não pode ser medido, das coisas
Racional. Adj. 2 g.1. Que usa da razão; que raciocina.2. Que se deduz pela razão. 3. Conforme à razão.4. Filos. Diz-se de conhecimento resultante de princípios a priori. [Cf., nesta acepç.: empírico ], Ver intuição;
Realidade. São todas as dimensões que compõem nossa forma de viver e o espaço que a cerca.” DEMO, Pedro ( 1987, 27) Introdução à Metodologia da Ciência, realidades sociais , portanto, restringem-se às dimensões sociais, tanto aquelas que estão em nós quanto àquelas que nos circundam. Fazem parte das realidades sociais igualmente nossas ideologias, nossas representações mentais, nossos símbolos, crenças e valores, assim como nosso comportamento externo e os condicionantes circundantes de ordem social.
Se afirmo que realidades sociais restringem-se às dimensões sociais, refiro-me a que são apenas parte de uma realidade mais ampla, maior, parcialmente distinta dessa realidade de nosso mundo social, técnico e tecnológico e, acrescento, uma realidade incompreensível/ inexplicável até hoje à ciência e à parte das dimensões sociais, por vezes imperceptível à parte das pessoas , aos sentidos mais comuns de grande parte das pessoas.
Reducionismo. Práxis mais comum da ciência moderna fundamentada na crença em que todos os aspectos dos fenômenos complexos podem ser compreendidos se reduzidos às suas partes constituintes. Ver análise.
Síntese. [Do grego. synthesis, 'composição',]. S. f. 1. Operação mental que procede do simples para o complexo. 2. P. ext. V. resumo (2). 3. Reunião de elementos concretos ou abstratos em um todo; fusão, composição. 8. Lóg. Determinação de proposições compostas com base em proposições mais simples. 9. Lóg. Determinação de proposições que são conseqüência de proposições consideradas como certas. 10. Filos. Fusão de uma tese e de uma antítese numa noção ou numa proposição nova que retém o que elas têm de legítimo e as combina mediante a introdução de um ponto de vista superior. [Cf., nesta acepç.: dialética (3).] Aurélio eletrônico.
Sites de Ecovilas no mundo
As principais redes mundiais de ecovilas são as seguintes:
Nesses sites encontram-se umas 900 ecovilas plugadas
As principais e mais conhecidas ecovilas são:
The Farm USA = www.thefarm.org EUA
The Findhorn www.findhorn.org Escócia. No Brasil:
Bibliografia
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HISTÓRICO DA POLÍTICA DA ECOVILA FELICIDADE
Saulo Xavier
Política Estratégica Integrada e Sustentável para Instalação da Ecovila Felicidade
End.: Alameda Primavera,02 . Porta do Sol / Altiplano Cabo Branco
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Brasil
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A iniciativa para o empreendimento Ecológico e Social Ecovila Felizcidade é o resultado de uma vida dedicada à movimentos sociais e ecológicos e à mudança socioecológica através da soma sinérgica de práxis de pesquisa, ensino universitário e de economista. O interesse Histórico essencial das minhas atividades profissionais tem sido a práxis do Desenvolvimento Sustentável. As minhas atividades profissionais sempre foram como economista, professor universitário e pesquisador de/ para movimentos sociais e ecológicos, em organismos governamentais e em instituições da sociedade civil em apoio a esses movimentos. Quando no exercício dessas atividades eu tive oportunidades de confirmar uma intuição nascida em minha juventude: o potencial / realização de destruição e de auto-destruição de nossas culturas hegemônicas regidas, hoje pela economia global. Como conseqüência dessas intuição e atividade profissional eu empreendi um trabalho de pesquisa profundo, prolongado e radical sobre os estilos de vida que representassem uma alternativa à aquela destruição. Nos últimos anos guiei minhas atividades para o Desenvolvimento Sustentável, que percebo em síntese como: O que mantém e desenvolve a vida, humana e de outras formas de vida que dependemos para viver como humanos.
A partir de 1989 empreendi aprofundamentos de pesquisas e estudos anteriores, procurando compreender o processo global de reestruturação de nossos economias e sociedades – globalização - e suas conseqüências para o mundo do trabalho no Brasil, que teoricamente resultam em minha dissertação: Novas Tecnologias, globalização e Impactos para o Trabalho no Sistema Financeiro Brasileiro. Nessa atividade empreendi um estudo amplo sobre o novo momento tecnológico global, aplicando-o empiricamente ao sistema financeiro brasileiro, segmento da economia onde este tipo de tecnologia estava mais avançado. Posteriormente, limitei os meus estudos sobre globalização, especialmente à nossas regiões rurais do Nordeste e Amazônia brasileiros, objetivando orientar a minha práxis como ator de movimentos sociais, ecológicos e, portanto políticos. Nessas atividades deparei-me com os enormes problemas contemporâneos: as crises sociais recorrentes e o desafio ecológico* que a humanidade vive hoje e vai crescentemente se defrontar nas próximas décadas. Em reação aos problemas sociais e ecológicos históricos da Humanidade, agravados pela reestruturação das nossas economias e sociedades – globalização-, sob os olhos dessas pesquisas, estudos e práxis vi/ percebi/ compreendi que as necessidades da vida social e ecológica globais nas três últimas décadas produzirem conjuntamente as atuações dos movimentos sociais e ecológicos, uma Nova Sociedade Civil, as práxis de Desenvolvimento Sustentável, os Programas de Responsabilidade Socioecológica e os Recursos de Doações para soluções de problemas sociais e ecológicos. Em 2004 concentrei minhas pesquisas anteriores no tema de Ecovilas e Desenvolvimento Sustentável, quando permaneci entre 2004/2005 como pesquisador visitante da Universidade Livre de Berlim, resultando na Política Estratégica par Instalação da Ecovila Felicidade. A partir de 2006, exilado social e ecológico de todas as universidades onde trabalhei, decidi deixa-las. Minhas atividades atuais consistem em: Conceber, planejar e conjuntamente realizar de planos, programas e projetos de captação de recursos de doações da Sociedade Civil para programas sócio ambientais e de pesquisas de instituições, organizações governamentais e universidades; Concepção, planejamento e realização conjunta de planos, programas e projetos de Desenvolvimento Sustentável,sobretudo nas áreas de turismo, - hotéis, pousadas, etc.- e agricultura - ( SítioEcológico )-; Ensino, pesquisa e prática em captação de recursos, inclusive para a Ecovila Felizcidade que concebeu, planejou e gerencia a instalação, num convênio com a FUNAPE / UFPB.
Portanto, em síntese grande parte dos meus esforços de minhas atividades consistiram na realização de empreendimentos de pesquisas que através de instrumentos teóricos, metodológicos, empíricos e práticos, permitiram-me criar uma metodologia sistêmica/ Holística/ Ecológica de análise/ síntese das realidades para pensar, sentir e agir no mundo. Foram os resultados desses empreendimentos de pesquisa e atuação prática – pesquisa prática - que me permitiram explorar e atuar em áreas tão diversificadas e, hoje conceber e planejar a complexidade de uma Vila Ecológica. Isto significa que o insight para a criação de nossa Política não é apenas decorrência de uma visão teórica, e sim mais de uma práxis vital histórica.
“Ao lado de influências geracionais, mais gerais, numa perspectiva dos atores ecosociais individuais as ações que resultam em processos pessoais e sociais inovadores são resultados de experiências distintas dos estilos e modos de vida normais, hegemônicos em qualquer cultura. São resultado de circunstâncias de vida aliadas á buscas conscientes, incomuns.”
“Produzi em mim o ser humano que sou, sempre conscientemente auto-construindo-me, através de minhas circunstâncias de vida e de uma permanente busca e pesquisa para compreender o mundo que nos molda: experiências pessoais e profissionais, viagens, terapias, pesquisas e estudos aprofundados, igualmente empíricos sobre sobre mim, sobre o ser humano, nas nossas relações na vida em sociedade e com a natureza, produtos da História, de nossas circunstâncias e consciências. A partir das conclusões dessas experiências construo-me. De um lado, vivo e afasto-me dos estilos e modos de vida, embrutecidos e insensíveis, dominantes nas vidas social e ecológica contemporâneas, provenientes em síntese da economia global. De outro lado, procuro, tento e crio estilos de vida e estratégias que mantém e desenvolvem a vida humana e outras formas de vida. Uma trajetória que resulta e concretizamos hoje no empreendimento ecosocial Ecovila Felizcidade, uma vila ecológica. [1]
O que me conduz á instalar a Ecovila Felicidade inicia antes de mim com a História de meus ancestrais no sertão semi-árido do Nordeste brasileiro, na Paraíba, uma região onde quem nasce lá “luta ou morre”. Lembrem-se de de Os Sertões de Graciliano Ramos: “O Sertanejo é antes de tudo um forte”. Meu bisavô um franco lusitano foi um desertor do exército português em Salvador. Completou sua emigração ao deixar o exército e fugir para o sertão nordestino, onde instala-se na Serra de Teixeira, Paraíba. Casa-se com minha bisavó, descendente direta das nações indígenas Cariri e Surucucus. Ele foi educado na Europa o que lhe permitiu aqui acesso no “Grand Monde” da Política, contribuições que passa a seus descendentes. Minha bisavó educa-nos com as contribuições de sua cultura “ A compaixão, a luta para preservar todas as formas de vida e o prazer de viver”.
Filho mais velho entre seis irmãos, meu primeiro desafio vital ocorre aos seis anos de idade com a morte de meu pai. Fui viver num orfanato para crianças pobres e miseráveis em Campina Grande, na época um dia de viagem de minha família. Aí aos seis anos já trabalhava na agrícultura para produzir parcela de nossos alimentos e pagar parte da reprodução de minha vida nas atividades agrícolas desse colégio. Perdia portanto á um só tempo meu pai e a convivência com minha família. Conheci aos seis anos o abandono, o isolamento familar e, filho da aristocracia rural do sertão conheci a fome, a luta diária para produzir e conseguir alimentos e, enfim sobreviver e viver .
“Ganhava de outro lado: esses desafios iniciais numa fase significativa de formação da minha vida, segundo a psicologia clínica me sensibilizariam potentemente para o sofrimento humano e o convívio com a natureza em substituição ao conforto afetivo familiar e ao suprimento da reprodução material assegurada na família. O fato de pertencer a uma família privilegiada economicamente, que fornecia uma ajuda financeira ao colégio e que conseguiu através de sua influência política uma ajuda da prefeitura de Campina Grande para o colégio com a minha entrada e me levava lanches não impedia que meus lanches representassem mais um desafio: Tinha que lutar com as outras crianças para conseguir manter e usufruir dessa alimentação. De porte médio e franzino fui obrigado pelas circuntâncias a desenvolver poderosamente a inteligência para poder sobreviver nesse meio hostil de luta diária pela sobreviviência. Ficaria em internatos até aos 17 anos e praticamente nunca mais voltaria ao convívio familiar de modo mais permanente. Fui um desafio enorme e brutal esse shape que moldou de modo inicial minha vida.
A década de 1970 traria novos desafios. Em 1971 inicio um relacionamento afetivo e amoroso que inclusive me daria depois meu único filho. Também em 1971, influenciado por parte de minha família entro na universidade em engenharia -UFPB em João Pessoa - que troco por economia em 1973, uma escolha mais pessoal, mais consciente e mais de acordo com; de um lado, minha angústia pessoal produtiva de compreender/ atuar na vida social e, de outro lado, com minhas inteligências mais significativas: verbal/ linguística e lógica. Essas, heranças de minha família de empreendedores comerciais, da agroindustriais, agropecuários e políticos não profissionais. 1973/74 também inicio a prática da yoga, meditação e do vegetarianismo. Portanto, inicio nesse período a organizar minha compreensão do mundo através de pesquisas teórico-metodológicas e em parte delas também empíricas em ciências sociais e humanas. Sobretudo, em economia política, filosofias, sociologia, História psicologias clínica e social, críticas. Em 1974 inicio as terapias, de grupo – 08 anos -. Com as pesquisas objetivava, de um lado compreender-me e, de outro estruturar uma metodologia de análise da realidade, como base de minha prática envolvido com movimentos sociais e ecológicos que inicio também nesse período. Em 1974 também sou convidado por um professor para ingressar num grupo de trabalho com comunidades populares que conseguiu destaque na Secretaria do Planejamento no Governo da Paraíba. Essa experiência que me dá formação em duas áreas: planejamento/ participação popular e em elaboração de projetos/ captação de recursos, experiências que me conduzem em 1977 a perder o trabalho por motivação politico-ideológica, faltando 16 dias para meu filho nascer. Essas dificuldades me empurram para o exílio politico na Alemanha entre 1977-1980.
Fui orador da turma ao concluir o curso em 1976 no período de 1974 a 1977 dei assessoria à associações/ comunidades populares em Mandacarú, um bairro da periferia de João Pessoa, envolvido na pastoral urbana dirigida pelo Arcebispo da PB D. José Maria Pires. – Dom Pelé - Em função dessa experiência consegui na minha turma de formatura que o Dom José fosse patrono da turma, o que na época visou evidenciar o trabalho de resistência de Dom José à ditadura militar.
O exílio na velha Alemanha/ Europa. A experiência na Europa mudaria minha vida de vários modos, mas sobretudo por três principais: 1) matar o pouco que restava de ilusões que carregava em minha formação no “Mito do Desenvolvimento” das nações mais industrializadas ao perceber, já aí no final da década de 1970, através do movimento ecológico na Alemanha e de muita pesquisa social o desastre ecológico para a humanidade que é produzido principalmente pelas nações e regiões mais industrializadas da Terra. Aprofundava a crítica ao Mito do Desenvolvimento que ainda hoje na América Latina e no mundo menos industrializado é centrada na questão social; 2) A necesidade de integrar em minha pessoa e em minhas ações os sentimentos e a racionalidade, resultante nesse momento de um aprofundamento da percepção do mundo através do sentimento e da sensibilidade. Ao chegar na Alemanha não conhecia a lingua alemã, o que me impôs um período de enorme introspecção; 3) e necessidade de aprofundar a integração de conhecimentos em minha formação, distintamente da fragamentação/ especialização característica do pensamento ocidental e dominante no meio acadêmico. A Europa significou uma abertura à outras culturas, a primeira experiência de viver numa comunidade / Ecovila urbana com poderosa influência ideológica do maio de 1968. Num ambiente universitário em, que os estudantes dos países menos industrializados assim chamados de “Terceiro Mundo” tinham seus diplomas rejeitados e eram obrigados a completar em média por dois anos seus estudos de graduação para conseguir ingressar numa pós graduação, consegui ser admitido num doutorado de História, sociologia e política na Universidade Philipps de Marburg, o terceiro centro da esquerda alemã após Bremen e Berlim. Trabalhei 2 meses de férias como operário na maior fábrica mundial da Mercedes, em Sindelfingen/ Stutgart conhecendo de modo empírico o “chão da fábrica”. Numa parte da experiência Alemã convivi / assessorei informalmente sindicalistas portugueses trabalhando na Alemanha.”
Voltando do exílio, dava continuidade às experiências com movimentos populares, durante quase toda a década de 1980 e, sobretudo financiado com meus próprios recursos, assessorei e orientei os camponeses nas lutas pela terra na zona da mata paraibana, integrado num movimento que a nível local participa na criação do MST nacional.“
Portanto, em síntese grande parte dos meus esforços de minhas atividades consistiram na realização de empreendimentos de pesquisas que através de instrumentos teóricos, metodológicos, empíricos e práticos, permitiram-me criar uma metodologia sistêmica/ Holística/ Ecológica de análise/ síntese das realidades para pensar, sentir e agir no mundo. Foram os resultados desses empreendimentos de pesquisa e atuação prática – pesquisa prática - que me permitiram explorar e atuar em áreas tão diversificadas e, hoje conceber e planejar a complexidade de uma Vila Ecológica. Foi uma profunda, intensa e longa trajetória, quase sempre complicada e difícil, afastar-se da práticas dominantes da especialização/ fragmentação do pensamento/ ação dominantes nas ciências, na tecnologias, no governo, nas empresas, na sociedade atual enfim. Desde cedo discordei da visão fragmentada do mundo hegemônica em nossa cultura, da abordagem reducionista da nossa ciência e do exercício da profissão orientando quase que exclusivamente pelo uso maciço de Hard tecnologia, e , sobretudo combinados com o princípio hegemônico no mundo empresarial, globalmente: o de que ganhar dinheiro é mais importante do que os seres humanos, a natureza, a democracia e quaisquer outros valores.
De um lado, a fragmentação / especialização é a prática em que os cientistas, técnicos e “experts” procuram especializar-se cada vez mais em cada vez menos parcelas da realidade, significa conhecer quase tudo de quase nada, em síntese, conhecer quase nada. De outro lado, fazer ciência como prática dominante consiste em fazer análise. Realizar ciência significa seguir o reducionismo típico, a práxis mais comum da ciência moderna, a crença em que todos os aspectos dos fenômenos complexos podem ser compreendidos se reduzidos às suas partes constituintes. A partir de então se emprega a análise. A análise consiste em decompor um pensamento ou um problema estudado em suas partes componentes, dispó-las em ordem lógica, estudar as partes principais e daí tirar conclusões generalizando-as para o todo. Em realidade esse procedimento dominantemente é o próprio método científico, o “moderno” pensamento científico. Essa divisão do conhecimento tem sido acentuada como resultado da prática empreendedora cega desde os primordios do capitalismo, visando a acumulação - acumular riqueza econômica e poderio militar a qualquer custo-. Essa especialização concretiza-se na História da ciência capitalista desde Adam Smith -in A Riqueza das Nações -, passando por Frederick Taylor e atinge sua predominância com o Fordismo. Muda um pouco hoje com os novos momentos tecnológicos dos pós-fordismo/ produção flexível/ just-in-time. No entanto, o dominante é a especialização e não o sistemismo/ Holismo/ Ecologismo. Esses são os padrões pensamentos/ ações da ciência moderna dominantes nas universidades, nas grandes instituições de pesquisa, nas empresas e no governo. A especialização permitiu, de um lado, ao ser humano feitos como ir á lua e grande parte do que denominamos progresso tecnológico.
A especialização/ fragmentação e a análise nos moldam em nossa percepção/ práxis da realidade. Em realidade acredito que o princípio de que ganhar dinheiro em detrimento dos seres humanos, da natureza, da democracia e de quaisquer outros valores é a origem esencial de nosso problemas. Mas, de outro lado, nessa perspectiva do pensamento, da percepção e concretização da realidade pelos humanos, a especialização/ fragmentação é fonte de enormes problemas sociais e ecológicos para as sociedades contemporâneas. A excessiva ênfase dada à análise por nossas ciências conduziu à fragmentação característica do nosso pensamento em geral e das nossas disciplinas acadêmicas, com conseqüências evidentes nos nossos problemas sociais e ecológicos em nossa realidade, porque os cientistas e técnicos especialistas não percebem as conseqüências últimas de suas ações. A maior parte de todos percebe e vê o mundo a partir de sua percepção estreita de médico alopata, de economista, de psicólogo, Etc.
“Não existe almoço gratis”. Essa trajetória de construir uma percepção sistêmica da realidade, distintamente da fragamentação dominante, para mim quase sempre significou punições financeiras e expulsão das instituições, de modo dissimulado ou direto. O que é muito dificil para quem tem família e necessita se reproduzir. Aos 57 anos de idade não tenho um só bem econômico além de um computador. Todos os recursos financeiros que tive oportunidade de dispor, investi em pesquisa e conhecimento para compreensão e mudança da realidade e foram, esses investimentos e a forma com os realizei – em ciência sistêmica, holística, ecológica - que me permitiram dominar conhecimentos em áreas tão diverficadas e, portanto poder conceber e planejar uma vila ecológica. Evidencio, ainda que quando compreendi o significado mais amplo da criação da Ecovila para os camponeses - trabalhadores, pequenos proprietários rurais e a vida nas pequenas vilas -, sobretudo na Paraíba e para minha vida, deixei em outubro de 2003, a atividade acadêmica bem remunerada de Professor universitário para poder realizar a atividade da Ecovila, em tempo integral. No presente tudo que eu posso contar é com o meu conhecimento analítico a respeito de nossas sociedades industriais capitalistas. Na verdade nosso conhecimento e o "sentimento do mundo" é tudo o que eu sou e aquilo que tenho. O que para mim é muito significativo.
O processo de construir um metodologia sistêmica de análise/ atuação na realidade realizado através de pesquisas/ estudos/ ensino universitário/ exercício prático de economia, realizo-os; 1) em vinte e sete anos - 27 - de experiência no setor público seja com pesquisa, seja na atuação prática com comunidades populares no Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual do Governo da Paraíba – IDEME da Secretaria do Planejamento – SEPLAN-, onde adquiri conhecimento inicial e experiência em elaboração de Programas e Projetos Sociais, e posteriormente fora dessa instituição em projetos Ecológicos; 2) Como o professor e pesquisador de economia/ Desenvolvimento Sustentável Rural, de Captação de Recursos (10 anos em distintas universidades públicas e privadas), aprofundo-o em meu exílio político da ditadura militar na Alemanha quando foi estudante de doutorado em História/ sociologia e política. Devido a esse interesse eu tenho vivido parcialmente nas comunidades e Ecovilas, particularmente quando estive exilado político na Alemanha entre 1977/ 1979 vivi dois anos em uma ecovila urbana em Marburg. Sobretudo nos últimos anos no Brasil (2001 - 2004) e, agora no último período na Europa – (2004-2005). Isto significa que o insight para a criação de nossa Política não é apenas decorrência de uma visão teórica, e sim mais de uma práxis vital histórica. Nos últimos anos pesquisando em várias universidades e em institutos de pesquisa no Brasil e na Europa, sobretudo sobre múltiplos modelos de vida sustentável para a ação contra nossos problemas do NE, cheguei ao conhecimento de que em 1988 as ecovilas foram nomeadas e reconhecidas oficialmente num ponto dos mais altos da lista das 100 melhores práticas da ONU, como um modelo excelente de vida sustentável. In http:/gen.ecovillage.org .(01.02.2005). A busca de construir uma metodologia sistêmica de análise/ síntese da realidade consistiu em construir e realizar meu conhecimento/ ação de modo integrado em Desenvolvimento Sustentável, sobretudo Rural. Para tanto estudei, pesquisei e aprendi em ecovilas, institutos de pesquisa, universidades e com agricultores/ técnicos de múltiplas áreas do conhecimento, de modo prático/ empírico no Brasil e na Europa, e de modo teórico - metodológico globalmente: agricultura ecológica, ecoconstruções habitacionais, e em menor escala energias renováveis, agregando-os aos meus conhecimentos anteriores em economia, alimentação, psicologia, saúde, educação, vestuário/ calçados, sociologia, política, ecologia, ...
Conhecimento que é também em saúde psicossomática. Passei por vários processos psicoterápicos. Por exemplo, em um deles realizeu-o em cerca de oito (08) anos submetendo-me a tratamentos com três psicoterapeutas distintos em períodos diferentes, sobretudo em grupo, experiências de pesquisas empíricas e períodos a partir do quais sempre procurei aprofundar-se em minhas pesquisas também de modo teórico, metodológico e prático nos temas a ele relacionados. Além desse tipo de práxis psicoterápica mais ocidental, minha práxis de psicoterapia alia-se à minha práxis da psicologia oriental, que hoje a psicologia transpessoal em boa parte incorporou: meditação, yoga, vegetarianismo, massagens -do-in, yuvérdica- de Tai - Chi-Chu’an, Ai - Ki- Do -. Realizo meditação desde 1974 e vegetarianismo de modo geral desde 1980.
„Entre o segunda metade da década dos anos 1990 e o momento atual os desafios nos quais concentrei todas as minhas energias, e que foram significativos consistiram em integrar meus conhecimentos das minhas práticas mais teóricas de pesquisador, de professor e de crítico, com a de ativista ecosocial, o que resultaria na Ecovila Felicidade.“
“A partir de 1989 empreendi aprofundamentos de pesquisas e estudos anteriores, procurando compreender o processo global de reestruturação de nossos economias e sociedades – globalização - e suas conseqüências para o mundo do trabalho no Brasil, que teoricamente resultam em minha dissertação: Novas Tecnologias, globalização e Impactos para o Trabalho no Sistema Financeiro Brasileiro. Nessa atividade empreendi um estudo amplo sobre o novo momento tecnológico global, aplicando-o empiricamente ao sistema financeiro brasileiro, segmento da economia onde este tipo de tecnologia estava mais avançado. Posteriormente, limitei os meus estudos sobre globalização, especialmente à nossas regiões rurais do Nordeste e Amazônia brasileiros, objetivando orientar a minha práxis como ator de movimentos sociais, ecológicos e, portanto políticos. Nessas atividades deparei-me com os enormes problemas contemporâneos: as crises sociais recorrentes e o desafio ecológico* que a humanidade vive hoje e vai crescentemente se defrontar nas próximas décadas. Em reação aos problemas sociais e ecológicos históricos da Humanidade, agravados pela reestruturação das nossas economias e sociedades – globalização-, sob os olhos dessas pesquisas e estudos vi/ percebi/ compreendi que as necessidades da vida social e ecológica globais nas três últimas décadas produzirem conjuntamente as atuações dos movimentos sociais e ecológicos, uma Nova Sociedade Civil, as práxis de Desenvolvimento Sustentável, os Programas de Responsabilidade Socioecológica e os Recursos de Doações para soluções de problemas sociais e ecológicos.
No desenvolvimento de minhas atividades de pesquisa, de educador, de economista, de pai, já havia chegado a conclusão que em qualquer atividade que se deseje difundir e utilizar como atividade educativa faz-se necessário, sobretudo exemplos. No nosso caso, precisamos de exemplos concretos, reais, viáveis, de modelos de vida sustentável, mostras de que a construção “de um outro mundo”, melhor, significa sustentável é realizável, aqui e agora. Então, foi uma decorrência natural : como resultado práxico de meus estudos e pesquisas e em função de distintas motivações ecológicas, sociais e políticas foi que resolvi juntamente com um pequeno grupo criar uma Ecovila, uma instituição da Sociedade Civil, com sede no litoral do Estado da Paraíba, atuações, principalmente nas áreas microbioregionais circunvizinhas, e mais difusa no Nordeste e Amazônia brasileiros. Posteriormente à elaboração de uma Política Estratégica para a instalação da Ecovila, realizado como visitante da Universidade Livre de Berlim, as minhas atividades atuais consistem na concepção/ planejamento/ realização de uma Política Estratégica de Captação de Recursos para essa instalação.“
A Ecovila Felicidade é o resultado das conclusões de minha reação, de um lado lado mais práxica como economista. Tal ação justifica-se como uma decorrência também das conclusões de meus estudos e pesquisas sobre globalização, resultante de minha reação mais teórica como pesquisador e como professor. Concluiu que a Sociedade Civil Global (restritamente as ONG's) são os principais atores globais que emergem nas duas últimas décadas para se contrapor aos problemas que são históricos da humanidade e que foram agravados pela ação da economia, agora global. Portanto, a instalação da Ecovila Felicidade emerge e percebe as novas realidades: o contexto de reação da Sociedade Civil Global e os Recursos da Solidariedade. Visando esse ambiente conclui ser necessário usar e criar alianças nas instituições da sociedade civil, no Estado/ Governo, nas empresas, num contexto global como convém e compatível com às novas realidades, para viabilizar ações de programas/ projetos de sustentabilidade rural financiado, sobretudo por doações da sociedade civil global .
Nossa práxis na Ecovila Felicidade é uma contribuição ao Desenvolvimento Sustentável à nível local na Paraíba, porém num âmbito global. Se o conhecimento e informação constituem uma fonte de poder e se a equipe da Ecovila detém esse conhecimento, como cremos, usamos esse poder para organizar parte de nosso futuro – de nossas vidas, de nossos filhos - e ajudar outros grupos humanos e a natureza a terem algum presente e futuro viáveis. Em função das conclusões a que cheguei nos últimos anos dirigi também minhas pesquisas e ensino para a captação de recursos de doações globais visando soluções de problemas sociais/ ecológicos e o fortalecimento de instituições da sociedade civil, universidades e organismos governamentais situados, sobretudo no Nordeste e na Amazônia. Significa que a Ecovila Felicidade já nasce na atividade prática de conceber, planejar, realizar e avaliar Programas e Projetos de Desenvolvimento Sustentável Rural não só para si Ecovila, mas igualmente para camponeses e outros grupos humanos na Paraíba. Utilizamos nosso conhecimento para mobilizar recursos disponíveis no mundo, como pesquisador, professor de captação de recursos e transformarmos esse conhecimento em ação, trazendo e ajudando ONGs, camponeses, comunidades e outros grupos a também trazer esses recursos para ajudar a resolver problemas sociais, ecológicos e políticos na Paraíba e, sobretudo nas circunvizinhaças da micro-bioregião onde será instalada a Ecovila Felizcidade.
De imediato, uma de nossas atividades é o Programa de Qualificação para a Expansão e Fortalecimento das instituições da Nova Sociedade Civil localizadas aqui na Paraíba. Esse programa tem como estratégia mais imediata a captacão efetiva de recursos para as instituições, o que ele já venho realizando – trabalhei em dois projetos/ assessorias -, e minha pesquisa/ livro e curso: Elaborações de Projetos Para Captações de Recursos – Doações da Sociedade Civil Gobal para Soluções de Problemas Sociais e Ecológicos, que têm sido realizados no Nordeste e na Amazônia. Planejamos realizar esse curso de modo mais autônomo uma vez que estamos elaborando um programa de financiamento para negociar recursos na Europa, nos EUA, ASIA e com instituições no Brasil, que possibilitem-nos realiza-lo grátis para as pequenas instituições que dispõem de poucos recursos para se qualificar. Dirigi um projeto desse programa através da FUNAPE ao Banco do Brasil e à Fundação Konrad Adenauer.
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No planeta inteiro, vem surgindo pequenas colônias, chamadas atualmente de Eco-vilas, tendendo a esses objetivos. Pessoas que por si só criando casas auto-suficientes em energia, que não poluem e estão em harmonia com o meio ambiente; enfim, tudo isso mostra um instinto animal humano em preparar-se para um futuro próximo em busca de uma sobrevivência no futuro, pois está claro que haverá, num futuro bem próximo, a falta de energia hidroelétrica, que vem dos grandes reservatórios e que hoje é a luz da humanidade, pois quase tudo funciona a energia elétrica.
Pois bem! O que pretendo com dizer é que devemos buscar um ponto de relacionamento, onde esses grupos ou indivíduos possam trocar idéias, reforçando esse preparo para o novo milênio que acaba de nascer. Sim, sabemos que existem vários pontos de vista de várias ideologias, e que há algo em comum neste novo comportamento, é uma nova sociedade surgindo paralelamente à velha sociedade. Essa sociedade não pensa em perder, em dominar, em ser dono do poder, pensa apenas em viver bem, em harmonia com a mãe Terra, só... É desafiante denominar tudo isso; pois cada um denomina de uma forma. Costumo de chamar essa nova cultura que está surgindo de Cultura Integral, onde o homem deixa de ser específico, para ser e saber um pouco de tudo. Nesta cultura, não se preocupa apenas com a energia material, e sim, primeiro, com a energia da essência (espiritual), pois ela é a fonte de tudo. PRINCÍPIO FILOSÓFICO ADOTADO Uma filosofia Crística, baseada nos três princípios fundamentais: 1o Amar a Deus sobre todas as coisas 2º Amar ao próximo como a ti mesmo 3º Amar a si próprio(considerando que a palavra “amar” significa ACEITAR.). De toda a filosofia que aprendi, resumi na seguinte frase: A vida é o que penso ser.Portanto, podemos programar nossa mente com PAZ, AMOR, LIBERDADE, ALEGRIA, SABEDORIA, SAUDE, HARMONIA. Cuidar da mente é como cuidar de uma horta. Devemos extrair as ervas daninhas e plantar bons frutos. E isso não é possível em pouco tempo, portanto a mudança interna não ocorre do dia para noite, tudo é uma questão de FORÇA DE VONTADE e persistência. Criar nossos ritmos, organizar nossas ações no dia a dia, ter um autocontrole do que pensamos, falamos e fazemos. Somente ir a igreja algumas horas por semana ouvir e aprender coisas boas, não é suficiente para transformarmos nossas vidas, devemos sim, buscar uma autodisciplina no dia a dia no trabalho, pois o maior tempo de nossa vida é passado no trabalho, na convivência com nossos semelhantes, nossos parentes. Devemos estar ligados ao Grande-Pai e a Grande-Mãe terra, todo o tempo; pois o Planeta Terra é o nosso santuário. Para conseguirmos esse auto controle, devemos buscar no EU INTERIOR, nossa essência, nossa alma. Para que isso ocorra é necessário MEDITAR periodicamente. Nessa meditação, inicialmente devemos aprender nos ligar a FONTE, de onde todos nós viemos. Um ponto de Luz, onde estamos ligados por um canal de luz, como um cordão umbilical. Esse ponto nada mais é do que o SOL, Nosso Grande-Pai. Buscar sentir sua existência, adquirir sua energia, é a FONTE de recarregamento de nossa alma. Nossa grande-Mãe é o planeta Terra, onde está toda natureza, com seus reinos animal, vegetal e mineral. Nosso corpo físico é constituído de matéria que vem da Terra. Uma energia que vem da Terra, sobe para o nosso corpo dando o vigor ao corpo físico; portanto, quando meditamos, devemos buscar sentir essa energia que sobe, principalmente pelos pés. A vida do corpo físico é a interação dessas duas energias que se unem. O equilíbrio, a harmonia na vida, é atingido quando intuitivamente ou coincidentemente, sentimos essas forças atuantes.A pratica e a teoria devem andar juntas; portanto para mudarmos nossos pensamentos, devemos mudar também nossas atitudes. Trabalhar em grupo, realizando tarefas corriqueiras do dia a dia, mas em harmonia com a natureza e sabendo relacionar-se com o próximo, é uma forma de exercitarmos essa mudança interna. O relacionamento com o próximo Aceitar o próximo como ele é, se for o caso, a partir daí, tentar a mostrar uma outra realidade, expondo as idéias novas, orientando na medida do possível, sem pressa, sem obrigação, não querendo transformá-lo; mas sim que ele se transforme por livre e espontânea vontade. Se nada der certo, você fez sua parte, e se conforme que ele precisa passar pelo que está passando para poder evoluir.Conforme a Lei Universal da "Ação-Reação”, se você quer ser tratado bem pelo próximo, você deve iniciar um bom tratamento por ele, respeitando, sendo educado, ajudando, ou seja, aquilo que você deseja para si deve fazer ao próximo.Muitas vezes não necessitamos de ajudar o próximo diretamente, que pode causar irritações e discussões; mas apenas oramos para que o Grande-Pai o ilumine, e muitas vezes você vai perceber que isso funcionou e a pessoa conscientemente nem percebe que foi você quem o ajudou. A Família Universal Todos nós, seres vivos temos um REFERENCIAL que tomamos intuitivamente. Não podemos perder a consciência que estamos numa nave chamada Terra, em velocidade de rotação e translação, movimentando junto com a galáxia, que tem como referencia o Sol, que é a força motriz de tudo isso. Existe uma ordem Universal, onde cada um faz seu papel. O Sol tem sua ordem. Numa dimensão macro-Cósmica, o Sol, juntamente com seus planetas, formam uma família, onde a energia masculina é representada por ele e a energia feminina pelos Planetas.Humanizando esses conhecimentos, podemos dizer que o Sol está em constante estado meditativo, onde num alto grau de concentração cria tudo no seu pensamento-forma; portanto, o que chamamos de evolução em função do tempo nada mais é uma forma de organização.O Sol fecunda os planetas através dos ventos solares, criando infinitas formas de vidas, que nada mais são do que embriões de pequenas partículas solares em evolução que vão ultrapassando dimensões até virarem pequenos "soizinhos”, onde se distanciam aos poucos de seus pais, criando outros sistemas planetários. Isso significa que a forma humana em que estamos neste momento é apenas uma das infinitas etapas de evolução dos "filhinhos" do Sol. Essa, então seria a explicação da "alma imortal" que vive na eternidade. A eternidade é um plano onde não existe o espaço nem o tempo, tudo é "uno". O universo é formado de duas forças opostas, onde uma "engole” a outra, o que os cientistas chamam de big-bang. Na filosofia oriental de Yng e Yang. O momento da existência da vida é instante de passagens onde os dois planos se fundem, de importantes momentos onde os “filhotes de estrelas” crescem, e se encontram mergulhados num tempo que se passa em "câmara lenta" em relação ao tempo cronológico. A evolução continua... Os nossos ancestrais andavam de quatro e sua estrutura física era própria para isso; mas ele insistiu em andar de pé, porque era mais rápido e outros motivos. Fazendo uma comparação com isso, o homem atual ainda acredita que precisa dos alimentos para obter os nutrientes necessários a sua vida, e sua consciência ainda está na "horizontal". A partir do momento em que adquirir a consciência de que ele é "filho do Sol", e sentir todo o tempo que está ligado nele por um canal de luz permanente e que pode obter infinita energia, inclusive para sua nutrição. E também desenvolver mais o pensamento-forma, criando com muito mais facilidade os objetos e aparelhos que necessita no seu dia a dia. Para que isso ocorra um dia, é necessário que umas partes dos seres humanos iniciem esses processos, o que já existe. A meditação, junto à consciência do todo, levará a isso um dia. A analogia entre o cérebro e o computador Quando compramos um computador novo, praticamente ele não oferece nada, se não implantarmos programas nele. Na mente humana, algo semelhante acontece, ela responde conforme o que foi registrado; portanto devemos estar muito atento a todos os conceitos e preconceitos que gravamos no cérebro, pois ele pode prejudicar nossa evolução. Esses "programas”, criados por nós mesmos, fica no subconsciente e muitas vezes agem sem controle do consciente. Sintetizando, podemos dizer que o cérebro é como um jarro com água suja, que não pode ser despejada essa água derrepente e colocado água limpa, pois isso seria uma "lavagem cerebral”; portanto que podemos fazer é colocar água limpa no Jarro até transbordar e a cada dia a água vai ficando mais limpa... As chaves para a reflexão. Quem sou? (IDENTIDADE) De onde vim? (ORIGEM) O que viemos fazer aqui na terra? (MISSÃO) Para onde vou? (FINAL)Essas perguntas são as chaves para uma pessoa buscar a sabedoria por si. Mesmo que passe a vida toda buscando e não encontre totalmente, essa deve ser uma meta que dê sentido à vida.
A seguir, relato o que aprendi até hoje, como uma opinião pessoal, sobre essas perguntas.
Quem sou? (IDENTIDADE)Sou a fusão do casamento entre o Sol e a terra, que originou a vida, onde a lua é a aliança desse casamento. Nós seres humanos, fazemos parte de uma cadeia animal, onde cada um está num grau de evolução. Existem várias dimensões de vida. Nós nos encontramos na terceira dimensão, de um plano onde existe comprimento, largura e altura e o fator tempo. Quando habitamos o corpo físico, somos uma pequena luzinha, que através da vida terrena podemos evoluir e se tornar uma grande luz. Como temos aqui o livre arbítrio, podemos ou não evoluir ou involuir.
De onde vim? (ORIGEM)A nossa vida terráquea, como ser humano, é apenas parte de uma conjuntura de reprodução do sistema solar. O Sol é uma estrela e como toda, nasce, cresce se reproduz e morre. É reconhecido pela ciência tradicional, que o Sol lança no espaço uma poeira cósmica que contem partículas de luzes e que parte dessas atinge o planeta Terra, penetrando na atmosfera, pelos pólos norte e sul, formando o fenômeno chamado Aurora Boreal, onde muitas luzes de todas as cores brilham no céu.
Os cientistas também descobriram que em todos os seres vivos aqui na Terra são compostos de uma partícula de Luz, desde uma formiga até uma planta, inclusive nós seres humanos, todos somos constituídos desta partícula. Quando estudamos as células de um ser vivo, entendemos que é um complexo super organizado onde existe um comando central que ordena todas as funções.
Cada forma de vida tem uma intensidade de luz; portanto cada uma é um estágio de evolução dessa luz.
Portanto, pode ser o planeta Terra, o berço de gestação de pequenas partículas solares, que um dia poderão se tornar novas estrelas, onde a Terra é a “mãe” gestante.
E todos nós podemos ser, em nossa essência, filhos do Sol, tendendo a evoluir para uma futura estrela...
O que viemos fazer aqui na terra? (MISSÃO)Aprender amar. Amar é aceitar. É estar em Paz, em equilíbrio com o ambiente que o cerca.
São três formas de amar:
Amar ao criador do Universo (grande Pai)
Amar ao próximo como a ti mesmo (pelo mesmo motivo do anterior)
Amar-se, pois somos frutos do Criador.
Amar é o fator comum para todos nos nesta terceira dimensão; mas cada um de nós tem também uma missão em particular que nos comprometemos a cumprir. Como a densidade na terceira dimensão é envolvente, muitos não conseguem se lembrar dos tempos anteriores a essa vida, ou negam mesmo lembrando, isso causa grandes tragédias pessoais, onde a pessoa pode ser levada antes do tempo previsto. Esse conhecimento pessoal está dentro de nós e é preciso uma dedicação ao seu eu interior, para que possam ser percebidos esses segredos pessoais.
Para onde vou? (FINAL)Quando deixamos essa terceira dimensão, somos recolhidos pelo nosso grande Pai-Sol, através de um túnel de luz, onde temos o livre arbítrio de aceitar ir ou não. Caso não aceite, fica perambulando na terceira e Quarta dimensão até atingir a iluminação. Caso aceite, sobe e é avaliado numa reflexão total, onde através de suas ações e evoluções aqui na terra, irá escolher ou ser encaminhado a níveis superiores, ou retorna à terceira dimensão, ou a dimensões inferiores...
A vida na sua essência, jamais acaba e existe na eternidade, somente as dimensões mudam.
O novo diaNada acontece de um dia para o outro; tudo se transforma lentamente. O grande sistema de organização humana que teve seu momento mais forte na revolução industrial evoluiu desordenadamente, criando principalmente a desumanização dos seres humanos. Como uma grande célula desordenada, acaba estourando e surgindo no lugar pequenas células independentes que tem sua própria fonte de energia que não causa impacto ambiental no planeta; produzem seus próprios alimentos, criam e educam seus filhos sem precisar abandonar-los periodicamente. Voltam a viver em grupos, unidos por uma mesma ideologia. Isso já existe em pequena escala, que são as comunidades rurais, e agora, mais recentes, as Eco-vila. Com a ocorrência da terceira profecia, todo o processo deve acelerar. Isso deve ocorrer próximo ao ano de 2012. Os governos e o sistema monetário se desintegram.Terminaram os preconceitos, e o amor reina no coração dos que restaram. Acreditem se quiser, mas muitas filosofias do planeta se igualam nesta afirmação. No novo dia não haverá mais patrão e empregado, nem hierarquia alguma, todos trabalharão uns pelos outros, visando à harmonia e a evolução humana para melhores níveis de adaptação à vida. A metaÉ criar um núcleo onde possamos aplicar novos costumes e hábitos, a que chamamos de Cultura Integral, e que essa nova cultura tenha como filosofia básica, a busca da perfeita harmonia entre o homem e a natureza. E eduque seus filhos na filosofia da igualdade e humildade, onde não exista patrão e empregado (impostor e submisso), cozinheiro ou padeiro especifico, mas sim que todos sejam um pouco de tudo, revezando nas tarefas e aprendendo um pouco de tudo, desenvolvendo mais a capacidade cerebral. Newman. O TRABALHOAh! Ah! Ah!Todas as teorias do mundo são inúteis se não houver ação, mudança, finalmente evolução. (Nazaré, 29/04/1994) O trabalho é uma forma de reorganizarmos nossa mente, buscando colocar as teorias em práticas; aprendendo a se relacionar com o próximo, aceitando da forma como ele é. Nesse trabalho não visa à rapidez e a quantidade, e sim a qualidade; não se pensa que ele é um peso nas costas; mas sim uma forma de evoluirmos espiritualmente, pois temos que vencer a preguiça do corpo carnal e domina-lo através da mente. O corpo humano não nasceu para ficar parado e sim para se movimentar e não existe um exercício mais completo do que trabalhar em serviços alternados e variados, pois ativa o corpo e a mente.O trabalho voluntário exercita o não egoísmo, a cooperação.A capacidade de saber fazer algo é a maior riqueza (no mundo físico) que um ser humano carrega em si e jamais nenhum ladrão pode roubá-la. A pessoa adquiri valor por sua capacidade de produzir.Manifesto Taoista & Ecologia dos Hábitos
Ely Britto
Instrutora Senior de Alquimia Interna Taoista
Autora do livro I Ching – Um Novo Ponto de Vista
Idealizadora e fundadora da ecovila Viver Simples
www.healing-tao.com.br
Para onde você está indo? Qual a sua direção?
Você já se perguntou profundamente sobre isso??Se ainda não, faça agora, já é hora.
Quantos anos você ainda tem pela frente? Pare agora e pense nisso. Melhor ainda se puder sentir. Use seus sentidos, veja, observe, escute sua alma, tateie caso fique tudo escuro. Use as mãos, os pés, use o ouvido, procure perceber, procure compreender. Para isso use o corpo e os sentidos. Nunca use a mente, ela está atrelada a direções que alguém traçou para você. Ela engana! Mente essa sua mente, enquanto lhe conduz para um abismo incerto. Uma vida sem objetivos não é uma vida!
Qualquer objetivo é valido, mas saiba por que o escolheu e assuma toda e qualquer responsabilidade, pois o seu destino quem traça é você. Aperte os cintos, siga a direção e, como um guerreiro, nunca se deixe desviar, siga a sua bússola! Se oriente rapaz, pela constelação do Cruzeiro do Sul! O mundo está cheio de gente sem direção, o mundo está cheio de “gente-desejo”: corpos e mentes seguindo desejos criados artificialmente por uma sociedade que quer vender a idéia da satisfação. Sentidos aprisionados pela mente e, mente aprisionada por desejos artificiais. Para isso foi criada a teoria das motivações.
Era um dia comum em uma pequena cidade do sul de Minas, a mocinha, linda, bem jovem chega a um ponto de venda de celulares. Namora a vitrine e pergunta; quanto custa um celular bem simples, o mais simples, um pré-pago? A vendedora atenta aponta um pequeno aparelho e diz o preço.
Pausa.., espera.., a mocinha linda já com o pequeno objeto do desejo nas mãos volta a perguntar; e quando custa um com câmera?
Novamente a vendedora retira da vitrine um outro aparelho, agora mais bonito, mais caro sem dúvida. A mocinha linda agora segura dois celulares. ...e volta a perguntar, e aquele que tem GPS, que filma, toca musicas e passa filmes??
Novamente a vendedora retorna a vitrine e retira de lá uma caixa de pandora toda almofadada, um aparelho celular de 1500 reais.
A mocinha linda abandona com desprezo sobre o balcão os dois aparelhos anteriores e, segura feliz a nova caixinha de pandora objeto de seu novo desejo. Começa a fazer contas; quantas parcelas? Aceita cartão?
Resumindo, de um simples celular pré-pago, que resolveria o seu problema de comunicação, a mocinha linda possui agora uma caixa de pandora, está presa a um gasto de muitos reais mensais e o valor alto de um celular pós pago. Naquele exato momento ela perdeu sua liberdade, a caixa de pandora se abriu, perdeu a direção, sua liberdade de escolha foi traída pelo desejo desnecessário.
Aprendemos no taoísmo que o mais é menos, e que o menos é mais. Assim funcionam as coisas no mundo natural. Estranha filosofia para um mundo artificial que nos ensina a cada segundo que o mais é bem mais do que podíamos imaginar e o menos, bem menos do que o que poderia nos contentar. Assim caminham os homens sem direção, escravizados por necessidades desnecessárias e correndo muito para pagar o seu preço.
Se oriente rapaz... pela constelação do Cruzeiro do Sul... se oriente, ou o mundo vai acabar engolindo o ser natural que ainda existe em você.
No Taoísmo prático aprendemos que a solução para salvaguardar nossa liberdade interna, seria permanecer no centro, evitando concentrar nossa atenção na dualidade, manter o coração amoroso observando tudo a partir desse centro. Somente assim preservamos nossa individualidade em um mundo que a cada dia uniformiza mais nações e pessoas, buscando uma unidade forçada à partir do fora, pasteurizando tudo com o objetivo sórdido em manter uma sociedade que só se interessa pelo prazer, pela satisfação imediata inconseqüente e perigosa.
Há leis universais regendo nossa vida.
Quer queiramos ou não, nossas escolhas levam a uma conseqüência. A Grande Tríade, os poderes que regem as mudanças, que atuam alem do nosso livre arbítrio, são implacáveis. Não saber, ignorar, não nos libera das conseqüências advindas de termos feito escolhas que desarmonizam o fluxo dessas leis que regem a vida.
É preciso estar atento...e forte!!
Sempre.
Ecovilas&Mudanças – Construindo Utopias - Uma reflexão
Ely Britto
Idealizadora da Ecovila Viver Simples
Instrutora Sênior de Alquimia Interna Taoist
Pesquisadora do I Ching
Um grupo de 10 pessoas se reuniram para construir uma ecovila no ano de 2005.
Compraram juntos, em Janeiro de 2006, 16 hectares de terra no sul de Minas, nas altas montanhas de Serra da Mantiqueira.
O projeto da ECOVILA já estava pronto quando o grupo se uniu.
Seis meses de intenso de trabalho com uma projetista especializada foram necessários para concluir esse projeto.
Os primeiros parceiros vieram dos cursos de alquimia; alunos e instrutores que assistiram a uma apresentação contendo informações aos prováveis futuros parceiros desse projeto.
Durante um ano discutimos a nossa convenção, solucionamos a parte jurídica e discutimos projetos arquitetônicos ambientais. No mês de Maio de 2008, já terminando a primeira etapa de construções, é chegada a hora dos cuidados com o alinhamento interno com as premissas inovadoras de convivência dentro dessa ecovila. Durante o processo, alguns novos membros foram incorporados ao projeto, outros saíram.
Com as construções em andamento, vários estrangeiros foram naturalmente chegando e hoje, podemos dizer que a Ecovila Viver Simples possui um quadro de fundadores internacional, com canadenses, indianos, romenos e noruegueses entre seus componentes.
Atualmente, temos o mesmo número de estrangeiros e de brasileiros no grupo. Sendo um deles especialista em construir bases de alinhamento entre membros de organizações e comunidades, já tendo participado de processos semelhantes em duas ecovilas, uma na Noruega e outra na Espanha, tal experiência tem sido de grande importância para o nosso processo.
Esse artigo tem por objetivo refletir sobre as mudanças de velhos padrões internos, impressos em nossa mente pela educação urbana, imprescindíveis à construção de um novo mundo em harmonia com a natureza.
“O método correto nas mãos de um homem incorreto será um método incorreto.
O método incorreto nas mãos de um homem correto será um método correto.”
I Ching - O livro das Mutações
Em linhas gerais, uma ecovila é uma associação de pessoas que querem criar novos modelos de vida, mais harmonizados com as leis e forças da natureza. Sair dos grandes centros urbanos, construir de forma alternativa, respeitar o meio ambiente, reciclar materiais, não poluir são algumas premissas. Seus objetivos básicos são:
Ninguém consegue definir com propriedade uma ecovila, cada uma é única. Seus propósitos e objetivos dependem de cada um dos seus integrantes. Milhares delas estão florescendo pelo mundo e nenhuma conseguiu, ainda, realizar plenamente seus propósitos e objetivos iniciais. È difícil delinear tais dificuldades, mas algumas delas já podem ser observadas e estudadas. Algumas ecovilas falham ao definir seus objetivos e os comunicarem claramente aos seus integrantes. Outras, deixam de lado a construção de bases jurídicas sólidas e capazes de amparar suas ações.
Muitas delas falham por falta de planejamento financeiro em prol de uma visão romantizada da realidade. Tendem a endemoninhar o dinheiro, atitude que as impede de compreender o simples fato de que dinheiro é energia e sem energia, nada pode florescer. Não querem o velho modelo econômico capitalista, mas não conseguem estabelecer novos modelos sustentáveis. Muitas contam apenas com doações esquecendo por completo da auto-sustentabilidade, meta que só pode ser alcançada com o desenvolvimento de projetos economicamente saudáveis e, ambientalmente corretos.
Outro fator importante no processo, talvez o mais importante deles, é o alinhamento dos seus fundadores com os propósitos filosóficos e práticos aplicados ao cotidiano de uma ecovila. Regras de convivência são necessárias ao bom funcionamento de qualquer sociedade. Questionamos o velho modelo, mas somos incapazes de criar novos modelos positivos e realizá-los no cotidiano.
É preciso preparar as pessoas envolvidas visando à transição do antigo modelo para o novo. Esta é a tarefa de maior desafio aos integrantes de uma ecovila. O sucesso ou o fracasso na formação de uma ecovila dependerá diretamente do resultado positivo deste processo de transição. Nesse ponto é bom saber que existem modelos eficientes que podem ser aplicados para auxiliar nestes processos de transição.
Resta entender porque não procuramos ajuda quando sentimos tais dificuldades.
Esse artigo pretende refletir sobre esse aspecto, importante para o sucesso de uma ecovila. Os problemas e desafios que enfrentamos na concretização do projeto da Viver Simples me servirão de exemplo e inspiração nesse assunto.
Os modelos de convivência coletiva dentro da sociedade atual, obedecem a estratégias criadas por pessoas inteligentes e poderosas que administram a vida de milhares de cidadãos, de cima para baixo. Acredita-se, dentro do modelo democrático, que os criadores dessas leis foram escolhidos através de votos para defender os interesses e necessidades de seus eleitores. Credenciam-se essas pessoas em eleições que acontecem em tempos determinados dentro das estruturas sócio-políticas democráticas. Mas, normalmente, são os interesses financeiros e políticos que acabam determinando o rumo dessas leis e decisões, e, quase nunca, as necessidades reais da sociedade.
Temos observado na Ecovila Viver Simples que o modelo em rede, presente em todo o processo natural, acontece de forma diferente atuando simultaneamente em todas as direções: vindo de baixo, da terra (nossa mãe) e dos seus processos de mudança afetam a vida no planeta; vindo de cima, dos eventos cósmicos, interferem na vida humana, animal, vegetal e mineral e na própria terra; vindo das outras 4 direções, do homem, sua cultura e meio ambiente, afetam o planeta e a sua harmonia. Tudo está interligado nesse sistema. O conhecimento dos sistemas em rede são imprescindíveis ao processo de transição entre o modelo velho e o natural que deve guiar uma ecovila, se ela quer realmente ser sustentável e viver em harmonia com o universo a sua volta. O conhecimento desse sistema poderá ser a medida exata que determina a direção para onde essa transição nos levará.
Sobre o dinheiro e a economia
Talvez essa mudança de paradigma necessária a uma organização em harmonia com o todo, seja um grande desafio para uma ecovila. Fico observando a economia natural do processo da vida, e concluindo que esse sistema natural, também funciona como uma rede. Observem como não falta nutrientes para uma mangueira dar seus frutos. Ela simplesmente se enche de dádivas, flores e frutos e os deixa cair maduros para alimentar quem vier,.. e se nenhum ser dela se alimenta, suas mangas caem ao solo e brotam centenas de pés de novas mangueiras! Isso não é lindo e generoso? Na natureza nada se perde, tudo se transforma em mais riquezas e dádivas!! Existem diversas correntes de novas economias sendo estudadas agora, e o Frijof Capra talvez seja o autor mais conhecido a tratar das rêdes de economia solidária. Vale a pena ler seus livros chamado Conexões Ocultas e Teias da Vida como fonte de inspiração.
Podemos sim, usar o dinheiro de uma forma diferente, medindo o lucro pela capacidade de transformação das pessoas e comunidades circunvizinhas e não pelo lucro financeiro tão buscado pelas organizações e empresas no nosso mundo. Quando trabalhamos a terra, ela nos responde, se cultivamos o dinheiro como energia pura, como provedor do bem estar e da prosperidade natural, teremos recursos para seguir adiante e construir uma nova economia.
Muitas ecovilas morrem por falta de recursos, elas não conseguem construir uma nova relação com o dinheiro e param de funcionar. Uma das nossas fundadoras estrangeiras ajudou no passado a montar duas ecovilas. Quando esteve aqui perguntei o que deu errado com elas, e ela prontamente respondeu; terminaram por falta de recursos, seus fundadores tinham uma visão inadequada do dinheiro, e acreditavam que poderiam viver sem ele. Uma das razões dessa fundadora se integrar ao nosso projeto foi o nosso plano econômico auto sustentável, onde viu a possibilidade real dessa ecovila florescer.
Nosso plano econômico de construção é simples e visa a utilização de seus recursos extras no próprio projeto, em seu crescimento e sustentabilidade. Nesse modelo, desestimulamos completamente o lucro como bem pessoal e o utilizamos na melhoria das comunidades locais. O dinheiro é energia, e quando o desprezamos, desprezamos também uma energia poderosa de realização. Fazer essa energia circular, crescer e proporcionar o bem das comunidades é uma solução alternativa, altruísta e nova.
Ter vários modelos que possam levar a esse resultado, e experimentá-los na prática, seria a opção mais recomendável. Muitos novos bancos estão sendo abertos pelo mundo visando apenas o crescimento das populações pobres e sua inserção no mundo moderno e civilizado.
È possível a coexistência de uma economia solidária com os cuidados com o meio ambiente e uma vida natural. O que não ajuda é essa irritação que notamos nos alternativos quando o assunto é dinheiro. Há um grande equivoco nessa área que dificulta a sobrevivência das ecovilas. Ver o dinheiro como uma energia capaz de melhorar a vida de todos e beneficiar as populações locais, e não como fim. Ver o lucro como resultado da melhoria na qualidade de vida, em vez de um meio para alimentar nossa carência de consumo, é vital para a concretização de uma ecovila saudável. Tanto o dinheiro quanto a energia são neutros, nós humanos é quem damos a ele a qualificação de bem ou mal, tudo depende de como e com que finalidade aplicamos essa energia.
Sobre um modelo novo de relacionamento e tomada de decisões
Democracia? Centralização de poder? Monarquia? O mundo moderno passeia entre essas 3 formas de relacionamento sócio político e nenhuma delas cumpre suas metas e princípios. Um poder para ser legitimo precisa ser amparado em conhecimentos e habilidades , e o consenso não existe. Essa idéia romântica tem prejudicado muitas ecovilas na solução de seus conflitos. Existem conflitos quando não existe maleabilidade e abertura para as mudanças; e o que mais dificulta é a desconfiança e o autoritarismo. Modelos circulares de gestão, conselhos, liderança espiritual, trabalhos de alinhamento do grupo e meditação em comum, tem sido algumas das soluções aplicadas nas sociedades alternativas como é o caso de uma ecovila.
Na Viver Simples preenchemos um questionário e o estudamos durante 6 meses o tipo de gestão preferida pelos seus fundadores. A mais votada e escolhida foi a gestão por conselhos. Já temos o sucesso do conselho de construções e do financeiro que possibilitou a construção rápida e eficiente de nossas unidades.
Ainda não sabemos como vão funcionar os conselhos de marketing, soluções, produção e manutenção, mas já sabemos que as pessoas que são eficientes nessas funções, terão o apoio e a confiança total de todo o grupo. Acredito que o sucesso desses conselhos vai depender da capacidade de cada um em assumir suas responsabilidades, usar seus conhecimentos, aprender a aprender, a funcionar em rede e tomar as decisões necessárias, comunicando de uma forma transparente suas razões e motivos.
A transparência e os relatórios enviados ao grupo, a votação dos assuntos contraditórios, e sem duvida alguma, o resultado positivo final de decisões que espelham o modelo natural a que nos propomos, é imperativo para que esses conselhos conquistem a confiança da maioria . Esse tipo de gestão só pode ter sucesso em pequenas comunidades, onde é possível uma discussão rápida e uma tomada de decisão com o apoio de todo o grupo.
Todas as vezes que tivemos divergências na Viver Simples, recorremos a nossa convenção, e ao bom senso. A abertura para a mudança dos insatisfeitos, e o objetivo essencial do projeto voltou a ser prioritário e as coisas puderam retornar naturalmente ao normal. Acredito que um projeto bem estruturado, que mova as pessoas pelo coração, seja imprescindível para resolver divergências e vontades pessoais que não se harmonizam com seus objetivos finais. Sem um projeto claro, apaixonante, que mova as pessoas em sua direção, fica muito difícil resolver conflitos.
Sobre auto - sustentabilidade e mão de obra
No mundo capitalista e pretensamente democrático onde vivemos, muitos trabalham duro ganhando pouco, para que poucos tenham recursos e se divirtam gastando muito. Uma sociedade alternativa não pode repetir esse modelo incompatível com a auto-sustentabilidade de uma forma alternativa de vida . Nossa educação nos prepara para o ter e o pensar e muito pouco para o ser e o fazer.
As tecnologias de construção alternativas e tradicionais estão nas mãos de homens simples que moram nas zonas rurais. A Ecovila Viver Simples demorou muito para perceber que o conhecimento que precisávamos estava bem ali, no próprio local de nossas construções com os empreiteiros tradicionais locais. Durante a construção de nossa primeira etapa, tivemos a oportunidade de vivenciar a sabedoria natural dos homens da terra que sempre ajudaram seus pais e avós a construírem de uma forma alternativa! Até descobrirmos isso, tivemos uma série de revezes com técnicos cheios de idéias de como a natureza se comporta, e pouca disposição em fazer o que queriam ensinar.
No meu entender, uma ecovila é única, e seus processos de construção devem nascer da própria terra, do seu clima e sua localização geográfica, e esse processo não acontece em mesas de reuniões com técnicos urbanos, mesmo os formados em bio-construção, quando tentam impor conhecimentos padronizados a algo tão vivo e mutante! Envolver empreiteiros locais e participar pessoalmente dessa construção traz benefícios econômicos e sociais para a região, alem de promover uma recuperação de uma tecnologia que de outra forma seria esquecida e desapreciada.
Temos ainda um outro desafio pela frente; o que vamos fazer com os serviços necessários ao funcionamento diário de uma ecovila? Quem fará os trabalhos necessários para o plantio, a reciclagem, a limpeza e manutenção funcional de toda uma ecovila?? Na fase final da primeira etapa da Viver Simples estamos nos reunindo para tratar disso. Uma coisa é certa; não vamos ter empregados. A relação patrão empregado é muito contaminada, e está se disseminando mesmo nos meios das comunidades tradicionais com as de Morro Grande no sul de Minas, onde está situada nossa ecovila. Ali os proprietários de terra, mesmo os analfabetos e simples, empregam os mais desocupados em seus serviços de capinagem, plantio e cuidados com o gado. A economia solidária tradicional foi perdida.
Pretendemos testar algum sistema de cooperativa, usando como modelo a relação solidária e natural que existe entre as plantas amigas. Esse modelo natural de solidariedade vegetal, onde uma planta de uma determinada espécie ajuda a outra a crescer, dando sombra e suporte a uma outra maior até o seu pleno desenvolvimento, poderá ser uma inspiração muito útil. Fundadores, voluntários e amigos, devem se inserir nessas atividades e acreditamos que poderemos reconstruir uma sociedade mais cooperativa onde todos trabalham e todos ganham sem a necessidade de vínculos empregatícios.
Um sistema legal simples de Comodato, muito parecido com o sistema de troca, deve ser testado, e muitos outros, até chegarmos a um que funcione. No sistema de Comodato, a necessidade de um, pode ser acoplada a necessidade de outro e assim todos ganham. Esse sistema tem sido usado na Bahia, pelos cacauricultores, que com a crise da vassoura de bruxa não puderam mais arcar com as pesadas quantias do vínculo empregatício. Seu funcionamento é muito simples; o cacau e outras culturas mais demoradas, coexistem com plantios de curta duração, mais utilizados nas comunidades agrícolas tradicionais. O agricultor e alguns amigos se unem em uma associação, plantam suas necessidades básicas de alimentação nas terras do proprietário, e cuidam em troca das plantas com tempos mais demorados de colheita que ficam para o proprietário das terras.
Esse modelo pode ser aplicado como modelo alternativo desde que ambos, agricultores e proprietários da terra, trabalhem juntos. Imagino para nosso futuro, uma grande cooperativa de produtores orgânicos, a ecovila entre eles, plantando, tirando da terra sua alimentação e recursos. Todos seriam auto – sustentáveis no que precisam para comer, e essa cooperativa venderia o que a natureza gerou a mais, comercializando essa produção extra e gerando melhoramentos para todos! No trabalho de funcionamento da cozinha e das unidades de acomodação de visitantes, a Viver Simples procurou resolver essa questão tornando cada morador proprietário de dois quartos. Assim, eles mesmos se responsabilizam pelo funcionamento perfeito de cada unidade. Nossa cozinha pode funcionar com um revezamento dos fundadores que são bons cozinheiros. Os participantes desses eventos, podem ajudar como voluntários nas tarefas de funcionamento desse espaço, cuidando das atividades necessárias em troca do valor do curso.
Esse sistema é muito utilizado nas comunidades que visitei no estrangeiro. O importante é nos manter longe dos vínculos empregatícios e das relações viciosas entre empregados e patrões. Cooperação e trabalho solidário trazem sempre bons frutos e sucesso! Gente que trabalha, tem pouco tempo para conflitos e divergências. Um corpo cansado terá sempre um enorme prazer quando estiver descansando. Uma pessoa sedentária terá sempre uma mente complicada e um emocional desequilibrado, procurando desavenças para encher sua vida cheia de tédio.
Sobre saúde natural e conhecimento partilhado
Seria muito triste viver numa ecovila onde as pessoas precisem de seguro saúde, e quando estivessem doentes, tivessem que viajar a um grande centro urbano e se tratar em um hospital. Sem duvida alguma que essa necessidade pode vir a acontecer, mas preferimos evitar com prevenção. A medicina moderna está a cada dia mais mercantilizada. Os tratamentos seguem protocolos nas dosagens das medicações que são produzidas pelas milionárias multi- nacionais dos remédios.
Uma medicina alternativa pensa na preservação da saúde e muito pouco em doenças. Uma ecovila auto-sustentável deve criar um projeto inteligente e eficiente de preservação da saúde natural dos seus integrantes. Alimentos saudáveis sem agrotóxicos, plantação de ervas medicinais, contato com raizeiros locais e terapeutas alternativos, centros com várias práticas de prevenção da saúde, cuidados com a qualidade da água, a prática de exercícios diários de circulação e multiplicação da energia vital do corpo, são fatores importantes que pretendemos implantar.
A Viver Simples tem realizado pesquisas locais para a formação desse centro de saúde desde o inicio de sua construção. Foi feito contato com bons raizeiros locais e cadastramento de ervas naturais usadas pela população para a cura e preservação da saúde. Em nosso projeto temos a construção de uma UTI natural, onde pessoas idosas podem se preparar para morrer em paz, sem as torturas dos tratamentos hospitalares que não respeitam a morte e querem evitá-la a qualquer custo, mesmo quando o paciente já tem 90 anos de idade e precisa concluir o seu ciclo natural de vida/morte. Quase todos os fundadores de nossa ecovila praticam exercícios diários para a circulação e multiplicação da energia vital através de fórmulas milenares tradicionais de preservação da saúde.
Sorrir, rir muito, é uma das melhores formas de preservar a saúde. Vejo no futuro nossa ecovila cheia de doutores da alegria fazendo todos rirem pelos menos 5 vezes por dia. Uma boa gargalhada cura mais do que qualquer medicação. Sem humor não é possível preservar nossa saúde! A Ecovila Viver Simples fechou parceria com um proprietário de terras vizinhas que é um dos participantes da organização Doutores da Alegria. Vamos aprender a criar situações cômicas e cuidar todos os dias de nossa saúde sorrindo muito! Gargalhando se for possível, mas sempre rindo!!
Falta em algumas ecovilas um projeto realmente abrangente nessa área. Mudar para junto da natureza, comer alimentos sem agrotóxicos, somente, não garantem a preservação da saúde. Se assim fosse, homens do campo que comem alimentos sem agrotóxicos e que possuem uma vida movimentada e plena não adoeceriam. Meios alternativos de todo tipo podem inspirar um bom projeto de saúde para os moradores de uma ecovila. Somente assim podemos construir uma auto - sustentabilidade verdadeira nessa área. A independência na cura de doenças e preservação da saúde é vital nesse processo!
Nossa ultima reflexão é sobre o conhecimento compartilhado. Gosto de pensar que quando Jesus disse que não deveríamos cuidar dos tesouros da terra e sim construir tesouros no céu, onde as traças não podem comer, estava falando do conhecimento e de sua duração. O conhecimento nunca se perde, e esse tesouro deve ser compartilhado com todos. As zonas rurais onde estabelecemos as ecovilas, são carentes desses recursos, e creio ser um dever, compartilhar conhecimentos com as populações locais. Trazer meios para criarem uma melhor qualidade de vida financeira, mental, emocional e cultural, é uma obrigação nossa.
O projeto abarca o trazer melhorias positivas para a região de Morro Grande, fomentar novas tecnologias de trabalho agrícola, cursos de arte e desenvolvimento dos talentos locais. Treinamento na gestão dos recursos para a construção de sonhos pessoais e tudo o que possa trazer mais independência e sabedoria para as comunidades vizinhas.
Como nossa ecovila está situada no sul de Minas, e todos sabem da dificuldade e da desconfiança do mineiro com coisas inovadoras, vamos começar pelas mulheres locais e suas instituições religiosas. Vamos participar de suas atividades e á partir daí, ir introduzindo aos poucos os conhecimentos necessários a seu desenvolvimento pessoal.
Tivemos uma boa experiência nas construções alternativas com a troca de conhecimentos dos construtores locais e o material novo sobre os modelos de construções alternativas que pesquisamos. Aprendemos com interesse e respeito seus conhecimentos tradicionais e somávamos a esses, as novas tecnologias de bio- construção, sem que houvesse incompatibilidade entre elas.
O resultado final desse intercâmbio gerou um novo corpo de conhecimentos mais rico e eficiente para ambas as partes. Acredito que através desse respeito e amor pelo conhecimento tradicional local, podemos aos poucos ir introduzindo a leitura, usar as conversas ao pé do fogão aproveitando para trocarmos experiências e abrir uma porta para empreendimentos mais desafiadores no futuro. Para se instalar verdadeiramente algo novo, precisamos conhecer profundamente o que há, e sempre começar à partir da realidade em que se encontram e bem devagar ir instalando mecanismos de mudança.
Acredito que a fundação e, a construção de uma ecovila, acontece em um tempo não linear. Como a natureza, ela também obedece a ciclos, nasce, amadurece e morre sempre construindo algo novo á partir do velho que morre. O novo algum dia será velho, e também morre dando espaço para uma nova vida. A ecovila que perdura deverá ser a menos permanente, a que se abre a cada dia para as mudanças.
O livro das mutações, o I Ching nos ensina, que a única coisa que perdura nessa vida é a impermanência. Se a cada dia nos abrimos para as mudanças e criamos condições internas bem positivas, poderemos vencer os desafios permanentes que surgem no processo da manifestação plena de uma ecovila. Somente assim podemos nos alinhar com os processos naturais, e aceitar que nenhum modelo único poderá funcionar numa ecovila verdadeira, sem ferir seu objetivo essencial que é ser mutante e bio-diversa como a natureza!
Qual a importância de um RELÓGIO SOLAR numa ECOVILA?
Acreditamos que o relógio Solar representa o nosso arquétipo do astrônomo íntimo, é como se desenvolvendo o conhecimento do seu funcionamento estivéssemos conversando com nosso bisavô...
Toda comunidade humana esteve de uma forma ou de outra, ligada ao relógio solar, começando pelos Egipcios (o registro mais antigo conhecido do uso do relogio solar), passndo pelos povos da antiguidade, das américas e incluindo nossos indígenas Tupis-Guaranis, principalmente os Guaranis.
O Relógio Solar é um calendário da comunidade, resume em si conhecimentos de astronomia, geografia, história, matemática, ótica, e tem um design de estrema beleza- pois que é o "designer" é o próprio Sol, com seu movimento aparente no céu, rebatido na Terra, marcando os Solstícios e os Equinócios, que marcam o início das Estações do Ano, as épocas para plantio, as luas, as chuvas, os ventos e criam um espaço comunitário de encontro, conhecimento e lazer . A civilização pós revolução Industrial, agrupava-se em torno dos já relógios mecânicos nas torres dos campanários nas cidades emergentes, como prova de "status". A noção do tempo mecânico, desvinculado com as estações do ano e com o movimento solar, trouxe-nos uma falha percepção do tempo...e do Universo.
O relógio Solar, resgata de alguma forma esse encontro com os "céus", ficamos de bem, novamente, com o Sol e com a Lua, passamos a entender o seu trajeto e disso tirar proveito para melhor edificar nossos abrigos, trazendo o Sol para dentro ou não, como bem escolhermos, melhoramos a iluminação natural, economizamos energia elétrica e usamos os raios ultra-violetas nas manhãs para purificar nossa água e nossos ambientes.
O relógio solar mostra que o TEMPO É ÚNICO para cada um de nós, porque, estamos cada um num local do planeta(latitude e longitude) e vivemos - de verdade - em tempos distintos, estando juntos.
Ola,
Gostaria de compratilhar idéias com pessoas que tenham qualquer tipo de interesse/experiencia na uniao do ecoturismo com a Permacultura.
Bom dia,
Eu trabalho voluntariamente em uma OSCIP que atua em uma comunidade quilombola no noroeste mineiro. Eu, meu marido e pais de alunos estamos fazendo alguns projetos dentro da escola (separação do lixo, composteira, minhocultura, horta...). Mas, nesse nosso último projeto de minhocultura apareceram muitas formigas lava pé. Gostaria de saber se alguém conhece alguma forma para evitar esses insetos. Muito agradecida, Simone
então, eu tenho muita vontade de conhecer Piri, focando principalmente nesse lado sustentavel e tal. Daí to dando ideia já para usufruir :D Tipo, montar periodicamente grupos de visitas para conhecer. Conhecer o Ecocentro, suas ideias, seus projetos já em pratica.
Axo interessante as ideias do ecocentro e dou os parabens para os idealizadores. e espero ter o prazer de conhecer um dia.
Quanto a formação do grupo: to deeentro!
Olá Pessoal,
Tim Maia, digo, Síndico, não sei se estou postando isso no lugar certo, se estiver errado me indique o melhor lugar, ok? Já peço desculpas de antemão.
Coloquei um vídeo sobre um pouco do que vimos sobre geobiologia no curso de ecovilas sábado passado. está no blog: http://blog.geobiologia.com.br .
Para quem não anotou o site da aula gratuita aí vai mais uma vez: www.geobiologia.com.br/endis .
Ainda estou editando mais alguns vídeos, que quando estiverem prontos passo o link.
Abraços e foi um prazer estar com vocês!
Allan
A proposta de implantaçao de diversas bio-eco energias auto-sustentaveis
considerando novas demandas,
considerando novas tecnologias mais eficientes
por exemplo um painel solar para carregar celular
buscando uma eco eletro alternativa bio não apenas combustivel.
Agradeço as contribuições.