Curso Ecovilas 2008

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Histórico da Ecovila Felicidade

Publicado em 10.04.2009 18:25:35
 
Última edição em 10.04.2009 18:25:35
 
Criado em 10.04.2009 18:25:35
 

 

 

HISTÓRICO DA POLÍTICA DA ECOVILA FELICIDADE

Saulo Xavier

Política Estratégica Integrada e Sustentável para Instalação da Ecovila Felicidade

 End.: Alameda Primavera,02 . Porta do Sol / Altiplano Cabo Branco

CEP : 58046-765 - João Pessoa -PB

Brasil

Fones.: 0055 83 8620 4289 e 83 3042 7470

Skype: sauloxavier

MSN:ecovilafelicidade@hotmail.com

E-mail:sauloxavier@uol.com.br

   Blog: http://ecovila.felicidade.zip.net

A iniciativa para o empreendimento Ecológico e Social Ecovila Felizcidade é o resultado de uma vida dedicada à movimentos sociais e ecológicos e à mudança socioecológica através da soma sinérgica de práxis de pesquisa, ensino universitário e de economista. O interesse Histórico essencial das minhas atividades profissionais tem sido a práxis do Desenvolvimento Sustentável.  As minhas atividades profissionais sempre foram como economista, professor universitário e pesquisador de/ para movimentos sociais e ecológicos, em organismos governamentais e em instituições da sociedade civil em apoio a esses movimentos. Quando no exercício dessas atividades eu tive oportunidades de confirmar uma intuição nascida em minha  juventude: o potencial / realização de destruição e de auto-destruição de nossas culturas hegemônicas regidas, hoje pela economia global.  Como conseqüência dessas intuição e atividade profissional eu empreendi um trabalho de pesquisa profundo, prolongado e radical sobre os estilos de vida que representassem uma alternativa à aquela destruição. Nos últimos anos guiei minhas atividades para o Desenvolvimento Sustentável, que percebo em síntese como:  O que mantém e desenvolve a vida, humana e de outras formas de vida que dependemos para viver como humanos. 

A partir de 1989 empreendi aprofundamentos de pesquisas e estudos anteriores, procurando compreender o processo global de reestruturação de nossos economias e sociedades – globalização - e suas conseqüências para o mundo do trabalho no Brasil, que teoricamente resultam em minha dissertação: Novas Tecnologias, globalização e Impactos para o Trabalho no Sistema Financeiro Brasileiro. Nessa atividade empreendi um estudo amplo sobre o novo momento tecnológico global, aplicando-o empiricamente ao sistema financeiro brasileiro, segmento da economia onde este tipo de tecnologia estava mais avançado.  Posteriormente, limitei os meus estudos sobre globalização, especialmente à nossas regiões rurais do Nordeste e Amazônia brasileiros, objetivando orientar a minha práxis como ator de movimentos sociais, ecológicos e, portanto políticos. Nessas atividades deparei-me com os enormes problemas contemporâneos: as crises sociais recorrentes e o desafio ecológico* que a humanidade vive hoje e vai crescentemente se defrontar nas próximas décadas. Em reação aos problemas sociais e ecológicos históricos da Humanidade, agravados pela reestruturação das nossas economias e sociedades – globalização-, sob os olhos dessas pesquisas, estudos e práxis vi/ percebi/ compreendi que as necessidades da vida social e ecológica globais nas três últimas décadas produzirem conjuntamente as atuações dos movimentos sociais e ecológicos, uma Nova Sociedade Civil, as práxis de Desenvolvimento Sustentável, os Programas de Responsabilidade Socioecológica e os Recursos de Doações para soluções de problemas sociais e ecológicos. Em 2004 concentrei  minhas  pesquisas anteriores no tema de Ecovilas e Desenvolvimento Sustentável,  quando permaneci entre 2004/2005 como pesquisador visitante da Universidade Livre de Berlim, resultando na Política Estratégica par Instalação da Ecovila Felicidade. A partir de 2006, exilado social e  ecológico  de todas as universidades onde trabalhei, decidi deixa-las.  Minhas atividades atuais consistem em: Conceber, planejar e conjuntamente realizar de planos, programas e  projetos de captação de recursos de doações da Sociedade Civil  para programas sócio ambientais e de pesquisas de  instituições, organizações governamentais e universidades;  Concepção, planejamento e realização conjunta de planos, programas e  projetos de Desenvolvimento Sustentável,sobretudo nas áreas de  turismo, - hotéis, pousadas, etc.- e agricultura - ( SítioEcológico )-; Ensino, pesquisa e prática em captação de  recursos, inclusive para a Ecovila Felizcidade que concebeu, planejou  e gerencia a instalação, num convênio com a FUNAPE / UFPB.

 Portanto, em síntese grande parte dos meus esforços de minhas atividades consistiram na realização de empreendimentos de pesquisas que através de instrumentos teóricos, metodológicos, empíricos e práticos, permitiram-me criar uma metodologia sistêmica/ Holística/ Ecológica de análise/ síntese das realidades para pensar, sentir e agir no mundo. Foram os resultados desses empreendimentos de pesquisa e atuação prática – pesquisa prática - que me permitiram explorar e atuar em áreas tão diversificadas e, hoje conceber e planejar a complexidade de uma Vila Ecológica.  Isto significa que o insight para a criação de nossa Política não é apenas decorrência de uma visão teórica, e sim mais de uma práxis vital histórica.

 “Ao lado de influências geracionais, mais gerais, numa perspectiva dos atores ecosociais individuais as ações que resultam em processos pessoais e sociais inovadores são resultados de experiências distintas dos estilos e modos de vida normais, hegemônicos em qualquer cultura. São resultado de circunstâncias de vida aliadas á buscas conscientes, incomuns.” 

 “Produzi em mim o ser humano que sou, sempre  conscientemente auto-construindo-me, através de minhas circunstâncias de vida e de uma permanente busca e pesquisa para compreender o mundo que nos molda: experiências pessoais e profissionais, viagens, terapias, pesquisas e estudos aprofundados, igualmente empíricos sobre sobre mim, sobre o ser humano,  nas nossas relações na vida em sociedade e com a natureza, produtos da História, de nossas circunstâncias e consciências. A partir das conclusões dessas experiências construo-me. De um lado, vivo e afasto-me dos estilos e modos de vida, embrutecidos e insensíveis, dominantes nas vidas social e ecológica contemporâneas, provenientes em síntese da economia global. De outro lado, procuro, tento e crio estilos de vida e estratégias que mantém e desenvolvem a vida humana e outras formas de vida. Uma trajetória que resulta e concretizamos hoje no empreendimento ecosocial Ecovila Felizcidade, uma vila ecológica. [1]

 O que me conduz á instalar a Ecovila Felicidade inicia antes de mim com a História de meus ancestrais no sertão semi-árido do Nordeste brasileiro, na Paraíba, uma região onde quem nasce lá “luta ou morre”. Lembrem-se de de Os Sertões de Graciliano Ramos: “O Sertanejo é antes de tudo um forte”. Meu bisavô um franco lusitano foi um desertor do exército português em Salvador. Completou sua emigração ao deixar o exército e fugir para o sertão nordestino, onde instala-se na Serra de Teixeira, Paraíba. Casa-se com minha bisavó, descendente direta das nações indígenas Cariri e Surucucus. Ele foi educado na Europa o que lhe permitiu aqui acesso no “Grand Monde” da Política, contribuições que passa a seus descendentes. Minha bisavó educa-nos com as contribuições de sua cultura “ A compaixão, a luta para preservar todas as formas de vida e o prazer de viver”.

 Filho mais velho entre seis irmãos, meu primeiro desafio vital ocorre aos seis anos de idade com a morte de meu pai. Fui viver num orfanato para crianças pobres e miseráveis em Campina Grande, na época um dia de viagem de minha família. Aí aos seis anos já trabalhava na agrícultura para produzir parcela de nossos alimentos e pagar parte da reprodução de minha vida nas atividades agrícolas desse colégio. Perdia portanto á um só tempo meu pai e a convivência com minha família. Conheci aos seis anos o abandono, o isolamento familar e, filho da aristocracia rural do sertão conheci a fome, a luta diária para produzir e conseguir alimentos e, enfim sobreviver  e viver .

 “Ganhava de outro lado: esses desafios iniciais numa fase significativa de formação da minha vida, segundo a psicologia clínica me sensibilizariam potentemente para o sofrimento humano e o convívio com a natureza em substituição ao conforto afetivo familiar e ao suprimento da reprodução material assegurada na família. O fato de pertencer a uma família privilegiada economicamente, que fornecia uma ajuda financeira ao colégio e que conseguiu através de sua influência política uma ajuda da prefeitura de Campina Grande para o colégio com a minha entrada e me levava lanches não impedia que meus lanches representassem mais um desafio: Tinha que lutar com as outras crianças para conseguir manter e usufruir dessa alimentação. De porte médio e franzino fui obrigado pelas circuntâncias a desenvolver poderosamente a inteligência para poder sobreviver nesse meio hostil de luta diária pela sobreviviência. Ficaria em internatos até aos 17 anos e praticamente nunca mais voltaria ao convívio familiar de modo mais permanente. Fui um desafio enorme e brutal esse shape que moldou de modo inicial minha vida.

A década de 1970 traria novos desafios.  Em 1971 inicio um relacionamento afetivo e amoroso que inclusive me daria depois meu único filho. Também em 1971, influenciado por parte de minha família entro na universidade em engenharia -UFPB em João Pessoa - que troco por economia em 1973, uma escolha mais pessoal, mais consciente e mais de acordo com; de um lado, minha angústia pessoal produtiva de compreender/ atuar na vida social e, de outro lado, com minhas inteligências mais significativas: verbal/ linguística e lógica.  Essas, heranças de minha família de empreendedores comerciais, da agroindustriais, agropecuários e políticos não profissionais.  1973/74 também inicio a prática da yoga, meditação e do vegetarianismo. Portanto, inicio nesse período a organizar minha compreensão do mundo através de pesquisas teórico-metodológicas e em parte delas também empíricas em ciências sociais e humanas.  Sobretudo, em economia política, filosofias, sociologia, História psicologias clínica e social, críticas. Em 1974 inicio as terapias, de grupo – 08 anos -. Com as pesquisas objetivava, de um lado compreender-me e, de outro estruturar uma metodologia de análise da realidade, como base de minha prática envolvido com movimentos sociais e ecológicos que inicio também nesse período. Em 1974 também sou convidado por um professor para ingressar num grupo de trabalho com comunidades populares que conseguiu destaque na Secretaria do Planejamento no Governo da Paraíba. Essa experiência que me dá formação em duas áreas: planejamento/ participação popular e em elaboração de projetos/ captação de recursos,  experiências que me conduzem em 1977 a perder o trabalho por motivação politico-ideológica, faltando 16 dias para meu filho nascer. Essas dificuldades me empurram para o exílio politico na Alemanha entre 1977-1980. 

 Fui orador da turma ao concluir o curso em 1976 no período de 1974 a 1977 dei assessoria à associações/ comunidades populares em Mandacarú, um bairro da periferia de João Pessoa, envolvido na pastoral urbana dirigida pelo Arcebispo da PB D. José Maria Pires. – Dom Pelé - Em função dessa experiência consegui na minha turma de formatura que o Dom José  fosse patrono da turma, o que na época visou evidenciar o trabalho de resistência de Dom José à ditadura militar.

 O exílio na velha Alemanha/ Europa. A experiência na Europa mudaria minha vida de vários modos, mas sobretudo por três principais: 1) matar o pouco que restava de ilusões que carregava em minha formação no “Mito do Desenvolvimento” das nações mais industrializadas ao perceber, já aí no final da década de 1970, através do movimento ecológico na Alemanha e de muita pesquisa social o desastre ecológico para a humanidade que é produzido principalmente pelas nações e regiões mais industrializadas da Terra. Aprofundava a crítica ao Mito do Desenvolvimento que ainda hoje na América Latina e  no mundo menos industrializado é centrada na questão social; 2) A necesidade de integrar em minha pessoa e em minhas ações os sentimentos e a racionalidade, resultante nesse momento de um aprofundamento da percepção do mundo através do sentimento e da sensibilidade. Ao chegar na Alemanha não conhecia a lingua alemã, o que me impôs um período de enorme introspecção; 3) e necessidade de aprofundar a integração de conhecimentos em minha formação, distintamente da fragamentação/ especialização característica do pensamento ocidental e dominante no meio acadêmico. A Europa significou uma abertura à outras culturas, a primeira experiência de viver numa comunidade / Ecovila urbana com poderosa influência ideológica do maio de 1968. Num ambiente universitário em, que os estudantes dos países menos industrializados assim chamados de “Terceiro Mundo” tinham seus diplomas rejeitados e eram obrigados a completar em média por dois anos seus estudos de graduação para conseguir ingressar numa pós graduação, consegui ser admitido num doutorado de História, sociologia e política na Universidade Philipps de Marburg, o terceiro centro da esquerda alemã após Bremen e Berlim. Trabalhei 2 meses de férias como operário na maior fábrica mundial da Mercedes, em Sindelfingen/ Stutgart conhecendo de modo empírico o “chão da fábrica”. Numa parte da experiência Alemã convivi / assessorei informalmente sindicalistas portugueses trabalhando na Alemanha.”

 Voltando do exílio, dava continuidade às experiências com movimentos populares, durante quase toda a década de 1980 e, sobretudo financiado com meus próprios recursos, assessorei e orientei os camponeses nas lutas pela terra na zona da mata paraibana, integrado num movimento que a nível local participa na criação do MST nacional.“

 Portanto, em síntese grande parte dos meus esforços de minhas atividades consistiram na realização de empreendimentos de pesquisas que através de instrumentos teóricos, metodológicos, empíricos e práticos, permitiram-me criar uma metodologia sistêmica/ Holística/ Ecológica de análise/ síntese das realidades para pensar, sentir e agir no mundo. Foram os resultados desses empreendimentos de pesquisa e atuação prática – pesquisa prática - que me permitiram explorar e atuar em áreas tão diversificadas e, hoje conceber e planejar a complexidade de uma Vila Ecológica.   Foi uma profunda, intensa e longa trajetória, quase sempre complicada e difícil, afastar-se da práticas dominantes da especialização/ fragmentação do pensamento/ ação dominantes nas ciências, na tecnologias, no governo, nas empresas, na sociedade atual enfim. Desde cedo discordei da visão fragmentada do mundo hegemônica em nossa cultura, da abordagem reducionista  da nossa ciência e do exercício da profissão orientando quase que exclusivamente pelo uso maciço de Hard tecnologia,  e , sobretudo combinados com o princípio hegemônico no  mundo empresarial, globalmente: o de que ganhar dinheiro é mais importante do que os seres humanos, a natureza, a democracia e quaisquer outros  valores.

 

 De um lado, a fragmentação / especialização é a prática em que os cientistas, técnicos e “experts” procuram especializar-se cada vez mais em cada vez menos parcelas da realidade, significa conhecer quase tudo de quase nada, em síntese, conhecer quase nada.  De outro lado, fazer ciência como prática dominante consiste em fazer análise. Realizar ciência significa seguir o reducionismo típico, a práxis mais comum da ciência moderna, a crença em que  todos os aspectos dos fenômenos complexos podem ser compreendidos se reduzidos às suas partes constituintes.  A partir de então se emprega a análise.  A análise consiste em decompor um pensamento ou um problema estudado em suas partes componentes, dispó-las em ordem lógica, estudar as partes principais e daí tirar conclusões generalizando-as para o todo. Em realidade esse procedimento dominantemente é o próprio método científico,  o “moderno” pensamento científico. Essa divisão do conhecimento tem sido acentuada como resultado da prática empreendedora cega desde os primordios do capitalismo, visando a acumulação - acumular riqueza econômica e poderio militar a qualquer custo-.  Essa especialização concretiza-se na História da ciência capitalista desde Adam Smith  -in A Riqueza das Nações -, passando por Frederick Taylor e atinge sua predominância com o Fordismo. Muda um pouco hoje com os novos momentos tecnológicos dos pós-fordismo/ produção flexível/ just-in-time. No entanto, o dominante é a especialização e não o sistemismo/ Holismo/ Ecologismo. Esses são os padrões pensamentos/ ações da ciência moderna dominantes nas universidades, nas grandes instituições de pesquisa, nas empresas e no governo.  A especialização permitiu, de um lado, ao ser humano feitos como ir á lua e grande parte do que denominamos progresso tecnológico.

 A especialização/ fragmentação e a análise nos moldam em nossa percepção/ práxis da realidade. Em realidade acredito que o princípio de que ganhar dinheiro em detrimento dos seres humanos, da natureza, da democracia e de quaisquer outros  valores é a origem esencial de nosso problemas. Mas, de outro lado, nessa perspectiva do pensamento, da percepção e concretização da realidade pelos humanos,  a especialização/ fragmentação é fonte de enormes problemas sociais e ecológicos para as sociedades contemporâneas. A excessiva ênfase dada à análise por nossas ciências conduziu à fragmentação característica do nosso pensamento em geral e das nossas disciplinas acadêmicas, com conseqüências evidentes nos nossos problemas sociais e ecológicos em nossa realidade, porque os cientistas e técnicos  especialistas não percebem as conseqüências últimas de suas  ações. A maior parte de todos percebe e vê o mundo  a partir de sua percepção estreita de médico alopata, de economista, de psicólogo, Etc.

 “Não existe almoço gratis”. Essa trajetória de construir uma percepção sistêmica da realidade, distintamente da fragamentação dominante, para mim quase sempre significou punições financeiras e expulsão das instituições, de modo dissimulado ou direto. O que é muito dificil para quem tem família e necessita se reproduzir. Aos 57 anos de idade não tenho um só bem econômico além de um computador. Todos os  recursos financeiros que tive oportunidade de dispor, investi em pesquisa e conhecimento para compreensão e mudança da realidade e foram, esses investimentos e a forma com os realizei – em ciência sistêmica, holística, ecológica -  que me permitiram dominar conhecimentos em áreas tão diverficadas e, portanto poder conceber e planejar uma vila ecológica. Evidencio, ainda que quando compreendi o significado mais amplo da criação da Ecovila para os camponeses - trabalhadores, pequenos proprietários rurais e a vida nas pequenas vilas -, sobretudo na Paraíba e para minha vida, deixei em outubro de 2003, a atividade acadêmica bem remunerada de Professor universitário para poder realizar a atividade da Ecovila, em tempo integral. No presente tudo que eu posso contar é com o meu conhecimento analítico a respeito de nossas sociedades industriais capitalistas. Na verdade nosso conhecimento e o "sentimento do mundo"  é  tudo o que eu sou e aquilo que  tenho.  O que para mim é muito significativo.

 O processo de construir um metodologia sistêmica de análise/ atuação na realidade realizado através de pesquisas/ estudos/ ensino universitário/ exercício prático de economia, realizo-os; 1)  em vinte e sete anos - 27 - de experiência no setor público seja com pesquisa, seja na atuação prática com comunidades populares no Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual do Governo da Paraíba – IDEME da Secretaria do Planejamento – SEPLAN-, onde  adquiri conhecimento inicial e experiência em elaboração de Programas e Projetos Sociais, e posteriormente fora dessa instituição em projetos Ecológicos; 2) Como o professor e pesquisador de economia/ Desenvolvimento Sustentável Rural, de Captação de Recursos (10 anos em distintas universidades públicas e privadas),  aprofundo-o em meu exílio político da ditadura militar na Alemanha quando foi estudante de doutorado em História/ sociologia e política. Devido a esse interesse eu tenho vivido parcialmente nas comunidades e Ecovilas, particularmente quando estive exilado político na Alemanha entre 1977/ 1979 vivi dois anos em uma ecovila urbana em Marburg. Sobretudo nos últimos anos no Brasil (2001 - 2004) e,  agora no último período na Europa – (2004-2005). Isto significa que o insight para a criação de nossa Política não é apenas decorrência de uma visão teórica, e sim mais de uma práxis vital histórica. Nos últimos anos pesquisando em várias universidades e em institutos de pesquisa no Brasil e na Europa, sobretudo sobre múltiplos modelos de vida sustentável para a ação contra nossos problemas do NE, cheguei ao conhecimento de que em 1988 as ecovilas foram nomeadas e reconhecidas oficialmente num ponto dos mais altos da lista  das 100 melhores práticas da ONU, como um modelo excelente de vida sustentável. In http:/gen.ecovillage.org .(01.02.2005). A busca de construir uma metodologia sistêmica de análise/ síntese da realidade consistiu em construir e realizar meu conhecimento/ ação de modo integrado em Desenvolvimento Sustentável, sobretudo Rural.  Para tanto estudei, pesquisei e aprendi em ecovilas, institutos de pesquisa, universidades e com agricultores/ técnicos de múltiplas áreas do conhecimento, de modo prático/ empírico no Brasil e na Europa, e de modo teórico - metodológico globalmente: agricultura ecológica, ecoconstruções habitacionais, e em menor escala energias renováveis, agregando-os aos meus conhecimentos anteriores em economia, alimentação, psicologia, saúde, educação, vestuário/ calçados, sociologia, política, ecologia, ...

 Conhecimento que é também em saúde psicossomática. Passei por vários processos psicoterápicos. Por exemplo, em um deles realizeu-o em cerca de oito (08) anos submetendo-me a tratamentos com três psicoterapeutas distintos em períodos diferentes, sobretudo em grupo, experiências de pesquisas empíricas e períodos a partir do quais sempre procurei aprofundar-se em minhas pesquisas também de modo teórico, metodológico e prático nos temas a ele relacionados. Além desse tipo de práxis psicoterápica mais ocidental, minha práxis de psicoterapia alia-se à minha práxis da psicologia oriental, que hoje a psicologia transpessoal em boa parte incorporou: meditação, yoga, vegetarianismo, massagens -do-in, yuvérdica- de Tai - Chi-Chu’an, Ai - Ki- Do -. Realizo meditação desde 1974 e vegetarianismo de modo geral desde 1980. 

 „Entre o segunda metade da década dos anos 1990 e o momento atual os desafios nos quais concentrei todas as minhas energias, e que foram significativos consistiram em integrar meus conhecimentos das minhas práticas mais teóricas de pesquisador, de professor e de crítico, com a de ativista ecosocial, o que  resultaria na Ecovila Felicidade.“

 “A partir de 1989 empreendi aprofundamentos de pesquisas e estudos anteriores, procurando compreender o processo global de reestruturação de nossos economias e sociedades – globalização - e suas conseqüências para o mundo do trabalho no Brasil, que teoricamente resultam em minha dissertação: Novas Tecnologias, globalização e Impactos para o Trabalho no Sistema Financeiro Brasileiro. Nessa atividade empreendi um estudo amplo sobre o novo momento tecnológico global, aplicando-o empiricamente ao sistema financeiro brasileiro, segmento da economia onde este tipo de tecnologia estava mais avançado.  Posteriormente, limitei os meus estudos sobre globalização, especialmente à nossas regiões rurais do Nordeste e Amazônia brasileiros, objetivando orientar a minha práxis como ator de movimentos sociais, ecológicos e, portanto políticos. Nessas atividades deparei-me com os enormes problemas contemporâneos: as crises sociais recorrentes e o desafio ecológico* que a humanidade vive hoje e vai crescentemente se defrontar nas próximas décadas. Em reação aos problemas sociais e ecológicos históricos da Humanidade, agravados pela reestruturação das nossas economias e sociedades – globalização-, sob os olhos dessas pesquisas e estudos vi/ percebi/ compreendi que as necessidades da vida social e ecológica globais nas três últimas décadas produzirem conjuntamente as atuações dos movimentos sociais e ecológicos, uma Nova Sociedade Civil, as práxis de Desenvolvimento Sustentável, os Programas de Responsabilidade Socioecológica e os Recursos de Doações para soluções de problemas sociais e ecológicos.

 No desenvolvimento de minhas atividades de pesquisa, de educador, de economista, de pai, já havia chegado a conclusão que em qualquer atividade que se deseje difundir e utilizar como atividade educativa faz-se necessário, sobretudo exemplos. No nosso caso, precisamos de exemplos  concretos, reais, viáveis, de modelos de vida sustentável, mostras de que a construção “de um outro mundo”, melhor, significa sustentável é realizável, aqui e agora. Então, foi uma decorrência natural : como resultado práxico de meus estudos e pesquisas e em função de distintas motivações ecológicas, sociais e políticas foi que resolvi juntamente com um pequeno grupo criar uma Ecovila, uma instituição da Sociedade Civil, com sede no litoral do Estado da Paraíba, atuações, principalmente nas áreas microbioregionais circunvizinhas, e mais difusa no Nordeste e Amazônia brasileiros. Posteriormente à elaboração de uma Política Estratégica para a instalação da Ecovila, realizado como visitante da Universidade Livre de Berlim, as minhas atividades atuais consistem na concepção/ planejamento/ realização de uma Política Estratégica de Captação de Recursos para essa instalação.“

 A Ecovila  Felicidade é o resultado das conclusões de minha reação, de um lado lado mais práxica como economista. Tal ação justifica-se como uma decorrência  também das conclusões de meus estudos e pesquisas sobre globalização, resultante de minha reação mais teórica como pesquisador e como professor. Concluiu que a Sociedade Civil Global (restritamente as ONG's) são os  principais atores globais que emergem nas duas últimas décadas para se contrapor aos problemas  que são históricos da humanidade e que foram agravados pela ação da economia, agora global.  Portanto, a instalação da Ecovila Felicidade emerge e percebe as novas realidades:  o contexto de reação da Sociedade Civil Global e os Recursos da Solidariedade. Visando esse ambiente conclui ser  necessário usar e criar alianças nas instituições da sociedade civil, no Estado/ Governo, nas empresas, num contexto global como convém e compatível com às novas realidades,  para viabilizar ações de programas/ projetos de sustentabilidade rural financiado, sobretudo por doações da sociedade civil global .

 

 Nossa práxis na Ecovila Felicidade é uma contribuição ao Desenvolvimento Sustentável à nível local na Paraíba, porém num âmbito global. Se o conhecimento e informação constituem uma fonte de poder e se a equipe da Ecovila detém esse conhecimento, como cremos, usamos esse poder para organizar parte de nosso futuro – de nossas vidas, de nossos filhos - e ajudar outros grupos humanos e a natureza a terem algum presente e futuro viáveis. Em função das conclusões a que cheguei nos últimos anos dirigi também minhas pesquisas e ensino para a captação de recursos de doações globais visando soluções de problemas sociais/ ecológicos e o fortalecimento de instituições da sociedade civil, universidades e organismos governamentais situados, sobretudo no Nordeste e na Amazônia. Significa que a Ecovila Felicidade já nasce na atividade prática de conceber, planejar, realizar e avaliar Programas e Projetos de Desenvolvimento Sustentável Rural não só para si Ecovila, mas igualmente para camponeses e outros grupos humanos na Paraíba. Utilizamos nosso conhecimento para mobilizar recursos disponíveis no mundo, como pesquisador, professor de captação de recursos e transformarmos esse conhecimento em ação, trazendo e ajudando ONGs, camponeses, comunidades e outros grupos a também trazer esses recursos para ajudar a  resolver problemas sociais, ecológicos e políticos na Paraíba e, sobretudo nas circunvizinhaças da micro-bioregião  onde será instalada a Ecovila Felizcidade.   

 De imediato, uma de nossas atividades é o Programa de Qualificação para a Expansão e   Fortalecimento das instituições da Nova Sociedade Civil localizadas aqui na Paraíba. Esse  programa tem como estratégia mais imediata a captacão efetiva de recursos  para as instituições, o que ele já venho realizando – trabalhei em dois projetos/ assessorias  -, e minha pesquisa/ livro e curso: Elaborações de Projetos Para Captações de Recursos – Doações da Sociedade  Civil Gobal para Soluções de Problemas  Sociais e Ecológicos, que têm sido realizados no Nordeste e na Amazônia.  Planejamos realizar esse curso de modo mais autônomo uma vez que estamos elaborando um programa de financiamento para negociar recursos na Europa, nos EUA, ASIA e com instituições no Brasil, que possibilitem-nos realiza-lo grátis para as pequenas instituições que dispõem de poucos recursos para se qualificar. Dirigi um projeto desse programa através da FUNAPE ao Banco do Brasil e à Fundação Konrad Adenauer. 

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