Curso Ecovilas 2008

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A Autoprodução da Saúde/ e da Doença

Publicado em 10.04.2009 19:14:29
 
Última edição em 10.04.2009 19:14:29
 
Criado em 10.04.2009 19:14:29
 

 

Batista, Saulo Xavier.

Política da Ecovila Felicidade

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ORKUT : Saulo Xavier em João Pessoa

 

Síntese de uma literatura sobre Saúde EcoSocial. Quatro capítulos sobre tema de Fritjof Capra in O Ponto de Mutação, e do seu livro Sabedoria Incomun. De ILLICH, Ivan. 1971. A Expropriação da Saúde – Nêmesis da Medicina, entre outros. -.

 

Introdução.

 

A minha condição de cientista social e a minha formação – não oficial - em clínica psicológica levou-me a compreender um pouco de saúde. Meu objeto de estudos e pesquisas ao longo de minha vida tem sido a compreensão das energias  que modelam e mudam nossa sociedade e nosso meio ambiente natural. Como, de um lado,  a  saúde é parte desse amplo conjunto e, de outro lado, esse conhecimento é útil para minha própria ecologia interna,  pensei e senti  ser significativo  expressar um pouco do que compreendo ser a natureza da saúde e da doença.  

"A constante busca que orientou o interesse de minha vida e expressou-se como práxis pessoal e profissional em pesquisa, tem sido uma procura de compreensão da vida social e das forças que modelam as relações sociais e as mutações nas pessoas ( nos indivíduos/ ecologia interna ), na sociedade ( ecologia social ) e na natureza ( ecologia física ).

Essa procura, um processo de vida e mutações progressivas, conduziu-me em síntese a uma práxis de pesquisa transdisciplinar – sistêmica, holística e ecológica - e concretiza-se pelo interesse na Teoria e Prática do Desenvolvimento Sustentável. Esse processo repousa numa ênfase que, é em sua essência última espiritual:

Enquanto pessoa essa espiritualidade concretiza-se na Yoga/ Meditação 33 anos de atividades, Vegetarianismo 22 anos em geral, 08 anos de terapias ocidentais individual/ grupal e anos de estudos aprofundados em psicologia, psicanálise e psicologia social –;

Como ser social/ no ativismo social – atividades que resultam no exílio na Europa/ Alemanha entre 1977 e 1979 –

E como ser ecológico – uma práxis mais teórica e a vida em Ecovilas, que inicia/ desenvolve-se de modo consciente na Europa - 1977/79 tem alguns períodos de interrupções e concretizo agora como práxis mais efetiva ( teoria + pratica) em período recente no Brasil e na Europa e que terá continuidade com a instalação de uma Ecovila.

Essa trajetória exigiu o desenvolvimento de pesquisas em todas as suas fases/ (tipos): teórica, metodológica, empírica e prática e a minha contribuição correspondente, produção de conhecimento na forma de textos e ensino em universidades e extensão, assessoria a ONGs., movimentos sociais e ecológicos. 

Significa enfim, que no processo de gênese e evolução das práticas e teorias que orientaram minha vida e minha práxis “profissional” e exercia-a em essência na criação e desenvolvimento de um instrumental de trabalho e, de vida, sobretudo em ciências humanas, sociais e ecológicas. Instrumentais que significam meios para compreensão/ explicação da vida social contemporânea, têm resultado em pesquisas/ produção de conhecimento.

Algumas das alegrias e contentamentos presentes – Felicidade - é ter alcançado uma síntese conclusiva sobre meu objeto de estudos e pesquisas, a sociedade contemporânea, minha visão sobre as crises sociais, ecológicas e espirituais atuais e suas possíveis soluções alternativas e que são expressas  na minha pesquisa livro, em conclusão :

 

ECOVILAS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL : UMA ALTERNATIVA ÀS CRISES SOCIAIS, ECOLÓGICAS CONTEMPORÂNEAS. "

 

Parte desse trabalho é sobre saúde. O trabalho completo resultará em um livro mais conclusivo sobre meus escritos. Essa parte de saúde,  que ainda esta em redação, foi escrita originalmente para um livro que escrevi para meu filho: A Alegria e a Felicidade de Cassiano. Ocorreu que quando meu filho ingressou na universidade entrou em depressão:  dormia até meio dia todos os dias. Daí escrevi para ele, sua mãe,  sua terapeuta e para mim.  Neste livro que no futuro poderá ser reescrito para jovens, adolescentes e pais, explico um pouco o que penso, sinto e ajo ser a natureza da saúde e da doença.

 

Portanto, o texto a seguir, é uma adaptação, pode ter trechos que o leitor ficará achando estranho, é só um manuscrito incompleto,  porque afinal sentei-me  no computador e escrevi direto, do modo como as idéias emergiam,  consultando  e reescrevendo o que já havia escrito antes para outros objetivos, mas afinal meu interesse é um texto para os amigos.

 

 

 

A PRODUÇÃO DA SAÚDE E DA DOENÇA.

 

Minha compreensão do fenômeno da saúde e da doença e tem origem na história de minha vida, descrita resumidamente melhor ao final dessa reflexão ( No anexo n˚. 1), foi aperfeiçoada a partir de estudos e pesquisas realizadas em trabalhos de  estudiosos e pesquisadores de várias correntes, mas, sobretudo no  amplo grupo do Movimento do Potencial Humano dos EUA e da Europa. Nesse momento escolho alguns pessoas que melhor expressam as concepções dos melhores pesquisadores desse grupo sobre a saúde de modo mais profundo tais como:

 

 

CAPRA, Fritjof. 1982.  O Ponto de Mutação.-.

CAPRA, Fritjof.  1998. Sabedoria Incomum. São Paulo : Praticamente todo o livro dedicado à saúde.

FERGUSON, Marilyn. 1980. A Conspiração Aquariana - Transformações Sociais e Pessoais nos Anos 80. Tem  capítulos sobre saúde

ILLICH, Ivan. 1971. A Expropriação da Saúde – Nêmesis da Medicina -. Todo o livro dedicado à saúde á uma profunda visão critica sobre a saúde.

ILLICH, Ivan. 1973. A Convivencialidade.

GOLEMAN, Daniel. A Arte da meditação.

Simonton, Carl , Deepak Copra  e outros.

 

Por exemplos Carl Simonton, um dos mais reconhecidos e qualificados médicos, pesquisador da saúde,  a partir de uma visão e prática psicossomáticas em problemas de câncer nos EUA, concebe a doença ( e não apenas o câncer ) como “solucionadora de problemas”. 

Assim se expressa ele sobre o processo de adoecer.

 

 “Devido ao condicionamento sócio - cultural as pessoas as vezes acham impossível resolver problemas estressantes de maneira saudável  e, portanto, optam - consciente ou inconscientemente - por ficarem doentes  como uma saída, incluidas aí a depressão e outras formas de doença mental.” In  Capra (1988, 156; 1982 ) .

 

O “tratamento” alopático de doenças funciona apenas como obstrutor de sintomas, sem procurar as origens mais profundas das enfermidades. Ao agir desse modo e não procurar as origens da enfermidade apenas canaliza o estresse e os sentimentos originais para outras doenças no próprio indivíduo ou transfere como agressividade para patologias sociais. – A criminalidade, as drogas, a sexualidade instintiva, o trabalho compulsivo,  o apetite  desmedurado. In CAPRA. 1988. Sabedoria Incomum., bem como  os capítulos que tratam do conceito de saúde in O Ponto de Mutação, sobretudo cap. X. Também ILLICH (1975) também desenvolve  um conceito similar.

Transcrevo abaixo trechos do dialogo de Carl Simonton e Fritjof Capra, no livro Sabedoria Incomum.  Esse trabalho foi publicado em 1988, 6 anos após a publicação de: “ O Ponto de  Mutação ”. (1982), nele Capra analisa como escreveu O Ponto de Mutação. É uma reflexão sobre esse livro, portanto um trabalho epistemológico, (o conhecimento do conhecimento, o conhecimento de como chegamos a conhecer algo)   de seu conhecimento naquele livro. Segundo Simonton,

 

“existem três maneiras não - saudáveis para se escapar de uma situação estressante da vida : 

 “uma leva a doença física, outra leva a doença mental”... E devemos também reconhecer um terceiro tipo de rota de escape”... “ a que leva a patologias sociais – comportamento violento, e desregrado, crime, abuso de drogas, etc.”

“Mas  você  não chamaria isso de doença , chamaria ?” ... “Chamaria, sim: acho que seria correto chamar a isso doença social. O comportamento anti-social é uma reação comum diante de situações difíceis e estressantes  na vida, e deve ser levado em consideração quando falamos de saúde. Se houver redução no número de doenças, mas essa redução for compensada por um aumento no número de crimes, na realidade nada foi feito para melhorar a saúde da sociedade.”

 

Portanto, a concepção de saúde/ doença dos Simontos é ampla e multidimensional, muito mais significativa do que a estreita perspectiva médica, sobretudo a alopática, que esta aí, a, dominante. A concepção alopática, a mais comum, é decorrente da concepção de ciência Cartesiana - Newtoniana  comum, a concepção que prevalece nas universidades no planeta, seja medicina, em economia, em serviço social, em psicologia,  sociologia,  etc. [1]       

Os Simontons (Carl e sua mulher Stephanie)  apresentaram sua revolucionária abordagem `a terapia do câncer que ressalto com base em Capra (1982, 1988, 1996)  é compatível e generalizável ao modelo geral de compreensão da saúde e das doenças, em vários livros e muitos artigos científicos hoje reconhecidos no mundo inteiro. Se bem que por serem muito inovadores e críticos os Simontons permanecem como as demais minoras criativas à margem da aceitação pelas ciências  dos paradigmas dominantes – inclusive e/ou sobretudo de medicina, a economia, o direito -.

 

“A estrutura conceitual e a terapia desenvolvidas pelo oncologista de radiação Carl Simonton e pela psicoterapeuta Sthephanie Matthews-Simonton são inteiramente compatíveis com as concepções de saúde e doença que estamos examinando e têm implicações profundas para muitas áreas da saúde e da cura.” Capra ( 1982, 345).

 

Essas estrutura conceitual e terapia podem resumidamente serem expressas do seguinte modo Capra (1981,347 a 350), transcrição literal:

 

O quadro emergente do câncer [2] é compatível com o modelo geral de doença sobre o qual estivemos discorrendo. Um  estado de desequilíbrio é gerado pelo stress prolongado, que é canalizado através de uma determinada estrutura de personalidade, dando origem à distúrbios específicos.  As tensões cruciais  parecem ser aquelas que ameaçam algum papel ou alguma relação central de identidade da pessoa, ou as que criam uma situação para a qual, aparentemente, não há saída. “ ... “ Elas são passíveis de gerar sentimento de desespero, impotência e desesperança, Em virtude desses sentimentos uma doença grave e a até a morte podem tornar-se conscientemente ou inconscientemente aceitável como solução potencial.”  

 

Os  Simontons e  outros investigadores desenvolveram um modelo psicossomático de câncer que mostra como estados psicológicos e físicos colaboram na instalação da doença. Embora muitos detalhes desse processo precisem  ser esclarecidos, tornou-se evidente que o estresse emocional tem dois efeitos principais: inibe o sistema imunológico do corpo  e, ao mesmo tempo, acarreta deseqüilíbrios hormonais que resultam num aumento da produção de células anormais. Assim estão criadas as condições ótimas para o crescimento  do Câncer”.  (da doença ). Capra (1981,347/48) .

 

No que se refere à configuração da  personalidade, os estados emocionais do indivíduo parecem ser o elemento crucial no desenvolvimento de uma doença. A ligação entre enfermidade e  emoções  vem sendo observada há centenas de anos, existindo hoje provas substanciais do significado de estados emocionais específicos. Estes são o resultado de uma biografia particular que parece ser característica  dos pacientes com câncer.  Perfis psicológicos de tais pacientes foram estabelecidos por numerosos pesquisadores, alguns dos quais são até capazes de prever a incidência do câncer  com notável precisão, com base nesses perfis.

Lawrence LeShan estudou mais de quinhentos pacientes com câncer e identificou os seguintes componentes significativos em suas biografias:

 

“sentimentos de isolamento, abandono e desespero durante a juventude, quando relações interpessoais  intensas parecem ser difíceis ou perigosas; uma relação forte com uma pessoa ou grande satisfação com um papel no início da vida adulta, tornando-se o centro da vida do indivíduo; perda da relação ou do papel, resultante em desespero;  interiorização do desespero a ponto de os indivíduos serem incapazes de deixar outras pessoas saberem quando eles se sentem magoados, coléricos ou hostis. “

 

Esse padrão básico foi confirmado como típico de pacientes com câncer por numerosos pesquisadores.

Para concluir o exame da assistência holística á saúde e apropriado do câncer conhecido como a abordagem Simonton, considerado uma terapia holística por excelência. O câncer é um fenômeno típico, uma doença característica de nosso tempo, que ilustra, de maneira convincente, muitos dos pontos destacados neste capítulo. O desequilíbrio e a fragmentação que impregnam nossa cultura desempenham um papel importante no desenvolvimento do câncer, impedindo ao mesmo tempo que os pesquisadores médicos e os clínicos compreendam a doença ou a tratem com êxito. A estrutura conceitual  e a terapia desenvolvidas pelo oncologista* de radiação Carl Simonton e pela psicoterapeuta Stephanie Matthews-Simonton são inteiramente compatíveis com as concepções de saúde e doença que estamos examinando, e têm implicações profundas para muitas áreas de saúde e de cura 62. 

De momento, os Simonton vêm em seu trabalho como um estudo - piloto. Eles selecionam seus pacientes com extremo cuidado, porque querem ver até que ponto podem chegar com um reduzido número de indivíduos altamente motivados para entender a distância básica do câncer. Quando tiverem atingindo essa compreensão, aplicarão seus conhecimentos e recursos a um maior número de pacientes. [3] Até agora, o tempo médio de sobrevida de seus pacientes é o dobro do registrado nas melhores instituições para tratamento do câncer e o triplo da média nacional nos Estado Unidos.                 

Além disso, a qualidade de vida e os níveis de atividade desses homens e mulheres, que foram todos considerados clinicamente incuráveis, são absolutamente extraordinários.

A imagem popular do câncer foi condicionada pela visão fragmentada do mundo em nossa cultura, pela abordagem reducionista  da nossa ciência e pelo exercício da medicina orientando para o uso maciço de tecnologia e afirmo, para o princípio que rege o mundo boa parte do  mundo empresarial: o de que ganhar dinheiro é mais importante do que os seres humanos, a natureza, a democracia e quaisquer outros  valores.   O câncer e visto como um forte e poderoso invasor que ataca o corpo á parte, de fora. Parece não haver esperança de controlá-lo, e para a grande maioria das pessoas o câncer é sinônimo de morte. O tratamento médico – radiação, quimioterapia, cirurgia ou uma combinação dessas técnicas -- é drástico, negativo e danifica ainda mais o corpo. Os médicos estão cada vez mais propensos ao ver o câncer como um distúrbio sistêmico, uma doença que, no inicio, é localizada, mas que tem a faculdade de se propagar e realmente envolver o corpo inteiro, e em que o tumor original e apenas a ponta do iceberg.”

 A filosofia básica da abordagem Simonton afirma que o desenvolvimento do câncer  envolve um certo número de processos psicológicos e biológicos interdependentes, que esses processos podem ser reconhecidos e compreendidos, e que a seqüência  de eventos que leva à doença pode ser invertida de modo que o organismo se torne saudável novamente. Tal como em qualquer terapia holística, o primeiro passo no sentido de se iniciar o ciclo de cura consiste em conscientizar os pacientes do contexto mais amplo de sua enfermidade. O estabelecimento do contexto do câncer (da doença ) começa por se solicitar aos pacientes que identifiquem as principais tensões que ocorreram em sua vida de seis a dezoito meses antes do diagnóstico. A lista dessas tensões é, então usada como base para se analisar a participação dos pacientes no desencadeamento de sua enfermidade. O objetivo do conceito de participação do paciente não é suscitar um sentimento de culpa, mas criar  a base  para a inversão do ciclo de processos psicossomáticos que culminaram na doença. [4]

Enquanto os Simontons estão estabelecendo o contexto  da enfermidade de um  paciente, eles também fortalecem sua crença na eficácia do tratamento e na potência das defesas do corpo. [5] O desenvolvimento dessa atitude positiva é crucial para todo o tratamento. Estudos realizados demonstram que a resposta do paciente ao tratamento dependente mais de sua atitude do que da gravidade da doenças. Um vez gerados os sentimentos de esperança e expectativa, o organismo traduz esses sentimentos em processos biológicos,  que começam a restaurar o equilíbrio e a revitalizar o sistema imunológico, utilizando os mesmos caminho que foram usados no desenvolvimento da doença.[6] A produção da células cancerosas (química das doenças) decrescem, enquanto o sistema imunológico se torna mais forte e mais eficiente para lidar com elas. Enquanto ocorre esse fortalecimento, a terapia física é usada em conjunto com a abordagem psicóloga, a fim de ajudar o organismo a destruir as células malignas. [7]

Os Simontons vêem o câncer não como um problema meramente físico, mas com um problema da pessoa como um todo. Assim a terapia por eles adotada não se concentra exclusivamente na doença, mas se ocupa do ser humano total. E uma abordagem transdimensional  que envolve várias estratégias de tratamento planejadas para iniciar e dar apoio ao processo psicossomático de cura. No nível biológico, a finalidade é dupla: destruir as células cancerosas e revitalizar o sistema imunológico. Além disso, usa-se o exercício físico regular para reduzir a tensão, aliviar a depressão e ajudar o paciente a manter um contato mais estreito com seu próprio corpo. [8] A experiência mostrou que os pacientes com câncer são capazes de uma atitude física muito maior do quer a maioria das pessoas supõe.

A principal técnica de fortalecimento do sistema imunológico é um método de relaxamento [9] e de formação de imagens mentais que os Simontons desenvolveram quando perceberam o importante papel das imagens visuais e da linguagem simbólica no biofeedback. [10] A técnica Simonton consiste na prática regular de relaxamento e visualização,[11] durante a qual o câncer e a ação do sistema imunológico são descritos na própria linguagem simbólica do paciente. Comprovou-se que essas técnicas são um instrumento extremamente eficiente para fortalecer o sistema imunológico, freqüentemente resultando em reduções espetaculares ou na eliminação de tumores malignos. Além disso, o método de visualização é também uma excelente maneira de os pacientes se comunicarem com seu inconsciente. Os Simontons vêm trabalhando estreitamente com as imagens mentais de seus pacientes e aprenderam que elas dizem muito mais acerca dos sentimentos dos pacientes do que quaisquer explicações racionais.

Embora a técnica de visualização desempenhe um papel central na terapia Simonton, é importante enfatizar que a visualização e a terapia física não são suficientes, por si sós, para curar pacientes com câncer. Segundo os Simontons, a doença física é uma manifestação dos processos psicossomáticos subjacentes, que podem ser gerados por vários problemas psicológicos e sociais.  Enquanto esses problemas não forem resolvidos o paciente não ficará bom, ainda que o câncer (que a enfermidade) possa temporariamente desaparecer.  A fim de ajudarem os pacientes a resolver os problemas que estão na raiz de sua enfermidade, os Simontons fizeram uso do aconselhamento psicológico e da psicoterapia,  elementos essenciais de sua abordagem. A terapia tem usualmente lugar em sessões de grupo, nas quais os pacientes encontram apoio e encorajamento mútuos. Concentra-se nos problemas emocionais, mais não o separaram dos padrões mais amplos da vida dos pacientes; assim, inclui geralmente aspectos sociais, culturais, filosóficos e espirituais.

Para a maioria dos pacientes com câncer, o impasse criado pela acumulação de eventos estressantes  só pode ser superado se eles mudarem parte de seu sistema de crenças. A terapia Simonton mostra-lhes que sua situação parece irremediável apenas porque eles a interpretam de uma forma que limita suas respostas. Os pacientes são encorajados a explorar interpretação e respostas alternativas a fim de encontrarem um modo saudável de resolver a situação estressante. Assim, a terapia envolve um exame continuo do sistema de crenças e da visão de mundo dos pacientes, uma mudança de vida.

 

Anexo 1

Meu conhecimento, significa de onde provém essas idéias aqui expressas pode ser resumido do seguinte modo. Passei por vários processos psicoterápicos. Por exemplo, em um deles realizei-o em cerca de oito anos submetendo-me a tratamentos com três terapeutas distintos em períodos diferentes, experiências de pesquisas empíricas e períodos a partir do quais sempre procurei aprofundar-me em minhas pesquisas também de modo teórico,  metodológico e prático nos temas  a ele relacionados. No Rio de Janeiro há uma escola, a Lacaniana que nesses casos como o meu, que existem múltiplos, é possível a pessoa submeter-me a uma série de provas e então se aprovado poder-se clinicar. Não é de meu interesse nesse momento. Além desse tipo de práxis psicoterápica mais ocidental, minha praxis de psicoterapia alia-se  à minha práxis da psicologia oriental,  que hoje a psicologia transpessoal em boa parte incorporou: meditação, yoga, vegetariamismo, massagens -do-in, yuvérdica- de Tai - Chi-Chu’an, Ai - Ki- Do -  .

O conhecimento de onde provém as idéias aqui expressas foi iniciado com a história de minha vida, minha visão inicialmente ingênua,  mais inconsciente e mais intuítiva da vida. A partir de um momento de reflexão mais profundo, de crise que vivi ao deixar o curso de engenharia, em 1973, pelo de economia, uma ótima opção na minha vida, fiz minha iniciação ao yoga - uma visão filosófica, em 1973/74, influenciado pelas leituras e práticas da yoga, nesses anos, inicio também alguma pratica de alimentação consciente, continuo em múltiplos outros cursos de yoga em anos posteriores, com freqüência procurando compreender as visões e inclinações filosóficas das diversas escolas e ramos da yoga, onde sempre dei mais atenção inicial a Hatha yoga (yoga do corpo, física ), yoga da vida e a Raja Yoga (meditação, yoga mental, da psiquê) e estudo da filosofia yogue. Ainda nos anos 74/75 fiz minha primeira tentativa de psicoterapia (1 ano aprox.).  Em 1979,  retorno a alimentação naturalista, vegetariana, filosófica (consciente). Alimentação com base em conceitos filosóficos, científicos, éticos e estéticos que também, embora intermitente praxizo até hoje, significa 28 anos. Praxis que tiveram seqüência em aprox. 6 anos de psicoterapia em grupo e individualmente, reafirmo com busca consciente sobre as distintas escolas da terapia, da psicoterapia e da psicanálise, uma vez que desde cedo percebi que todas tem visão ou visões filosóficas ( conscientes ou não).  Conhecimento que foi  aliada à cursos teóricos e práticos de Do-in e outras massagens, Tai - Chi-Chu’an, Ai - Ki- Do, somadas à utilização da medicina alternativa – homeopatia, acunpuntura, fitoterapia, Medicina Chinesa, Yuvérdica -. Múltiplas práxis que pesquisei de modo teórico, metodológico, empírico e prático, significa que não apenas estudei mas pratiquei e pratico, uso - as no meu organismo e parte delas trabalho teoricamente nos meus cursos de modo mais ou menos intermitente nestes anos todos, significa desde início dos anos 1980. Conjunto de conhecimento que quase sempre procurei testar, sempre que possível em convivência pessoal, com os sábios de nosso tempo, pessoas que pude ter acesso, nas culturas que pude vivenciar, significa na busca de felicidade em que sempre consistiu a minha vida.  Além disso houve/ há sempre minha procura de integrar esses conhecimentos à outros de economia, sociologia, ecologia, política, História, entre outros e sobretudo prática [12]profissional de minha vida á minha práxis. [13]

 Literatura.

 

BATISTA, Saulo Xavier. 2008 a. Elaborações de Projetos para Captações de Recursos : Doações da Solidariedade para Soluções de Problemas Sociais e Ecológicos . João Pessoa/ Manaus/ Berlim: Pesquisa / Livro em Desenvolvimento.

 

______ . 2008 b. Ecovilas e Desenvolvimento Sustentável. João Pessoa/ Manaus/ Berlin: Pesquisa/ Livro em Desenvolvimento.

 

______ . 2005.  Programa Estratégico para Instalação da Ecovila Felicidade --. Universidade Livre Berlim/ Instituto latino Americano. Berlim.

 

______ . 2008.  Programa Estratégico de Captação de Recursos para Instalação da Ecovila Felicidade.  Ecovila Felicidade. João Pessoa.

 

______ . 2003.  Elaborações de Projetos de Pesquisa. -Uma Visão Transdisciplinar: Sistêmica, Holística e Ecológica - Pesquisa/ Livro Inédito.

 

______ . 2002. Juventude, Universidade e Mercados de Trabalho. Pesquisa/ Livro Inédito.

 

CAPRA, Fritjof. 2002. As Conexões Ocultas – Ciência Para Uma Vida SustentávelSão Paulo: Cultrix     Amana-Key.

 

______ . 1996. A Teia da Vida.  - Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos.- São Paulo : Editora Cultrix / Amana-Key. 

 

______ . 1982.  O Ponto de Mutação.- A Ciência, a Sociedade e a Cultura Emergentes.  Editora Cultrix : São Paulo .

 

______ .  1998. Sabedoria Incomum. São Paulo : Editora Cultrix.

 

______ .  1999. Pertencendo ao Universo - São Paulo : Editora Cultrix.

 

FERGUSON, Marilyn. 1980. A Conspiração Aquariana - Transformações Sociais e Pessoais nos Anos 80.  São Paulo : Ed. Record. Tem  capítulos sobre saúde

 

ILLICH, Ivan. 1971. A Expropriação da Saúde – Nêmesis da Medicina -. Rio de Janeiro : Ed. Nova Fronteira.

 

______ . 1972. Sociedade Sem Escolas. Rio de Janeiro : Vozes .

 

______ . 1973. A Convivencialidade. Lisboa : Publicações Europa - América.

 

LOWEN, Alexander. O Prazer: Uma Abordagem Criativa da Vida. São Paulo : Sumus Editorial.

 

LUISE, Anna, 2000. ILLICH : A Sociedade do Convívio. In DE MASI, Domenico. ( organizador) . 2000. A Sociedade Pós- Industrial.. São Paulo: Editora SENAC / São Paulo .

 

WEIL, Piere. 2002. A Mudança de Sentido e o Sentido da Mudança. – Rio de Janeiro: Record :

 

WEISSKOPF , Walter. 1971. Alienation and Economics..  Duton: New York

 



[1] Fazer ciência em acordo com o paradigma dominante é seguir as práxis dos pais da ciência moderna:  René Descartes e Isaac Newton. Consiste em fazer análise, significa seguir o Reducionismo típico, a práxis mais comum da ciência moderna. A crença em que  todos os aspectos dos fenômenos complexos podem ser compreendidos se reduzidos às suas partes constituintes.  A partir de então se emprega a análise.  O que  consiste em decompor um pensamento ou um problema estudado em suas partes componentes, dispo - las em ordem lógica, estudar as partes principais e daí tirar conclusões generalizando-as para o todo. É o  “moderno” pensamento científico; é na verdade o próprio método científico. A excessiva ênfase dada à análise por nossas ciências conduziu à fragmentação característica do nosso pensamento em geral e das nossas disciplinas acadêmicas. Capra (1982,55) . Ler capítulo II de Capra (1982).

         Análise. S. f. 1. Ato ou efeito de analisar. 2. Decomposição de um todo em suas partes constituintes:  3. Exame de cada parte de um todo, tendo em vista conhecer sua natureza, suas proporções, suas funções, suas relações, etc.: 4. P. ext. O resultado da análise (1 a 3): 5. Estudo pormenorizado; exame, crítica: 6. Filos. Determinação dos elementos que se organizam em uma totalidade, dada ou a construir, material ou ideal. [Cf. análise cartesiana.] .  

Análise cartesiana. Filos. 1. Regra de método que consiste em dividir cada problema em quantas partes seja necessário para melhor resolvê-lo. [Cf. análise (6).]. A. Elet.

[2] Até o final do texto, onde houver a palavra câncer, eu Saulo, acrescento doença entre parêntesis, já que o meu objetivo ao trazer esse conhecimento é apresentar um modelo geral de como se adoece e como se cura, que penso, ajo, sinto será útil para compreender a saúde/ doença. Esse modelo, como expresso, tem uma estrutura  conceitual e terapia que são compatíveis com as concepções de doença e saúde em geral , cuja  tratamento tem uma concepção holística.   

[3] O se realiza hoje. Este texto é de 1982. Nota minha.

[4] Os negritos e sublinhamentos de toda essa citação sintética,  não literal, foram adicionados por mim. O objetivo aqui é enfatizar aspectos que acho mais relevantes, sempre procurando dar mais consciência – já que de algum modo intuitivo às pessoas percebem sua responsabilidade nesse processo de produção de doença realizado em contextos  familiares - a todos nós - de como se produz saúde e doença para, desse modo podermos contribuir na produção do processo de restabelecimento. O que inclui em contribuir para melhorar o paradigma de compreensão e vivencia de familiares mais próximos  envolvidos na vida da pessoa que esta enferma.

[5] O que no meu caso é uma decorrência da minha consciência desses processos. Daí porque meu interesse em passar esse conhecimento e  essas informações para amigos e familiares. Para que o conhecimento ajude a dar a crença na eficácia dos tratamentos Holísticos da saúde.  

[6]                   No caso, a química natural do organismo para curar a enfermidade. Lembrem de Daniel Goleman :

  Era uma tarde de agosto insuportavelmente sufocante, na cidade de Nova Iorque, um daqueles dias calorentos, que deixam as pessoas mal-humoradas e desconfortáveis. Eu voltava para um hotel, e, ao entrar num ônibus na avenida Madison, fiquei surpreso com o motorista, um negro de meia-idade e largo sorriso, que me acolheu com um amistoso "Oi! Como vai?" saudação feita a todos os outros que entraram no ônibus, enquanto serpenteávamos pelo denso tráfico do centro da cidade. Cada passageiro se surpreendia tanto quanto eu, mas, presos ao péssimo clima do dia, poucos Ihe retribuíam o cumprimento.

        À medida que o ônibus se arrastava pelo quadriculado traçado da cidade, porém, foi-se dando uma lenta, ou melhor, uma mágica transformação. O motorista monologava continuamente para nós um animado comentário sobre o cenário que passava à nossa volta: havia uma liquidação sensacional naquela loja, uma exposição maravilhosa naquele museu, já souberam do novo filme que acabou de estrear naquele cinema logo mais adiante na quadra? O prazer dele com a riqueza de possibilidades que a cidade oferecia era contagiante. Quando as pessoas desciam do ônibus, já se haviam livrado da concha de mau humor com que tinham entrado, e, quando o motorista Ihes dirigia um sonoro "Até logo, tenha um ótimo dia!", todas Ihe davam uma resposta sorridente.

       A lembrança desse encontro me acompanha há quase vinte anos. Quando viajei naquele ônibus da avenida Madison, acabara de concluir meu doutorado em psicologia mas pouca atenção se dedicava na psicologia da época a exatamente como podia se dar uma tal transforrnação A ciência psicológica pouco ou nada conhecia dos mecanismos da emocão E, no entanto, ao imaginar a propagação do vírus de bem-estar que deve ter-se alastrado pela cidade começando pelos passageiros de seu ônibus, vi que aquele motorista era uma espécie de pacificador urbano, uma espécie de feiticeiro, em seu poder de transmutar a soturna irritabilidade que fervilhava nos passageiros, amolecer e abrir um  pouco seus corações.

[7] No caso, o processo tem componentes físicos, mas esse processo vai gerar mais uma química ( sobretudo as endorfinas ) que atuará levantando a depressão. Ver por exemplo o livro : Com a Cabeça Cheia de Amor .   

[8] Como decorrência desse conhecimento vem sempre minha ênfase em que quem esta enfermo realize programas regulares de esportes suaves: caminhadas, natação,  yoga, o que for possível.

[9] As melhores técnicas e métodos para relaxamento são a yoga e a meditação. Sempre converso, dou livros e centivo a que  pessoas enfermas pratiquem esse conhecimento milenar . Inclusive a yoga e a meditação ( essa uma forma de yoga ) é muito mais potente numa perspectiva de impactos psicossomáticos do que as ginásticas e esportes ocidentais.   Um livro significativo sobre meditação é o do Daniel Goleman – A Arte  da Meditação. O Goleman é mais conhecido por seu livro: A Inteligência Emocional. Na verdade antes desse livro ele fez mestrado e doutorado e teve uma longa experiência em meditação,  doze anos, que lhe permitiram aclarar a mente e então produziu a Inteligência Emocional.    

[10] Não conheço esses processos de biofeedback. 

[11] Relaxamento e visualização que podem ser conseguidos também sobretudo com a Meditação e o Yoga.

[12] Prática é a tomada de posição explícita, de conteúdo político diante da realidade”. Demo,  (1987,26) e Pesquisa prática é aquela que se realiza por meio  de ações no mundo social através do teste prático de  possíveis idéias ou posições teóricas.

[13] Práxis . União da teoria com a prática.  

No marxismo significa a ação objetiva que, superando e concretizando a crítica social meramente teórica, permite ao ser humano construir a si mesmo e o seu mundo, de forma livre e autônoma, nos âmbitos cultural, político e econômico; 2   ação de aplicar, usar, exercitar uma teoria, arte, ciência ou ofício; 4  parte do conhecimento voltada para as relações sociais e as reflexões políticas, econômicas e morais; Etimologia gr. prâksis,eós 'ação, o fato de agir, execução, realização; empresa, condução de um caso (de guerra, de política); comércio, negócio; intriga; maneira de agir, conduta, maneira de ser; resultado de uma ação, conseqüência'; ver prax(i)- ; Sinônimos prática; ver sinonímia de ação. Antônimos ver antonímia de ação substantivo feminino . Rubrica: filosofia. no aristotelismo, conjunto de atividades humanas autotélicas, cuja manifestação mais representativa é a política, e caracterizadas esp. por sua natureza concreta, em oposição à reflexão teórica; 1.2    Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: filosofia. Houaiss: http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=pr%E1x%EDs&x=5&y=5&stype=k (26/09/07).

 

 

 

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