Cachoeira do Poço da Besta no pé da Serra de Teixeira
De acordo com o economista, o modo de vida baseado na acumulação do capital e consumismo brutaliza, automatiza, irracionaliza e insensibiliza os seres humanos e provoca o Biocídio. O que a ecovila propõe é compartilhar as necessidades essencias da vida nas áreas de: alimentação, vestuário, saúde, habitação, educação, transporte e lazer dentro de estilos de vida próprios, sustentáveis tanto social quanto ecologicamente.
Programa educativo envolve comunidades
A criação da Ecovila Felizcidade, de acordo com Saulo, é a continuidade e o resultado de empreendimentos que ele realiza há mais de 19 anos, ao aprofundar pesquisas anteriores sobre a a reestruturação produtiva global - globalização - e suas conseqüências para o trabalho no Brasil. Os estudos que foram limitados posteriormente às regiões rurais do Nordeste e Amazônia. As informações sobre a ecovila estão disponíveis no endereço http://ecovila.felicidade.zip.net. Em função de distintos motivos econômicos, ecológicos, sociais e políticos ele resolveu junto com um pequeno grupo criar uma ecovila. Xavier explica que no desenvolvimento de suas atividades de pesquisa, de ensino e de economista chegou à conclusão que no mundo conturbado atual, quem quer que deseje difundir novas culturas e educar necessita, sobretudo, de exemplos concretos, reais, viáveis, de novos padrões de vida . No nosso caso, de modelos de vida sustentável.
O projeto de instalação da Ecovila Felicidade conta ainda com um programa educativo a ser desenvolvido, sobretudo com os moradores das áreas em seu entorno. Formas de geração de renda e sustentabilidade em harmonia com o meio ambiente social e ecológico serão tema principal das práxis (teorias e práticas) trabalhadas com nossos vizinhos, visando uma convivência mais equilibrada e harmoniosa do que as práticas hegemônicas localmente. Tais atividades serão viabilizadas através de projetos de captações de recursos de doações da Sociedade Civil Global, um novo modo de atuar e mudar o mundo que esta emergindo, que pouco chegou no nosso estado e que estamos empreendendo-o aqui. “Se não tivermos preocupação com quem está no entorno não tem como manter o equilíbrio natural e humano. As pessoas precisam viver e sobreviver. Os estilos de vida provenientes da economia global resultam em exclusão social e degradação do meio ambiente/ da natureza, que em nossa realidade fortemente agropecuária constitui meio de vida direto e essencial das pessoas. Se não houver meios de vida do lado de fora, os atores sociais excluídos irão procura-los onde houver esses meios. Estas práticas geram conflitos e violência, o que nós conscientemente evitamos com concepção, planejamento/ execução e avaliação de projetos de captação de recursos de doações da sociedade civil. Evidencio que realizamos essas praticas não porque somos bonzinhos. Nossa motivação para esse objetivo é racionalidade ética: necessitamos de aliados em nosso entorno para nos defendermos conjuntamente da criminalidade decorrente da exclusão social que explode localmente. Em nosso caso essas concepções e atividades não nascem por acaso, elas são provenientes de toda uma vida dirigida á uma busca radical, consciente. Concluímos que nossa carência essencial não é econômica, mas sim existencial. concluímos sobre quais os estilos de vida que podem resultar em menos estresse, mais tranqüilidade, mais contemplação, mais paz de espirito, em síntese: em uma vida de melhor qualidade. Para atingir esses resultados tivemos que realizar aprofundados reflexões, estudos, pesquisas e práticas em diversas culturas instituições e locais do mundo ", esclarece.
Além da ecovila no litoral norte, os idealizadores pretendem instalar uma estação avançada para a produção de alimentos, vestuário, produção de biocombustível e outras necessidades na Serra de Teixeira, no alto sertão. A ONG em formação vem atuando através de convênio com a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão (FUNAPE) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).